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Sporting. Receção aos campeões na Câmara de Lisboa não vai ter público

Depois do mar de gente e dos desacatos em Alvalade e no Marquês de Pombal, autarquia vai fechar o evento do dia 20 aos adeptos sportinguistas. Cerimónia só poderá ser vista pela televisão

Hugo Franco e Pedro Candeias

Gualter Fatia

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Os ajuntamentos de milhares de pessoas junto ao estádio de Alvalade e no Marquês de Pombal, durante os festejos da conquista do campeonato do Sporting levaram a câmara municipal de Lisboa a adotar medidas restritivas na receção à equipa campeã nos Paços do Concelho, no próximo dia 20. "Tendo em conta os acontecimentos da noite passada, a Câmara Municipal de Lisboa decidiu alterar os moldes em que se vai processar a receção e homenagem nos Paços do Concelho ao campeão nacional de futebol - esse sim, um evento organizado pela autarquia. Como tal, no próximo dia 20 de maio, e ao contrário do que é tradição, não haverá evento público. Não será assim permitida a presença de adeptos na Praça do Município, bem como nas Praças e Ruas adjacentes, estando a cerimónia reservada a convidados e atletas do Sporting Clube de Portugal (em especial das escolas do Sporting), bem como aos órgãos de comunicação social. Os adeptos poderão assim acompanhar a cerimónia pela televisão", refere em comunicado a autarquia presidida por Fernando Medina.

A autarquia lamenta os acontecimentos e imagens de violência da noite passada, "provocados por atos isolados de alguns grupos de adeptos, no contexto de uma grande celebração desportiva de um clube da cidade". Estas atitudes "mancharam, infelizmente, o comportamento cumpridor de largos milhares de pessoas que respeitaram as regras sanitárias e as recomendações das forças de segurança".

Os responsáveis autárquicos referem ainda que é tradição dos clubes da cidade organizar festejos na praça Marquês de Pombal, que assumem também um caráter espontâneo e popular, sempre que se trata de títulos desportivos relevantes. "Apesar do contexto de pandemia que ainda vivemos essa aglomeração espontânea de pessoas era muito provável, como se já se viu em Amesterdão, Milão e Manchester, e colocava particulares desafios ao clube campeão e às autoridades de saúde e forças de segurança. Referira-se que não vigora hoje no nosso país qualquer limitação horária ou outra à circulação das pessoas em espaço público".

O município lisboeta adianta que nas reuniões preparatórias do evento a preocupação de todos os presentes foi "diminuir o previsível afluxo de pessoas a um ponto único: a praça do Marquês de Pombal". É nesse contexto que "surge a solução de levar os jogadores num autocarro aberto, em contacto com os adeptos ao longo de um percurso de 6 quilómetros entre o estádio e o Marquês de Pombal".

Outra medida excecional foi não permitir a montagem de um palco, ao contrário do que sempre aconteceu em anos anteriores, na praça Marquês de Pombal. "Tentou-se, desta forma, garantir a presença mais espaçada e dos adeptos ao longo de um percurso extenso, reduzindo a aglomeração de adeptos num único local e diminuindo o potencial risco para a saúde pública".

A CML refere ainda que recebeu comunicação de manifestação junto ao estádio de Alvalade, que remeteu, conforme a lei, para a PSP. "Refira-se que o direito de manifestação não está (e não pode estar) sujeito, nos termos da Constituição, a qualquer autorização ou condicionamento por parte das Câmaras Municipais".