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Benfica. Luís Filipe Vieira detido: arrisca prisão preventiva por causa de negócios de 100 milhões

Presidente do Benfica foi detido, juntamente com o filho, o empresário José António dos Santos e Bruno Macedo. Há suspeitas de crimes de abuso de confiança, burla qualificada, falsificação, fraude fiscal e branqueamento. MP investiga negócios e financiamentos superiores a 100 milhões de euros e vai pedir uma medida de coação pesada. Ou seja, Vieira arrisca prisão preventiva

Diogo Pombo, Hugo Franco e Miguel Prado

ANTÓNIO COTRIM

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O presidente do Benfica Luís Filipe Vieira, o seu filho, Tiago Vieira e os empresários José António dos Santos (conhecido por "Rei dos Frangos") e Bruno Macedo foram detidos esta quarta-feira, num processo coordenado pelo Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP) e pela Autoridade Tributária e coadjuvado pela PSP, que investiga a teia de negócios do futebol do líder do clube encarnado.

Segundo o DCIAP, investigam-se negócios e financiamentos suspeitos superiores a 100 milhões de euros, que poderão ter acarretado elevados prejuízos para o Estado e para algumas das sociedades. As detenções foram efetuadas "atendendo aos indícios já recolhidos, com vista a acautelar a prova, evitar ausências de arguidos e a prevenir a consumação de atuações suspeitas em curso", refere o Ministério Público.

Estiveram no terreno 66 inspetores tributários, quatro magistrados do Ministério Público, três Juízes de Instrução Criminal e 74 polícias da PSP, nove dos quais a exercerem funções no DCIAP, que realizaram 45 buscas, abrangendo instalações de sociedades, domicílios, escritórios de advogados e uma instituição bancária. Estas buscas decorreram nas áreas de Lisboa, Torres Vedras e Braga.

As instalações da SAD do Benfica, a casa do presidente do Benfica, em Algés, e o Novo Banco, foram alguns dos alvos dessas buscas.

Em causa, estão suspeitas de crimes de abuso de confiança, burla qualificada, falsificação, fraude fiscal e branqueamento. "Em causa estão factos ocorridos, essencialmente, a partir de 2014 e até ao presente", refere o Ministério Público.

Os arguidos detidos estão a ser encaminhados para o Comando Metropolitano de Lisboa da PSP, em Moscavide, esta quarta-feira, onde deverão pernoitar, antes de serem alvo do primeiro interrogatório judicial por parte do juiz Carlos Alexandre. "Os detidos serão presentes, previsivelmente no decurso do dia de amanhã, a primeiro interrogatório judicial com vista à aplicação, considerando a gravidade dos crimes e as exigências cautelares, de medidas coação diferentes do termo de identidade e residência", acrescenta o DCIAP.

Segundo fonte do processo, os arguidos detidos podem vir a ser interrogados esta quinta ou sexta-feira.

A operação está a ser coordenada pelo procurador Rosário Teixeira, do DCIAP e pelo juiz de instrução Carlos Alexandre. Ambos estiveram à frente da Operação Marquês.

Segundo informações recolhidas pela Tribuna Expresso, também foi alvo de buscas o escritório da C2 Capital Partners, empresa liderada por Nuno Gaioso Ribeiro (antigo vice-presidente do Benfica). Essas buscas, ao que foi possível apurar, visam recolher documentação sobre o fundo FIAE, veículo gerido pela C2 e para o qual foram transmitidos muitos dos ativos da Promovalor (controlada por Luís Filipe Vieira) no quadro de uma reestruturação de dívida ao Novo Banco. A C2 confirmou durante a tarde desta quarta-feira as buscas nos seus escritórios e diz ter colaborado "voluntária e livremente nas diligências em curso". Até ao momento não houve constituição de arguidos nesta ação na C2, em Lisboa.