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Mandado de detenção: Vieira suspeito de ter prejudicado o Benfica, o Novo Banco e o Estado

Presidente do Benfica está já no Tribunal Central de Instrução Criminal, em Lisboa, mas não há certeza se será interrogado esta quinta-feira à tarde pelo juiz Carlos Alexandre

Hugo Franco

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De acordo com o mandado de detenção de Luís Filipe Vieira, o presidente do Benfica e as empresas que domina criaram "esquemas de fraude" para delapidar o património da Benfica SAD, do Novo Banco e do Estado português, "quer em sede de arrecadação de impostos quer em sede de financiamento público ao fundo de resolução e ao mecanismo de acordo de capital contingente", pode ler-se no documento a que a RTP e o Expresso tiveram acesso.

O Ministério Público suspeita que Vieira, que foi detido esta quarta-feira pelo DCIAP, pela Autoridade Tributária e pela PSP, tenha lesado estas três instituições em mais de cem milhões de euros desde 2014. O Presidente do Benfica é suspeito, juntamente com mais três arguidos, dos crimes de burla qualificada, abuso de confiança agravada, falsificação de documentos, branqueamento de capitais e fraude fiscal qualificada.

A equipa do procurador Rosário Teixeira, do DCIAP, acredita que Luís Filipe Vieira contou com o apoio do filho, Tiago Vieira, e do empresário de futebol Bruno Macedo, também detidos nesta operação. Este último utilizava "sociedades de agenciamento de jogadores e de intermediação em transferências", empresas essas criadas no estrangeiro para - com recurso a documentos falsos - transferir quantias para as empresas de Luís Filipe Vieira em Portugal.

Segundo o MP, Vieira e o filho fizeram um acordo para garantir que Bruno Macedo participasse sempre nas operações, nas quais aumentava indevidamente as comissões inerentes à venda de jogadores - que depois revertiam para as empresas do universo de Luís Filipe Vieira.

Sob suspeita estão as transferências de pelo menos três jogadores - dois paraguaios, Derlis Gonzalez e Cláudio Correia, e um brasileiro, César Martins.

O DCIAP suspeita que as empresas offshore criadas nos Estados Unidos, Emirados Árabes Unidos e Tunísia, controladas direta ou indiretamente por Bruno Macedo, permitiram transferir quase 2,5 milhões de euros para as sociedades do presidente do Benfica.

Luís Filipe Vieira está já no Tribunal Central de Instrução Criminal, em Lisboa, mas não há certeza sobre se será interrogado esta quinta-feira à tarde pelo juiz Carlos Alexandre. Os restantes três arguidos do caso são Tiago Vieira e os empresários José António dos Santos, conhecido como "Rei dos Frangos", e Bruno Macedo.

O Ministério Público pretende que a medida de coação a ser aplicada a Vieira seja mais pesada que o termo de identidade e residência devido à gravidade dos crimes que estão em causa, ao risco de fuga, continuação da atividade criminosa ou destruição da prova.