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Operação Cartão Vermelho. Vieira não vai ficar em silêncio perante Carlos Alexandre

Luís Filipe Vieira vai ser ouvido pelo juiz Carlos Alexandre este sábado de manhã. O Ministério Público deverá pedir prisão preventiva

Hugo Franco e Rui Gustavo

Gualter Fatia

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Luís Filipe Vieira, que suspendeu funções como presidente do Benfica esta sexta-feira, foi detido na quarta-feira na Operação Cartão Vermelho e ainda não foi interrogado pelo juiz Carlos Alexandre no Tribunal Central de Instrução Criminal, em Lisboa, no âmbito da operação Cartão Vermelho.

Ao longo desta sexta-feira, o magistrado interrogou os restantes arguidos do caso: primeiro foi o empresário José António dos Santos, conhecido com 'Rei dos Frangos', seguiu-se o empresário Bruno Macedo e ao final da tarde foi a vez do filho do dirigente encarnado, Tiago Vieira.

O interrogatório de Luís Filipe Vieira deve por isso iniciar-se este sábado e o dirigente do Benfica não se vai remeter ao silêncio.

De acordo com o Conselho Superior da Magistratura, os advogados de Vieira referiram ao juiz que o arguido pretendia prestar declarações, "pelo que, obtida a aquiescência por parte de todos, foi decidido que o interrogatório se iria realizar no dia de amanhã, com início pelas 09h".

Depois será a vez de o procurador Rosário Teixeira expor a posição do Ministério Público, que já adiantou que pretende pedir uma medida de coação gravosa, muito provavelmente a prisão preventiva, devido à gravidade dos crimes que estão em causa, ao risco de fuga, continuação da atividade criminosa ou destruição da prova. No final sairá a decisão de Carlos Alexandre.

Os quatro arguidos vão por isso voltar a pernoitar nos calabouços do Comando Metropolitano de Lisboa da PSP, em Moscavide, pela terceira noite consecutiva.

São todos suspeitos dos crimes de burla qualificada, abuso de confiança agravada, falsificação de documentos, branqueamento de capitais e fraude fiscal qualificada.

Estão em causa alegadas fraudes do dirigente encarnado em negócios e transações com o Estado, Benfica e Novo Banco que ascendem a mais de 100 milhões de euros.

O Expresso teve acesso ao mandado de detenção a Luís Filipe Vieira, que revela que o presidente do Benfica e as empresas que domina criaram "esquemas de fraude" para delapidar o património da Benfica SAD, do Novo Banco e do Estado português, "quer em sede de arrecadação de impostos quer em sede de financiamento público ao fundo de resolução e ao mecanismo de acordo de capital contingente".