Tribuna Expresso

Perfil

PUBLICIDADE
Atualidade

Operação Cartão Vermelho. À segunda tentativa, Carlos Alexandre aceita caução de Luís Filipe Vieira

Magistrado aceitou a proposta de pagamento de 3 milhões de euros através de dois imóveis no valor de 1,380 milhões de euros cada um e um depósito em numerário no valor de 240 mil euros que ficará "congelado" à guarda do tribunal até que a caução cesse

Hugo Franco e Rui Gustavo

Tiago Miranda

Partilhar

Depois de uma primeira tentativa falhada, Luís Filipe Vieira conseguiu obter a luz verde do juiz Carlos Alexandre para o pagamento da caução de 3 milhões de euros no âmbito da Operação Cartão Vermelho. A notícia foi avançada pelo jornal "Eco" e confirmada pelo Expresso.

O Ex-presidente do Benfica entregou como caução dois imóveis no valor de 1,380 milhões de euros cada um. As frações de um prédio do Dafundo, em Algés, pertencem à Ryal Brick, que é detida a mais de 98 por cento pelos dois filhos do ex-presidente do Benfica, Tiago e Sara Vieira. Vieira teve ainda fazer um depósito em numerário no valor de 240 mil euros que ficará "congelado" à guarda do tribunal até que a caução cesse.

Depois de o juiz Carlos Alexandre ter dado luz verde a esta proposta, o principal arguido da Operação Cartão Vermelho deixa assim de estar em prisão domiciliária.

Há uma semana, o juiz Carlos Alexandre tinha recusado a proposta de caução avançada por Luís Filipe Vieira. O magistrado do Tribunal Central de Instrução Criminal entendeu que os bens apresentados pelo ex-presidente do Benfica não eram suficientes para cobrir a caução de 3 milhões de euros imposta pelo tribunal para que ficasse em liberdade.

As ações do Benfica e mais de 400 mil euros, correspondente a parte de um imóvel avaliado em 1,2 milhões de euros, não apresentavam garantias suficientes para cobrir os 3 milhões de euros exigidos.

A operação Coração Vermelho tem quatro arguidos: Luís Filipe Vieira, o seu filho Tiago Vieira, o empresário José António dos Santos e o agente desportivo Bruno Macedo.

São todos suspeitos dos crimes de burla qualificada, abuso de confiança agravada, falsificação de documentos, branqueamento de capitais e fraude fiscal qualificada.

Estão em causa alegadas fraudes do dirigente encarnado em negócios e transações com o Estado, Benfica e Novo Banco que ascendem a mais de 100 milhões de euros.

De acordo com o MP, o ex-presidente do Benfica e as empresas que domina criaram "esquemas de fraude" para delapidar o património da Benfica SAD, do Novo Banco e do Estado português, "quer em sede de arrecadação de impostos quer em sede de financiamento público ao fundo de resolução e ao mecanismo de acordo de capital contingente".

São pelo menos 32 as contas bancárias que merecem apensos dedicados no inquérito que investiga Luís Filipe Vieira e os seus negócios e relações com José António dos Santos e Bruno Macedo.