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Web Summit. “Por mais que se treine, se a cabeça não estiver bem, não dá”

Os medalhados olímpicos portugueses, Patrícia Mamona e Fernando Pimenta, contaram na Web Summit como é lidar com a pressão nas grandes competições internacionais. E o peso no lado mental que isso acarreta

Pedro Cordeiro

Pedro Cordeiro

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“Por mais que se treine, se a cabeça não estiver bem não funciona”. A sentença é de Patrícia Mamona, medalha de prata no triplo salto nos Jogos Olímpicos de 2021, que interveio esta terça-feira num painel da Web Summit sobre “Força mental e a estrada para Tóquio”. “Àquele nível não interessa quanto talento se tem, com minuto e meio para fazer tudo a cabeça tem de estar no sítio certo”, afirma a atleta portuguesa.

Para uma edição estranha dos Jogos, procurou “imaginar o estádio sem ninguém”, pois sabia que “ia ser diferente” do ambiente a que se acostumara. Já o canoísta Fernando Pimenta contou como foi estar à espera de um filho e a preparar-se para a ida a Tóquio, previstos para 2020 e que a pandemia obrigou a adiar um ano. “A parte pessoal, felizmente, não foi adiada!”, afirmou o medalha de bronze deste ano em K1 (1000 metros), oito anos depois de ter ganhado a prata em Londres, em 2012, em K2 (1000 metros), com Emanuel Silva.

Mamona assume que competir por Portugal nos Jogos Olímpicos são o topo. “Sempre foi o meu sonho, mas o sonho às tantas transforma-se em responsabilidade. Sou uma pessoa que lida bem com a pressão, mas tive de aprender isso.” A saltadora conta que ficou impressionada, nos Jogos de Londres em 2012, ao ver “o estádio completamente cheio às 9 da manhã, o que não é comum”. E prossegue: “Nem via o meu treinador! Estava tão nervosa!”

Essa competição não correu bem. Mamona ficou fora da final. “Mas ajudou-me a preparar o Rio de Janeiro, em 2016. Passei a usar a pressão a meu favor. Se o estádio está cheio, penso que é a minha hora de brilhar, de aproveitar o amor que os portugueses me mandam. Tinha de dar o meu melhor a representar o país, mesmo que não corresse bem.”

“A camisola do meu país é muito especial e deve ser respeitada nos grandes palcos. Sempre que faço a mala é um momento especial, porque sinto que vou representar o meu país e dar o meu melhor para orgulhar todos os portugueses”, acrescentou Pimenta, que assegura que não treina “para segundo ou terceiro”.

“É para isso que acordo todos os dias, é para isso que trabalho todos os dias”, assegurou, mas também quer ser “bom exemplo na sociedade” e “ter a carreira mais limpa possível” e um “estilo de vida saudável”, para “motivar os mais novos”. Ambos consideram importante mostrar que há uma variedade de desportos para praticar e para ver.

“Entro em competições mundiais e europeias. Sou campeã europeia, mas quero mais medalhas para o meu país”, afirma Mamona, cujo lema é “sempre melhorar”. Pensa nos próximos Jogos, os de Paris em 2024, mas lembra: “Até lá tenho outras competições”. E reconhece o peso, aliado ao júbilo, de estar no “clube dos 15 metros”, isto é, das mulheres que já atingiram essa marca na modalidade. “É um grupo muito restrito na história do triplo salto, só cerca de 25 o conseguiram”.

Confrontada com a prevalência do futebol no espaço mediático — mas com a certeza de ser mais conhecida do que a maioria dos futebolistas portugueses —, a atleta eleva o triplo salto a “forma de vida”. “Sinto tanta alegria ao fazê-lo! Adoro futebol, mas não me sentiria da mesma maneira!”