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“Para uma mulher, sabes muito” foi o comentário mais ouvido por elas nos estádios - e uma em cada quatro foi alvo de assédio

A Football Supporters’ Association, do Reino Unido, estudou a experiência das mulheres nos jogos de futebol ao vivo e os resultados ainda estão longe de serem positivos. As inquiridas consideram que devem ser os clubes a dar resposta aos comentários sexistas

Rita Meireles

Mark Kolbe/Getty

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O estudo “As Mulheres no Jogo”, conduzido pela Football Supporters’ Association (FSA) no Reino Unido, procurou entender as circunstâncias em que uma mulher marca presença num estádio para assistir a um jogo de futebol. Que comentários ouve? Como se sente? Estas e outras perguntas foram colocadas a mais de 2 mil adeptas que vão ver os jogos ao vivo e os resultados não foram os melhores.

Com 44% das inquiridas a selecionar esta opção, o comentário mais ouvido é “para uma mulher, sabes muito [sobre futebol]”. Seguem-se outros comentários sexistas (34%), em particular a ideia de que a mulher só vai ao jogo por achar os jogadores atraentes - 26% já ouviram este comentário. 24% assinalou também os cânticos sexistas. Por fim, 20% das mulheres chegaram mesmo a receber "atenção indesejada a nível físico" - uma em cada cinco mulheres, portanto.

A forma como as mulheres têm reagido a estas situações tem vindo a mudar ao longo dos anos. Em 2014, 32% das mulheres mostravam-se despreocupadas com o facto de terem que lidar com estes comentários, atualmente essa percentagem desceu para os 15%.

Quase 50% diz ficar irritada com este comportamento, sendo que chegam mesmo a optar por não voltar aos estádios (5%). Metade das inquiridas opta por ignorar e apenas 14% denuncia o autor ou autores dos comentários.

“É decepcionante ver tantas adeptas serem sujeitas a uma conduta inadequada e inaceitável por parte de outros adeptos”, comentou o porta-voz da Liga de Futebol Inglesa (EFL), realçando que a liga usa este tipo de informações para melhorar as operações nos dias de jogo.

Da parte da associação que conduziu o inquérito, Ally Simcock, membro da direção, deixa claro: “Não há lugar no futebol para comportamentos sexistas ou misóginos. Encorajamos todos os adeptos a desafiá-lo e, se necessário, a denunciá-lo ao seu clube ou às autoridades”.

O papel do clube é também analisado neste estudo. Ainda que 63% considere que a intervenção de outros fãs é necessária no momento em que os comentários são proferidos, 53% defende que é o clube que deve condenar este comportamento e 33% considera que o clube deve mesmo aplicar castigos, como banir o autor.

Entre as mulheres que afirmaram assistir a jogos das ligas femininas foi conduzido um outro inquérito, que contou com 350 participantes. Neste caso o comentário “para uma mulher, sabes muito [sobre futebol]” surgiu em 14% dos casos, 13% já ouviram comentários sexistas, 5% foram acusadas de ir aos jogos apenas por acharem as jogadoras atraentes, 7% ouviu cânticos sexistas e 5% receberam atenção indesejada a nível físico. 75% das inquiridas não passou por nenhuma destas situações.