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O segredo é ir aos treinos…

Numa pista ainda molhada pelas chuvadas da véspera, os concorrentes das AFN 24 Horas TT Vila de Fronteira disputaram sexta-feira os treinos, determinantes para a formação da grelha de partida.

Rui Cardoso

passagem do nosso Nissan Patrol nº 26 por uma das zonas ainda enlameadas

Paulo Maria/ACP Motorsport

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Quantas vezes num jogo de futebol vemos os jogadores da equipa do nosso coração bater mal os pontapés de canto ou os livres e perguntamos, irados: “mas estes gajos não vão aos treinos?” Numa prova como as AFN 24 Horas TT Vila de Fronteira cujos treinos decorreram sexta-feira, dia 30 de Novembro, dá-se o caso oposto. Equipa que não tenha grande material nem grande orçamento deixa os treinos livres para os campeões e apenas vai cirurgicamente aos treinos cronometrados, dando um mínimo de voltas à pista, de forma a estragar o menos material possível.

De resto, numa grelha de partida com oito dezenas de viaturas, como aquela que se formará sábado, dia 1 de Dezembro às 14 horas, só há dois lugares confortáveis para largar: da primeira fila (o que, está bom de ver, não é para qualquer um) ou da última. E, uma vantagem de alguns segundos ganha nos treinos à custa de forçar o andamento, facilmente pode ser perdida numa má largada se houver grandes molhadas de concorrentes à entrada dos ganchos ou nos pontos de estreitamento da pista.

A fábula da lebre e da tartaruga ou a corrida dos primeiros e a corrida dos últimos

A fábula da lebre e da tartaruga ou a corrida dos primeiros e a corrida dos últimos

Paulo Maria/ACP motorsport

Era uma vez dois sobreiros

Para quem tenha como objectivo chegar ao fim da prova que, nunca é demais insistir, dura 24 horas, o objectivo dos treinos, mesmo dos cronometrados, é muito mais a adaptação à pista, bastante molhada pelas chuvadas de quinta-feira à tarde que a obtenção de um bom lugar na grelha de partida. E, acessoriamente, verificar o comportamento do carro, detectar qualquer pequeno problema mecânico, etc.

Este ano o Terródromo de Fronteira tem uma alteração de traçado na última passagem pela Ribeira Grande que fez desaparecer uma das descidas mais emocionantes da prova, entre dois imponentes sobreiros e com abundantes regueiras do lado esquerdo da pista. Se este vosso amigo ganhasse notas de cinco euros de cada vez que um piloto “fazia a barba” aos chaparros já teria ganho para um carro novo…

Feitas as voltas da praxe nos treinos cronometrados constata-se que a pista se mantém em razoável estado, ainda que nalgumas curvas se comecem a

elevar pedras do meio da terra, quais zombies da série “The Walking Dead” a sair do túmulo.

Outra coisa que se constata é a abismal diferença de andamento entre os primeiros e os últimos. O primeiro lugar na grelha de partida conquistado pelo concorrente nº 22, Alexandre Andrade, ao volante de um AC Nissan Proto corresponde a uma média de 102 km/h. O nosso Nissan Patrol nº 26 fez média de 70 km/h, o que significa quase mais cinco minutos em cada volta de 17 km deste circuito.

É por isso que durante as primeiras voltas se guia com um olho na pista e outro no retrovisor, já que de três em três voltas os mais rápidos nos ganham uma ou perto disso. Mas, tal como há a Liga dos Campeões, também há a Liga dos Últimos e cada uma tem o seu encanto