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Uma partida movimentada

As AFN 24 Horas TT Vila de Fronteira já mexem e a luta pelo controlo da corrida aquece

Rui Cardoso

Passagem de ribeira a vau ao anoitecer.

Paulo Maria/ACP Motorsport

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À hora a que escrevo esta crónica começa a anoitecer em Fronteira. Terminei o meu primeiro turno de condução (duas horas) que incluiu a sempre movimentada largada da grelha de partida às 14.00. Vista através do pára-brisas do meu vetusto Nissan Patrol GR a partida é algo a meio caminho entre um estouro de elefantes e a travessia do Marquês de Pombal à hora de ponta, condimentada pela presença de carros de rede, entregadores de pizas e outros perigos públicos. O truque é aproveitar todos os buracos que se abram no pelotão para ganhar posições e ao mesmo tempo fintar os atrevidos que ameacem investir contra as nossas portas ou guarda-lamas com o virtuosismo de um toureiro a enganar a fera cornuda.

A corrida vai já com cinco horas e meia de duração e a luta pelos primeiros lugares está ao rubro com os três primeiros separados por uns meros quatro minutos. A equipa luso-francesa de Alexandre Andrade (AC Nissan Proto) passou para o comando, seguida do Mini do preparador alemão X-Raid e do MMP Rally Raid do antigo campeão nacional Ricardo Porém.

O andamento dos primeiros é muito forte mas é de esperar que com o anoitecer os tempos por volta subam um pouco. Entretanto a dureza do traçado, rápido mas com algumas armadilhas, já se fez sentir, havendo muitos carros parados na pista ou em reparações nas boxes.

Nas AFN 24 Horas TT Vila de Fronteira organizadas pelo ACP Motorsport e este ano na 21ª edição participam quase 90 concorrentes em veículos de diversos tipos desde protótipos muito leves e potentes feitos especialmente para este tipo de provas, a jipes e pick-ups derivados dos modelos de série, sem esquecer automóveis convencionais como um Renault 4 ou uma carrinha Peugeot 504. Cada equipa tem de três a cinco pilotos que vão rodando ao volante, nunca podendo fazer mais do que três horas seguidas de condução.

A pista muda completamente de cariz mal o sol se põe. Por muito boa que seja a bateria de luzes instalada no carro, o jogo das sombras e dos contrastes prega-nos partidas, tanto fazendo uma pequena regueira parecer um imenso abismo, como ocultando uma cratera capaz de provocar um furo ou um despiste.

Saber ler a pista

O nome da modalidade – todo-o-terreno – é enganador pois não se trata de guiar por cima de toda a folha mas de evitar as regueiras paralelas nas curvas mais fechadas, fintar as pedras salientes e abordar as zonas de travagem, muito onduladas, de forma a não massacrar a suspensão do carro.

Ao fim de três ou quatro voltas passamos a saber quais as trajectórias ideais, onde se situam os locais perigosos e que andamento adoptar nas diversas zonas do terródromo de Fonteira.

Trata-se de um circuito em terra situado nos arredores de Fronteira, com 16 km de perímetro que inclui a travessia de três ribeiras (praticamente secas), zonas sinuosas, uma subida pronunciada seguida de uma descida interminável e algumas curvas cegas (regra geral para a esquerda) antecedidas de lombas. Enfim, um cocktail de TT que só não está completo porque não choveu o suficiente para haver lamaçais ou linhas de água fundas.

Na próxima crónica falar-vos-ei das emoções da condução nocturna.