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Rali de Portugal está de volta ao centro. ACP acredita em retorno de mais de €138 milhões

Quase duas décadas depois, Rali de Portugal regressa às míticas classificativas de Arganil, Lousã e Góis. A sétima etapa do Campeonato do Mundo de Ralis (WRC) decorre de 30 de maio a 2 de junho, com partida da Alta Universitária de Coimbra

Isabel Paulo

Massimo Bettiol / Getty Images

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Dezoito anos depois, o Rali de Portugal está de volta às estradas da região centro e às míticas classificativas de Arganil, Lousã e Góis, retorno saudado, esta terça-feira, por autarcas e pelo Turismo do Centro de Portugal no dia da apresentação oficial da edição de 2019. O anúncio foi feito na sede do Automóvel Clube de Portugal e na Câmara Municipal de Coimbra, a cidade de partida da prova, mais concretamente na Porta Férrea da Universidade, que arranca a 31 de maio.

No Rali de Portugal vão competir 80 pilotos, que, depois de Coimbra, seguem para os troços cronometrados de Lousã, Góis e Arganil. Pedro Machado, presidente do Turismo do Centro, fez questão de destacar que o país voltar a ter “o melhor rali do mundo no seu santuário, naquele que é verdadeiramente o sítio natural”, recordando, em comunicado, a importância do evento para a região: “A captação de um grande evento, como o Rali de Portugal, transforma a nossa região, ajudando a esbater as assimetrias regionais. O rali é um veículo privilegiado para unir o litoral e o interior, uma vez que junta o património mundial com o queijo, o vinho, o mel e tantas das nossas iguarias num evento de afirmação internacional“.

Além do rali, o responsável pelo turismo da Centro adianta ainda que a região tem hoje capacidade para atrair grandes eventos, como o campeonato do mundo de trail running, a nova Maratona da Europa, em Aveiro, competições que ajudam “ao aumento da atratividade” local. O regresso da prova integrada no Mundial de ralis é ainda saudade por ter um importante impacto económico nos territórios envolvidos e que registam “já hoje a procura de alojamentos” os dias 29, 30 e 31 de maio. Um dos pré-requisitos para o retorno foi que o rali “dormisse pelo menos uma noite” na zona centro. “Era muito importante assegurar que os 160 pilotos ficassem por aqui, para que a região pudesse usufruir desta aventura”, justifica Pedro Machado.

A 53.ª edição do Rali de Portugal, sétima etapa do Campeonato do Mundo de Ralis (WRC), decorre entre 30 de maio e 2 de junho e terá um percurso total de 1.463,55 quilómetros, dos quais 311,59 cronometrados ao longo de 20 especiais de classificação. O shakedown tem lugar a 30 de maio no circuito de Baltar, em Paredes, seguindo-se a partida da Porta Férrea da Universidade de Coimbra. Para dia 31 estão previstas passagens por Coimbra, Lousã, Góis, Arganil e Lousada. No dia seguinte, o Rali terá especiais em Vieira do Minho, Cabeceiras de Basto, Amarante e Vila Nova de Gaia. Por fim, a 2 de junho, Mondim, Fafe e Luílhas acolhem as derradeiras etapas, antes da consagração dos vencedores em Matosinhos.

O presidente do ACP, Carlos Barbosa, salientou o regresso a territórios que estavam afastados da prova desde 2001 e vincou a expectativa da organização de este ano “aumentar o retorno” económico de €138 milhões gerados em 2018, apesar de considerar “excecional” a magnitude dos números do ano passado”.

“Este ano o Rali vai ser excecional, pois vamos, finalmente, à zona Centro, que era uma grande ambição do Rali de Portugal há já uma série de anos. Com a saída de três câmaras do Norte – Caminha, Viana do Castelo e Ponte de Lima –, pudemos fazer o troço de Góis, Lousã e Arganil. Estamos muito contentes por poder voltar ao Centro e nos aproximarmos do velho figurino do Rali de Portugal”, afirmou Carlos Barbosa.

“O Rali de Portugal tem sido uma etapa essencial do mundial de ralis e é a mais vista no campeonato do mundo. É sobretudo pela paixão à volta do Rali que o ACP trabalha para levar aos fãs mais espetáculo e mais emoções”, frisou o líder da entidade organizadora à Lusa, sem deixar de apontar “as dificuldades para obter apoios públicos”.

Entre as novidades agendadas para esta edição do Rali preveem-se também zonas de assistência só para pneus e zonas de assistência para outras reparações e a imposição de os carros não poderem ser reparados no final do Rali, sendo selados e seguindo no estado em que estão para a prova seguinte, o Rali de Itália.

Manuel Machado, presidente da Câmara de Coimbra, destacou o facto de o Rali de Portugal partir pela primeira vez da Alta universitária, Património Mundial da Unesco, uma grande montra para o turismo da cidade, não só por a prova ser seguida presencialmente por “cerca de um milhões”, mas por ser transmitida para 150 países e contar com mais de 87 milhões de espetadores.