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Fernando Alonso quer a triple crown, mas Indianápolis não quer nada com ele

As 500 Milhas de Indianápolis são a prova que falta a Alonso para ser o segundo homem a arrebatar a triple crown do automobilismo. Mas se na primeira tentativa, em 2017, já tinha sido uma desilusão, este ano ainda foi pior: o McLaren especialmente desenvolvido para a corrida nem sequer chegou para o espanhol se qualificar

Lídia Paralta Gomes

Icon Sportswire/Getty

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O título não é exatamente oficial, mas não há piloto que não pense nele. Diz-se que um piloto chega à triple crown do automobilismo quando ganha as três mais míticas corridas do planeta: o GP Mónaco, as 24 horas de Le Mans e as 500 milhas de Indianápolis.

Até hoje apenas um homem conseguiu tal feito. Graham Hill, que venceu no Mónaco em 1963, 1964, 1965, 1968 e 1969, em Indianápolis em 1966 e nas 24 horas de Le Mans em 1972. E depois de deixar a Fórmula 1, à falta de um projeto que o colocasse perto do 3.º título mundial, a triple crown passou a ser também o objetivo de Fernando Alonso.

O espanhol, diga-se, até vai bem encaminhado. Ganhou no Mónaco em 2006 e 2007, em Le Mans no ano passado e agora falta-lhe as 500 Milhas de Indianápolis.

Acontece que, até ver, Fernando Alonso quer muito as 500 Milhas de Indianápolis mas as 500 Milhas de Indianápolis não querem nada com ele. Há dois anos, na estreia, num McLaren Honda da Andretti, o espanhol de 37 anos deu espectáculo e liderou durante 27 voltas, até que o motor do carro cedeu, quando faltavam apenas 25 das 200 voltas da prova.

A desilusão foi muita, mas nada que se compare com o que aconteceu este fim de semana. Depois de participar em 2017 com o apoio da Andretti, a McLaren desenvolveu um carro próprio para a segunda tentativa de Alonso em Indianápolis, mas o espanhol nem sequer conseguiu qualificar-se para a prova, que se disputa no próximo domingo.

À semelhança do que aconteceu nos últimos anos de Alonso na Fórmula 1, o McLaren nunca esteve ao nível dos melhores e falhou a presença nos 30 mais rápidos que garantem um lugar na grelha de partida. E na “negra”, uma espécie de última oportunidade para os carros que não conseguiram a qualificação, Alonso ficou a um lugar de entrar na derradeira fila.

“Uma semana difícil, sem dúvidas. Tentámos o nosso melhor, fomos corajosos, mas há quem tenha feito um melhor trabalho que nós. Tanto o sucesso como as desilusões só aparecem quando aceitamos grandes desafios”, escreveu Alonso nas redes sociais.

Foi também nas redes sociais que Zak Brown, diretor da McLaren, pediu desculpas ao espanhol. “Estou muito desapontado pelos nossos adeptos, pela nossa equipa, patrocinadores e pelo Fernando por não conseguirmos participar nas 500 Milhas. Seria sempre um caminho complicado, mas não há desculpas - não fizemos bem o nosso trabalho. Créditos a quem o fez. A equipa colocou o coração e a alma nisto e agradeço-lhes por isso”.

Existia ainda a possibilidade da McLaren comprar um lugar na grelha para Alonso, mas Zak Brown recusou ir pelo caminho mais fácil. “Vamos regressar cá a lutar. Não queremos comprar a nossa entrada, queremos merecê-la. Queremos entrar com mérito”, sublinhou em declarações à AP. Entretanto Bob Fernley, presidente do projeto da IndyCar da McLaren foi despedido.

O típico banho de leite, obrigatório para o vencedor em Indianápolis, e a triple crown de Fernando Alonso terão assim de esperar.