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Luta até ao fim

Neste segundo dia do Rali de Portugal, disputado nas serras da Cabreira e do Marão, a Toyota continuou a dominar mas perdeu um dos seus três carros

Rui Cardoso

João Garcia

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Apesar de o Minho ser a pátria do rali de Portugal e de os troços continuarem a arrastar multidões, neste segundo dia o público distribuiu-se de uma maneira mais homogénea pelas diferentes zonas espectáculo e não houve grandes problemas de acessos, ao contrário do que sucedera na véspera na Lousã e em Góis.

Para apreciar de diferentes perspectivas a luta pelos primeiros lugares, até agora favorável à Toyota, optei pelo terceiro troço da manhã, ou seja Amarante, sensivelmente a meio, perto de Fridão. Era o oposto das zonas de cumeada da véspera, ou seja, pouca perspectiva ao longe mas, em contrapartida, uma visibilidade fabulosa sobre um estreito gancho à esquerda a descer.

Os carros apareciam como que vindos do nada (a mata fechada abafava o ruído da aproximação) e desciam, sem perder um milésimo de segundo, saltando, completamente atravessados, para começarem a descer entre árvores. Se esta manobra desse um prémio, teria ido direitinho para a passagem de Lappi, no seu Citroen, de longe o mais espectacular.

Pó e jogo de equipa

O pó era algum mas graças à direcção dominante do vento sobrava para os espectadores do lado oposto ao que me encontrava. Como muitas vezes na vida, o mal de uns é compensado pelo alívio dos outros… Veja a imagem colhida no local pelo João Garcia que acompanha este texto.

João Garcia

Aí foi possível constatar o trabalho de equipa da Hyundai que pôs os seus três carros a largarem seguidos, de forma a melhorar as possibilidades do piloto mais bem classificado da marca nipónica, o belga Thierry Neuville. Na prática conseguiram cavar um fosso maior entre este, no quarto lugar, e Ogier, da Citroën, na posição imediata.

Aos saltos em Vieira

Para a tarde, a visita a um troço que não conhecia – Vieira do Minho – que tem excelentes acessos, sobretudo na zona final da classificativa. É, ao contrário de Amarante, um troço de serra, permitindo descortinar muito ao longe a aproximação dos carros e do penacho de pó que levantam.

No lugar em que me encontrava tinha visibilidade para um salto que, não sendo comparável aos do Pereira e da Pedra Sentada no troço Fafe-Lameirinha, era, apesar de tudo, muito interessante. Até tinha, para gozo dos espectadores, uma escala para aferir a distância de voo a seguir à lomba: começava nos 15 m e acabava nos 40. Sebastien Loeb e Dani Sordo, ambos ao volante de Hyundais, aterraram muito perto da marca dos 30 m.

Novamente a fotografia do João Garcia, agora na zona do salto fala por si.

João Garcia

O único senão era a nuvem de pó que os concorrentes mais rápidos deixavam e que, embora durasse escassos segundos, chegava a ser asfixiante. Neste primeiro troço da ronda da tarde, percebeu-se que Thierry Neuville (Hyundai) se estava a chegar à frente e viria de facto a vencer a derradeira classificativa do dia (Amarante 2).

Com isso subiria ao lugar mais baixo do pódio, pois o Toyota de Latvala partiu um amortecedor em Cabeceiras 2 e foi forçado a desistir. O comandante da prova, o estónio Ott Tanak, teve um percalço semelhante e até faria um pião mas aguentou a liderança, protegido pelo seu colega da equipa Toyota Kris Meeke, na posição imediata.

O salto de Vieira ainda nos brindou com a visão de um Skoda com o capô levantado e completamente colado ao pára-brisas e com a passagem rápida e competente de Armindo Araújo (Hyundai), o melhor piloto português.

Guerra ao lixo

Tinha escrito ontem que o civismo do público, mormente no que respeita ao lixo, tem sido notável. Assisti em Vieira do Minho 2 a um grupo de pândegos, já com umas boas dezenas de cervejas ingeridas, que depois de se divertirem a fazer uma instalação com as garrafas vazias, no final as recolheram e depositaram nos sacos até à última.

Graças ao trabalho começado a desenvolver no ano anterior o Rali de Portugal já é considerado pela FIA um exemplo de sustentabilidade ambiental. Este ano a campanha de sensibilização para a recolha e separação dos diferentes tipos de lixo foi alargada às Câmaras Municipais e outros parceiros da prova.