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Carlos Sainz, o pai, admite que pode "ter sido de alguma forma mais duro" com Carlos Sainz, o filho

Carlos Sainz concedeu uma entrevista à "Eurosport" e falou nas dificuldades entre separar a relação pai-filho e da manager-piloto que tem com Carlos Sainz Jr., que em 2015 entrou para a Fórmula 1 e, a partir da próxima época, estará na Ferrari

Diogo Pombo

Carlos Sainz Jr. e o pai, Carlos Sainz, nos tempos da Toro Rosso, em 2015, durante o primeiro ano do mais novo na Fórmula 1.

Charles Coates/Getty

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Há 25 anos, quando nasceu o filho, o casal Sainz decidiu batizá-lo com o primeiro nome e o apelido do pai, instaurando dois homólogos na família e dando ao rebento mais novo o sufixo "Jr." enquanto durar a sua caminhada na Terra, ou melhor, a sua corrida, porque além do chamamento a que responde ser igual ao do pai, também tomou do progenitor o afã para ter um volante nas mãos, um motor pelo qual puxar e quatro rodas a fazerem as deslocações por ele.

Tendo o pai sido quem foi - um piloto de ralis com dois títulos mundiais conquistados - e ainda é - porque este ano conquistou o quarto Dakar da carreira -, o júnior dos Carlos também ficou com uma etiqueta invisível no nome, a que sempre se cola a filhos que seguem as pisadas dos pais mas sem que eles lhes dêem sombra. Porque, durante muito tempo, a primeira coisa a vir à cabeça quando se ouve Carlos Sainz Jr. poderia bem ser o sénior dos Carlos Sainz.

Algo que agora e cada vez mais poderá cair em desuso, pois o mais novo foi há semanas confirmado como piloto da Ferrari a partir da próxima época da Fórmula 1, onde compete e faz pela vida desde 2015.

O pai, de 58 anos, ficou "maravilhado" com "mais um passo em frente na carreira" do filho, que "já tem 25 anos e é inevitável ir dando-lhe mais espaço", admitiu, em entrevista à "Eurosport", abordando a relação automobilística que ambos nunca esconderam - Carlos Sainz sempre acompanhou com frequência, no paddock, as corridas em que Carlos Sainz Jr. participa desde que entrou na Fórmula 1.

Nesse espaço, o mais velho dos Sainz controla "muito mais o rali do que a Fórmula 1", naturalmente pois nunca participou na categoria, mas também confessou que andar na corda bamba entre a relação pai-filho e a de manager-piloto não é fácil, nem pode ter sido sempre gentil. "Sou uma pessoa que demonstro em todos os momentos como me sento, se estou feliz, triste ou chateado, por isso sei que posso ter sido de alguma forma mais duro quando falei em certos momentos com os meus filhos", revelou.

Para cuidar desses momentos, o pai conta que "meio a brincar, meio a sério", já sugeriu ao filho optarem por uma solução indumentária. "Disse ao Carlos que me comprasse um chapéu a fizer 'Pai' e outro a dizer 'Manager'", revelou, para que pudesse ir trocando qual lhe tapa a cabeça, "dependendo do papel com que quisesse" dirigir-se a ele - "usaria um ou outro para ter uma postura ou outra e para que as relações, sobretudo as pessoais, não fossem prejudicadas".

Venha o que vier na Fórmula 1 para o Carlos que se dedicou aos monolugares, o mais velho dos Sainz resume a relação motorizada da família com uma frase: "Acho que todos os pais pensamos e sentimos da mesma maneira e queremos sempre que tudo de bom aconteça aos nossos filhos, é a maior alegria que podemos ter".