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Bernie Ecclestone: “Os negros são mais racistas” e a F1 está “demasiado ocupada” para se preocupar com racismo

Bernie Ecclestone considera que “as pessoas negras são mais racistas do que as pessoas brancas”, desvalorizando as declarações do hexacampeão mundial Lewis Hamilton que disse ter sofrido o “estigma do racismo” ao longo da carreira

André Manuel Correia

GETTY IMAGES

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O antigo piloto e empresário Bernie Ecclestone foi durante vários anos o principal rosto do circo da Fórmula 1. Era ele o grande “patrão” da modalidade, depois de também ter sido proprietário da lendária equipa Brabham.

Em declarações à CNN, o britânico de 89 anos — que em 2017 vendeu os direitos comerciais à Liberty Media — disse que a F1 está “demasiado ocupada” para se preocupar com o racismo, acrescentando mesmo que “em alguns casos, as pessoas negras são mais racistas do que as pessoas brancas”.

Questionado sobre se a Fórmula 1 deveria ter tomado medidas para combater o racismo, Bernie Ecclestone respondeu: “Não acho que alguém se tenha preocupado com isso antes. Estão demasiado ocupados a tentar ganhar corridas ou a tentar encontrar patrocinadores. Outras coisas são de pouco ou nenhum interesse”.

Este é um tema que, diz, o “deixa muito chateado” e desvaloriza a tomada de posição do hexacampeão mundial Lewis Hamilton que confessou ter sido vítima do “estigma do racismo” ao longo da carreira como piloto.

“Fico muito infeliz se ele levou isso a sério. Nunca pensei que tivesse levado. Não acredito que o tenha afetado”, atirou ex-dono da F1.

A Liberty Media já veio condenar e afastar-se das opiniões manifestadas pelo antigo CEO da modalidade. “Num momento em que é necessária união para combater o racismo e a desigualdade, nós discordamos completamente dos comentários de Bernie Ecclestone que não têm lugar na Fórmula 1 ou na sociedade”, pode ler-se no comunicado oficial.

“O senhor Ecclestone não desempenha qualquer papel na Fórmula 1 desde 2017 e o seu título de presidente honorário expirou em janeiro”, frisa a Liberty.