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Pedras traiçoeiras e descidas alucinantes: os troços de sexta-feira do Rali de Portugal vistos por dentro

Conheça o que os concorrentes vão encontrar sexta-feira 21 de Maio na dupla passagem por Lousã, Góis e Arganil pedras traiçoeiras descida alucinante

Rui Cardoso

Octavio Passos/Getty

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Foram precisos 18 anos para o Rali de Portugal voltar a alguns dos locais que o tornaram famoso em todo o mundo. Foi o caso, na edição de 2019, da Lousã, Góis e Arganil.

A ronda da Lousã, disputada esta sexta-feira 21 de maio, inclui duas passagens pelos três referidos troços: Lousã, Góis e Arganil. Destes, apenas o de Góis se aproxima do traçado antigo, ainda que feito no sentido Góis-Colmeal. O da Lousã é completamente diferente e o de Arganil é uma versão encurtada do troço dos velhos tempos, com um piso muito melhorado, disputado de Enxudro e Porto Castanheiro para Alqueve, às portas de Arganil.

Lousã, 12 km serra abaixo

O antigo troço da Lousã, com a arrepiante descida final para Cacilhas através do estradão dos Serviços Florestais, foi asfaltado, pelo que o rali já não passa lá. Em contrapartida pode servir como acesso ao novo traçado no dia da prova. O novo troço deriva da N236 a meia encosta e utiliza uma sucessão de estradões para descer até perto de Vilarinho na N342 (Lousã-Góis).

Para os concorrentes (que não o público) chegarem ao início da classificativa da Lousã, tomam, à saída desta vila, a estrada para Castanheira de Pêra (N236). Uma vez passada a placa de Alfocheira, 4,3 km adiante, numa derivação para a esquerda a subir, em terra, com a indicação “São Lourenço”, começa a classificativa, com 12,35 km de extensão. Primeira passagem de manhãzinha às 8.08, repetida ao almoço às 12.31.

Octavio Passos/Getty

Inicia-se com uma subida não muito larga durante 3 km até uma antiga casa da Guarda Florestal. Daqui em diante, a pista alarga e ganha a curva de nível, começando a ver-se a Lousã à esquerda. O traçado torna-se muito rápido depois do km 5 e do parque de merendas, começando a surgir as primeiras pedras traiçoeiras no piso. Ao km 8, à direita a Zona Espectáculo 4, à qual o público acede descendo da cumeada perto de Santo António da Neve. Logo depois da sua congénere nº 5, inicia-se uma descida alucinante de 3 km com uma interminável sucessão de ganchos no meio das árvores, terminando perto de Vilarinho na estrada da Lousã para Góis.

Góis, pista de cumeada

O troço de Góis, disputado logo a seguir (09.08 e 13.31 horas), não foge muito ao dos “velhos tempos”. Este ano, o local da partida e os primeiros quilómetros foram alterados para fugir à rampa da estrada florestal que, após ser percorrida pelos primeiros concorrentes, tendia a ficar impraticável, transformando a segunda passagem dos últimos carros numa verdadeira prova de todo-o-terreno. Atingida a cumeada, retoma-se o percurso do costume, perto do marco geodésico de Capinhas (altitude 703 m), entre vestígios de bosques que sobreviveram a décadas de incêndios.

A pista alarga e torna-se muito rápida, assim se mantendo durante os 2 km seguintes. Depois inicia-se a descida para a Cabeça do Pião, local muito bonito, ideal para piqueniques (fora do calendário do rali, é claro). Neste ponto do troço, do qual se cumpriram já 11,5 dos seus 19,5 km, se situa a Zona Espectáculo 10 e há uma derivação de pistas: sobre a esquerda, desce para Celavisa, Pracerias e Adcasal; em frente, sobe para novo marco geodésico, com a famosa Selada das Eiras (onde o troço de Arganil já não passa) a 6 km; e sobre a direita, por onde vão os concorrentes, acompanha a curva de nível, começando a aproximar-se do Colmeal.

MIGUEL RIOPA/Getty

A partir da aldeia de Sobral o estradão começará a descer fortemente. Aqui se situa a zona espectáculo 12. Uma casa tradicional em xisto, decorada com um azulejo e a reprodução de um poema sobre as belezas serranas, apresenta-se, por via das dúvidas, invariavelmente protegida por barreiras de pneus velhos. A tomada de tempo já só está a 3 km.

Arganil, versão curta

Quanto ao troço de Arganil (10.08 e 14.38 horas), agora com 18,8 km (mais 5 km que na anterior edição do rali) de forma a poder acomodar uma terceira zona espectáculo, começa não muito longe da mundialmente famosa Casa do PPD, uma ruína com pinturas de campanhas eleitorais doutros tempos, restaurada com o apoio da Câmara e do ACP. Tem menos de metade do comprimento da classificativa dos velhos tempos que, pela sua dureza, decidia frequentemente o rali.

Irá, depois de muitas voltas, terminar em Alqueve, fazendo sucessivas voltas à serra, na direcção da grande zona espectáculo desta classificativa, a nº 13, perto de Pai das Donas. Depois desta, encontra nova zona espectáculo perto de Esculca, onde se inicia uma descida sinuosa e muito escorregadia de 2 km, sempre com o precipício do lado direito, até à tomada de tempo. Passou a haver barreiras nas laterais das curvas mais perigosas e o piso é muito melhor que o do troço onde noutros tempos brilharam Markku Alen, Toivonen ou Michéle Mouton mas, para os pilotos e navegadores mais antigos com quem troquei impressões, o que se ganhou em rapidez perdeu-se em emoção.