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Rali de Portugal. Aos saltos em Vieira

Uma sugestão para o segundo dia do rali, permitindo evitar ajuntamentos e engarrafamentos, gozando a paisagem e, claro está, o espectáculo desportivo

Rui Cardoso

MIGUEL RIOPA/Getty

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Vou falar-vos de Vieira do Minho (8.08 e 14.38 horas), aquele que talvez seja o troço ideal (do ponto de vista do público) do segundo dia do rali, ou seja o sábado 22 de Maio. Junta a beleza da paisagem, à facilidade dos acessos e a um relativo desafogo de público porque Braga, Guimarães e a Póvoa de Lanhoso estão longe, não tanto em quilómetros pela N 103 mas em tempo e “mão-de-obra” porque a estrada, sempre ao longo do Cávado, enrola e desenrola que nem uma jibóia africana.

A parte final de Viera do Minho (com uma extensão total de 20,6 km) é um troço de serra, já não muito longe da albufeira da Venda Nova, que permite descortinar muito ao longe a aproximação dos carros através do penacho de pó que levantam, enquanto vão rodeando cabeços e penedos graníticos ao longo da curva de nível.

Junto à zona espectáculo 22 (acessos por Botica e Zebral a partir do km 87,3 da N103 (Braga-Chaves) há um salto que, não sendo comparável aos do Pereira e da Pedra Sentada no troço Fafe-Lameirinha, não deixa de ser interessante. Costuma ter uma escala para aferir a distância de voo a seguir à lomba: começa nos 15 m e acaba nos 40. Há dois anos vi os mais habilidosos voarem até à marca dos 30 m…

Com pó mas sem lixo

O único senão pode ser o pó mas, espectador que se preze, não liga a tais ninharias. Convém, no regresso, ter o bom senso de evitar a rotunda perto de Cerdeirinhas onde convergem a N103, a que sobe de Vieira do Minho (N304) e o ramal que desce para a Caniçada. Em dia de azar pode ser petisco para uma hora de pára arranca. Quem venha do lado de Chaves pode descer para a barragem de Salamonde e tomar a estrada secundária para Fafião, Ermida e Caldas do Gerês. Ou, um pouco mais adiante, derivar na N103 para Louredo, descendo estrada estreita que leva à ponte da Caniçada. É sempre a oportunidade para respirar os ares sem igual do Parque Nacional da Peneda Gerês.

Graças ao trabalho começado a desenvolver em 2018, o Rali de Portugal já é considerado pela FIA um exemplo de sustentabilidade ambiental. A campanha de sensibilização para a recolha e separação dos diferentes tipos de lixo envolve as Câmaras Municipais e outros parceiros da prova.