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Automobilismo

O coração do Rali de Portugal

Ideias e sugestões para domingo, 23 de Maio, derradeiro dia do Rali de Portugal, disputado na “catedral”, ou seja, nas serras que rodeiam a cidade de Fafe

Rui Cardoso

NurPhoto

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Fafe é, de facto, o coração do rali. São sucessivos troços, nunca muito longe da auto-estrada A7 e da sede do concelho. Com os seus 11 km, o troço de Fafe propriamente dito (08.38 e 12.18 horas) tem múltiplos acessos, sendo o local mais frequentado a descida do Confurco perto da aldeia de Várzea Cova, não muito longe de Cabeceiras de Basto. A estrada da vila para Moreira de Rei é fechada desde a véspera para a passagem dos concorrentes que vindos da cumeada e das eólicas, fazem um gancho à esquerda, entram no asfalto e saem deste em novo gancho, agora à direita. É aí que, depois do famoso Salto da Pedra Sentada e da referida descida, os carros chegam, para começarem a subir a caminho do Salto do Pereira e da tomada de tempo.

Aí, tradicionalmente, há legiões de espectadores dos dois lados do troço e um ambiente de estádio de futebol, com cânticos em coro e estranhos concertos de música contemporânea tendo moto-serras e cornetas como instrumentos solistas, fazendo elaborados contrapontos. É claro que em tempo de covid poderá não ser exactamente assim mas a ver vamos.

Pilotos e navegadores estão aqui como um jogador de futebol que tenha a felicidade de jogar em Old Trafford, no Camp Nou ou no Maracanã. É a oportunidade para brilhar à frente do público e, para quem dispute o campeonato mundial, a segunda passagem em Fafe é um “power stage”, ou seja pode dar pontos suplementares. O excesso de entusiasmo também já tem dado traseiradas monumentais, rodas arrancadas ou cambalhotas a seguir aos saltos. Há de tudo, portanto.

Miradouro de Montim

Do ponto de vista da paisagem e dos pontos para ver os carros, deixo uma recomendação especial para o troço anterior, ou seja Montim (passagem única às 07.53 horas) e um alerta: é para quem tenha boas pernas! Deixados os carros junto ao cemitério, é preciso subir uma pista empedrada e muito inclinada e, no final desta, junto às primeiras barreiras que delimitam o troço, atalhar à direita, monte acima, de penedo de granito em penedo de granito, até chegar a um ponto de observação extraordinário, um verdadeiro miradouro sobre o troço.

Ao longe, para norte, as eólicas na cumeada correspondente ao troço da Lameirinha e as nuvens de pó respectivas. Lá em baixo, uma abertura entre o arvoredo que permite ver a aproximação dos concorrentes e depois uma sucessão de curvas que termina com um gancho para a esquerda e uma subida.

Mas, como disse, há uma condição prévia: ter pernas e ter fôlego.