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Automobilismo

Rali de Portugal. Justiça de Fafe foi equilibrada (e premiou Elfyn Evans)

Elfyn Evans (Toyota) vence o rali de Portugal numa jornada onde (quase) tudo correu mal à Hyundai. O público, esse, portou-se à altura

Rui Cardoso

NurPhoto

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Não seria a primeira vez que a ronda de Fafe subvertia a classificação do Rali e quebrava certezas julgadas definitivas. Este ano isso acabou por não acontecer e a tendência traçada desde a véspera e ditada pelo abandono do anterior líder da corrida, o estónio Ott Tanak em Hyundai, no final do longo troço de Amarante, confirmou-se na manhã de domingo.

O piloto galês Elfyn Evans, navegado por Scott Martin, depois de um susto na véspera na super especial da Foz do Douro, jogou, futebolisticamente falando, para o 1-0, não arriscando mas inclusivamente ampliando a vantagem sobre o segundo classificado Dani Sordo em Hyundai que, depois de alguns problemas com o carro na véspera, optou também por gerir a corrida.

Na segunda passagem por Fafe que tinha o estatuto de “power stage” e por consequência dava bonificações para o campeonato do mundo, os dois pilotos da Hyundai afastados da vitória por acidentes e/ou avarias, ou seja Ott Tanak e Thierry Neuville, foram os mais rápidos, averbando alguns pontos extra e, portanto, limitando estragos. Evans jogou à defesa e Sebastien Ogier também em Toyota assegurou o terceiro lugar (resultado importante para o Mundial cuja liderança partilha a partir de agora com Evans), seguido por outro Toyota, o de Takamoto Katsuta que foi uma das revelações desta corrida, o mesmo se podendo dizer do jovem francês Adrien Formaux (em Ford).

Regresso à catedral

MIGUEL RIOPA

Vale sempre a pena insistir no significado do troço de Fafe, verdadeira catedral do Rali de Portugal. É uma classificativa que os amantes dos ralis conhecem de cor. Uma primeira parte relativamente a direito entre eólicas, depois o Salto do Pereira entre penedos (onde foram tiradas as mais conhecidas fotos de carros a voar), uma descida sinuosa em piso de gravilha, a entrada em gancho à esquerda na estrada Moreira de Rei-Cabeceiras de Basto, 80 m de asfalto e gancho à direita a subir (com milhares de pessoas a aplaudir) até à tomada de tempo, precedida por outro salto, o da Pedra Sentada.

Este ano, graças à amável colaboração de alguns bracarenses e valendo-me das aptidões TT da Isuzu D-Max, fui para uma nova zona espectáculo pouco antes do Salto do Pereira, unicamente acessível a pé ou de veículo 4x4. Alem de se ter uma perspectiva de quase todo o troço (à direita o Salto e em frente, do outro lado da serra, a tomada de tempo), via-se a saída de uma curva à direita, uma descida seguida de curva longa à direita onde até os mais lentos pareciam deslocar-se a velocidades supersónicas, seguindo-se o desaparecimento do carro, cuja trajectória a partir dali se conseguia seguir ao longe pelo penacho de pó.

Um regalo para a vista e para a alma, bons ares da serra e uma constatação: a moda deste ano foram as cadeiras dobráveis de lona que formavam um verdadeiro balcão com várias filas nesta e noutras zonas espectáculo. Alguns espectadores tinham equipamentos surpreendentes, como tendas no tejadilho dos jipes, captores solares para fornecer corrente eléctrica e até máquinas para tomar café: um luxo no alto da serra!

O único senão deste lugar é a estreiteza do caminho de acesso, sobretudo quando os mentecaptos e os que chegam à última da hora começam a largar carros nas mais inacreditáveis posições, transformando a chegada e sobretudo a saída numa verdadeira prova de perícia.

Tirando situações como esta, o comportamento do público foi irrepreensível, inclusivamente na vertente ambiental, não se vendo um papel ou uma lata de cerveja fora dos caixotes. Não é apenas na vertente desportiva que este rali é, de facto, o melhor do mundo.