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Automobilismo

O regresso das 24 Horas TT Vila de Fronteira

Depois da paragem forçada devido à covid-19, regressa a Fronteira a mais popular das provas portuguesas de todo-o-terreno, entre sexta-feira (26) e domingo (28). Rui Cardoso, jornalista do Expresso, participou em todas as edições, desde 1997, e vai novamente contar todas as emoções que se sentem ao volante na corrida

Rui Cardoso

O famoso Patrol GR no meio da molhada da partida

XTROD

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Não foram apenas os jogos de futebol e as modalidades amadoras a terem sido afectadas pela pandemia. As 24 Horas TT Vila de Fronteira, que habitualmente tinham tantos espectadores como um jogo de futebol entre equipas grandes, não se puderam realizar em 2020 e só agora regressam. Fazem-no este fim-de-semana mas com algumas diferenças, ditadas sobretudo por razões sanitárias. Haverá restrições à presença e circulação dos espectadores e o controlo de vacinas, testes, etc, será muito apertado. O próprio traçado da pista terá alterações ainda que de pouca monta no habitual perímetro de 16 km.

Esta quinta-feira decorreram as verificações administrativas e técnicas e sexta-feira realizar-se-ão os treinos que determinarão a formação da grelha de partida (filas de três participantes cada, largando quando acender o semáforo verde).

Um dos aspectos que mais salta à vista é a diminuição do número de inscritos: numa pista onde chegaram a andar mais de 90 carros haverá 69 e destes quase um terço corresponderá a equipas francesas, a maior parte das quais utilizando protótipos especialmente construídos para este tipo de provas de resistência, ou seja, muito leves mas com potências que podem aproximar-se dos 300 cavalos. É o caso da equipa luso-francesa de Mário Andrade, sete vezes vencedora da prova. Depois, há carros mais próximos dos jipes e pick-ups que vemos todos os dias nas estradas e até carros de tracção às duas rodas, incluindo uma famosa pick-up Peugeot 504 que já se tornou lendária nesta prova.

Haverá, como noutros anos, uma equipa integralmente feminina (Carla Gameiro, Cristela Marto, Sílvia Reis e Chantel Neto) e uma outra conduzindo um veículo adaptado a pessoas com limitações de mobilidade que inclui Telmo Pinão, André Venda e João Luz (ex-navegador de Carlos Sousa vítima de um grave acidente no Dakar em 2000).

Duas provas numa

No sábado, entre as oito horas e o meio-dia, haverá, à semelhança dos anos anteriores, uma prova de quatro horas para SSV (buggies) que conta com 33 participantes, à qual se seguirá, duas horas depois, a largada para as 24 Horas.

Assim se anda de noite, até deslizando sobre a água

Assim se anda de noite, até deslizando sobre a água

Paulo Maria/ACP Motrosport

Na corrida principal que começa às 14 horas de sábado e terminará à mesma hora de domingo, cada equipa terá de três a quatro pilotos que se irão revezando ao volante a cada duas ou três horas. Tirando os intervalos para reabastecimento ou manutenção, a ideia é rodar sempre e procurar fazer o máximo de voltas, mas gerindo o material e tendo em conta que se trata de uma corrida de resistência e não de uma prova de duas horas como na Fórmula 1. Consoante as circunstâncias, a equipa vencedora fará de 90 a 120 voltas.

Traçado variado

Vejamos como é o percurso. A reta da meta situa-se junto à zona industrial de Fronteira e termina numa curva de 180º à esquerda. Chega-se lá bastante embalado mas convém contar com uma cratera funda que, à medida que as horas passam, se vai abrindo sensivelmente no eixo da curva. Segue-se a descida para um pequeno troço de asfalto que termina numa passagem de nível do antigo ramal de Portalegre. Segue-se uma longa subida e, como tudo o que sobe desce, uma descida muita rápida que termina com uma curva larga à esquerda. Passa-se a primeira ribeira (uma vala) e entra-se numa zona rápida com uma série de lombas que descerá para cruzar pela primeira vez o Rio Grande. Sobe-se para outra passagem de nível, roda-se num planalto e volta-se a descer para o Rio Grande. Novo sobe e desce, última vala com água e subida longa para a reta da meta. Dito assim parece fácil mas com o passar das horas e a degradação do piso tem que se lhe diga, sobretudo, se chover ou estiver nevoeiro.

Disto mesmo vos falarei na sucessão de crónicas que, tal como nos anos anteriores, irei publicando na Tribuna, dando conta das emoções da corrida vistas ao volante por alguém que alinhou em todas as edições desta prova, ou seja desde 1997. Se vir passar um Nissan Patrol GR com o número 23 estarei lá dentro, eu próprio ou algum dos meus dois companheiros de equipa: Armando Coelho e João Santos.