Tribuna Expresso

Perfil

Diogo Pombo

Diogo Pombo

Jornalista

Começou longe do desporto, no Sol e no I, até ajudar a fundar o Observador, onde o deixaram entrar a pés juntos nestes campos. Está sempre de olho no futebol e em tudo o que tem uma bola à mistura, para escrever sobre isso. Quando não pode, tenta estar a jogar qualquer coisa. Ou ver outros a fazerem história, jogando, como no Europeu de 2016, quando andou por França atrás da seleção. Pouco depois, chegou ao Expresso.

  • O risco de jogar apenas o suficiente

    Benfica

    O que o Benfica tinha sido em Lisboa foi-o ainda mais em Istambul: no critério, nos jogadores, na equipa, com e sem bola, enfim, em quase tudo superior ao Fenerbahçe. Empatou (1-1) e segue para um play-off de acesso à Liga dos Campeões com os gregos do PAOK, mas, a certa altura, preferiu jogar só o quanto bastasse (à exceção do miúdo Gedson Fernandes), para a lentidão, a previsibilidade e os chutos para a frente fazerem parecer que o nível dos turcos era semelhante ao dos encarnados

  • O ouro no salto com vara é adolescente e alto como um prédio de quase dois andares

    Modalidades

    Armand Duplantis é o adolescente que nasceu e vive nos EUA, compete pela Suécia e ascendeu aos 6,05 metros no salto com vara (mais alto do que o último ouro olímpico), no domingo, para ser campeão Europeu. Dele dizem ser uma enciclopédia da modalidade, que tem nas paredes do quarto pósters da lenda a quem agora ganha. Com 7 anos, ainda saltava descalço enquanto batia as marcas mundiais da sua faixa etária e treinava na pista que os pais lhe montaram no quintal

  • Disfarçar as coisas pela intensidade chegou, mas não vai chegar sempre

    Benfica

    O Benfica ganhou 1-0 ao Fenerbahçe, o que é bom porque fica em melhor posição para seguir rumo ao play-off decisivo da Liga dos Campeões. Mas o Benfica, com bola, continua a ser previsível, linear, com muito pouco jogo interior e sem gente a posicionar-se dentro do bloco adversário, carências que remediou na segunda parte com um aumento na intensidade, agressividade e velocidade de fazer as coisas. Foi o suficiente, desta vez, para encostar um adversário passivo

  • O sorriso de Santi Cazorla

    Futebol internacional

    O talentoso e ambidestro espanhol que perdeu oito centímetros de tendão de Aquiles, teve de transplantar pele do antebraço para o tornozelo e esteve quase dois anos sem aparecer num campo de futebol, agora sim, está mesmo de volta. Cumprida a pré-época de teste com o Villarreal, o clube anunciou que assinou um contrato com Santi Cazorla, a quem um médico chegou a dizer que deveria contentar-se se, algum dia, voltasse a caminhar ao lado do filho

  • O futebol não é atletismo, mas Usain Bolt dir-te-á o contrário

    Futebol internacional

    O recordista dos 100 metros e, há muito, conhecido e publicitado como o homem mais rápido de sempre, retirou-se do atletismo em 2017 e anda, desde então, a tentar ser futebolista. O facto de ser quem é e de ter o patrocínio da Puma já o deixou treinar em três equipas profissionais, mas, agora, um clube da Austrália (não vestido por essa marca desportiva) estará supostamente interessado em ter Usain Bolt durante seis semanas, à experiência

  • Goleiro gato, o guarda-redes mais caro de sempre

    Futebol internacional

    O Liverpool pagou 75 milhões de euros à AS Roma para ter o defensor de balizas a quem os brasileiros gabam o lado estético e discutem o que se passa com a sua cara. Alisson Becker é o titular da seleção do Brasil e custou mais 20 milhões do que a quantia que a Juventus pagou por Buffon, há 17 anos. De repente, o mesmo país fica com duas das três transferências de guarda-redes mais caras de sempre e, de longe, com o mais caro do mundo

  • Rakitic, o craque suíço que só um craque croata maior ofusca

    Mundial 2018

    Ivan Rakitic é um croata que chegou a jogar contra a Croácia e, um dia, fez o pai chorar com uma escolha. É um médio constante na simplicidade brilhante com que joga futebol e com nervos de aço, por ter sido o primeiro jogador a bater o decisivo pontapé em dois desempates por penáltis seguidos, num Mundial. E por se comportar no campo como um relógio suíço (o que é mais do que um lugar-comum). Esta é a história do médio que não leva em cheio com a luz dos holofotes por culpa do único médio que está Rússia, lhe é superior e, por sinal, joga ao seu lado

  • Não tiveram piedade do velho e humano Roger

    Ténis

    Ao fim de quatro horas e treze minutos de ténis e de um quinto set que foi até ao 13º jogo, o serviço e as direitas estrondosas de Kevin Anderson eliminaram Roger Federer (2-6 6-7 (5-7) 7-5 6-4 13-11) nos quartos-de-final de Wimbledon, o torneio que já era vulgar esperar que vença, ou chegue sempre à final. Quando e se lá regressar, o suíço que tem oito títulos na relva inglesa já terá 37 anos

  • Os ingleses não sabiam o quão bons podiam ser, até Gareth Southgate aparecer

    Mundial 2018

    Os mesmos ingleses que desdenharam a figura do antigo defesa central que falhou aquele penálti, em 1996, são os que já veneram o treinador que superou o trauma, se adorna de grava e colete e fala, ponderada e honestamente, em público. Gareth Southgate é o selecionador que deu à Inglaterra uma forma de jogar concreta e uma maneira de fazer as coisas adequada aos jogadores que tem para, finalmente, se justificar a patológica histeria, expetativa e auto bajulação coletiva de um país que, 28 anos depois, está nas meias-finais do Mundial (Inglaterra-Croácia, 19h, RTP1) e, finalmente, tem razões para acreditar que o futebol pode "voltar para casa"

  • A Mbappélização do futebol francês

    Mundial 2018

    Exatos dois anos após perder a final que bem sabemos, a França garantiu a sua terceira final de um Mundial, todas nos últimos 20 anos. Os gauleses foram impenetráveis contra a Bélgica (1-0) enquanto, sobretudo na segunda parte, atacaram rapida e explosivamente à boleia de um tal Kylian Mbappé, que só tem 19 anos, pode ainda não ser muito constante, mas já personificou o que de mais espetacular vimos neste Campeonato do Mundo