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Um ataque muito forte, o menino que é o médio com mais talento e um problema semi-resolvido na baliza: eis o novo Benfica

É preciso saber como estão os principais candidatos ao título e, depois de termos analisado o FC Porto e o Sporting, vamos agora ao Benfica: o vice-campeão deu profundidade ao plantel mas continua com alguns problemas sérios

Tiago Teixeira (analista de futebol)

Carlos Rodrigues

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À imagem do que sucede no FC Porto, também o novo Benfica será muito parecido ao da época anterior, uma vez que o treinador continua a ser Rui Vitória e não é de esperar que altere muito as dinâmicas que já vêm de épocas anteriores.

Rui Vitória tem aproveitado a pré-época para trabalhar dois sistemas: o 4-3-3 e o 4-4-2, como se pôde ver nos jogos contra o Setúbal (1-1) e Sevilha (vitória por 1-0). Não é certo qual o sistema com que o Benfica vai iniciar a época, embora o mais provável é que o treinador encarnado opte pelo 4-3-3 nos jogos contra o Fenerbahçe na 3ª ronda de qualificação da Champions, de modo a fortalecer o sector intermédio.

Seja qual for o sistema de jogo escolhido, a ideia base mantém-se a mesma da época anterior: um futebol de posse, com uma construção apoiada desde zonas recuadas até às zonas de criação. Porém, a diferença de posicionamentos de um sistema para outro leva a comportamentos diferentes.

No 4-3-3, a imagem de marca do Benfica são as triangulações nos corredores laterais, entre o lateral, médio interior e extremo. Foi assim que durante grande parte da época passada conseguiu entrar em zonas de criação, com Grimaldo, Cervi e Zivkovic a penetrarem na organização defensiva adversária através de combinações curtas e de muita mobilidade.

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Caso o sistema de jogo seja o 4-4-2, Jonas será o maior destaque em termos ofensivos através do seu posicionamento no espaço entre a linha defensiva e a linha média adversária.

É nessa zona que os lances de maior criatividade podem surgir, uma vez que as triangulações pelos corredores laterais não acontecem com tanta frequência como no 4-3-3.

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No momento defensivo, e tendo em conta principalmente o jogo contra o Sevilha, o Benfica tem de melhorar muito o controlo da profundidade por parte da linha defensiva, de modo a não ser surpreendido com bolas nas costas dos defesas. Foram vários os momentos em que os defesas do Benfica não perceberam quando tinham de recuar e apenas por demérito dos jogadores do Sevilha os lances não terminaram em ocasiões de golo.

Com a eliminatória da Liga dos Campeões no horizonte, o Benfica conseguiu ter o plantel praticamente fechado no início da pré-época, faltando apenas limar algumas arestas, principalmente no que diz respeito às saídas.

Baliza: mais qualidade mas ainda não é a qualidade suficiente

Joe Sargent/International Champions Cup

Foi, durante a época anterior, um dos grandes problemas do Benfica. Nem Bruno Varela nem Svilar deram a tranquilidade necessária à baliza encarnada e por isso foi contratado (assinou em janeiro, mas só agora fará parte do plantel) Odysseas Vlachodimos ao Panathinaikos, da Grécia.

A amostra ainda é demasiado curta para uma avaliação aprofundada, mas para já a ideia que fica é que, apesar de nesta fase dar mais garantias do que Bruno Varela e Svilar, Vlachodimos está longe da qualidade que o Benfica estava habituado a ter na baliza, uma vez que contou com Oblak, Júlio César e Ederson num passado recente.

Defesa: muito mais soluções mas provavelmente os mesmos titulares

André Almeida, Jardel, Rúben Dias e Grimaldo. Deverá ser este quarteto o defensivo titular pelo menos numa fase inicial da época. São os que melhor conhecem as ideias de Rui Vitória para o momento defensivo (há Luisão mas as pernas já não acompanham o cérebro..) e por isso os que dão mais garantias no imediato.

Para segundas opções no eixo central foram contratados dois argentinos: Conti (24 anos) ao Colón e Lema (28 anos) ao Belgrano, e apesar de ambos terem de evoluir do ponto de vista defensivo (fraco controlo da profundidade), Conti parte claramente à frente de Lemar como opção à dupla de centrais titular, uma vez que demonstra mais competência no momento defensivo e qualidade com bola na construção. Lisandro López está, ao que tudo indica, de saída do Benfica, e Luisão fecha o lote de centrais ao serviço de Rui Vitória.

Nos corredores laterais, o nigeriano Tyronne Ebuehi (22 anos), contratado aos holandeses ADO Den Haag, e Yuri Ribeiro, que regressou à casa mãe depois do empréstimo ao Rio Ave, são as alternativas a André Almeida e Grimaldo, sendo que a qualidade do primeiro ainda é uma incógnita, uma vez que veio de uma divisão inferior e pouco jogou nos jogos amigáveis já disputados.

Meio-campo: um menino pleno de talento

João Félix

João Félix

Carlos Rodrigues

Do meio-campo para a frente há quantidade e qualidade em todos os sectores. Na posição de médio defensivo, Fejsa surge como titular indiscutível, sendo o jogador chave na transição defensiva do SL Benfica. Alfa Semedo (20 anos), contratado ao Moreirense, e Samaris são as alternativas, sendo que nenhum deles oferece as mesmas garantias que o sérvio.

Mais à frente, na posição de médio centro, Pizzi surge como o principal titular, uma vez que Rui Vitória vê nele um médio capaz de jogar tanto no 4-4-2 como no 4-3-3. Krovinovic (que ainda recupera de lesão), Gedson – médio que está agora a dar os primeiros passos no plantel principal e tem deixado boas indicações -, Zivkovic (muito utilizado como interior esquerdo na época passada) e João Félix – médio mais talentoso do plantel do Benfica – são as principais soluções ao dispor de Rui Vitória para o sector intermédio. Há ainda Keaton Parks, que deverá sair por empréstimo, e não está posta de parte a possibilidade de o SL Benfica contratar outro médio.

Ataque: provavelmente o setor mais forte

Como principais desequilibradores nos corredores laterais, Rui Vitória tem ao seu dispor os extremos Cervi, Sálvio, Rafa e Zivkovic (pode ser utilizado a médio interior ou extremo), quatro jogadores muito fortes tecnicamente e com capacidade de desequilibrar em condução e/ou em combinações com o respetivo lateral. Há ainda Pizzi e João Félix, que também podem jogar nos corredores laterais.

Com as contratações de Nicolás Castillo (25 anos) aos mexicanos do Pumas e de Facundo Ferreyra (27 anos), que terminou o contrato que o ligava aos ucranianos do Shakhtar, o SL Benfica garantiu muita presença física e qualidade em zonas de finalização, o que a juntar a Jonas – além da qualidade a finalizar constrói e cria como ninguém - torna o ataque encarnado muito forte. Há ainda Seferovic, que deverá sair por empréstimo ou mesmo em definitivo.