Tribuna Expresso

Perfil

Benfica

Diga quarenta e três

O Benfica até começou a perder em Salónica mas deu a volta ao jogo e saiu do estádio do PAOK com uma vitória por 4-1. Está na fase de grupos da Liga dos Campeões e, não menos importante, enche os cofres com 43 milhões de euros. Quinta-feira à tarde há sorteio

Lídia Paralta Gomes

SOTIRIS BARBAROUSIS/EPA

Partilhar

Antes do Benfica viajar até Salónica falou-se mais de dinheiro do que de prestígio. O futebol moderno é assim, mais do que a glória que é jogar uma fase de grupos da Liga dos Campeões, é essencial ter muitos milhões em caixa. Na verdade, tudo isto é uma pescadinha de rabo na boca: sem dinheiro há vendas, sem dinheiro não há investimento e sem investimento talvez não haja sequer condições para se jogar uma Liga dos Campeões.

Nas palavras sábias de quem se gere pelo pragmatismo: é o que é.

E por isso a vitória do Benfica em casa do PAOK por 4-1 vale um lugar no sorteio de quinta-feira para a fase de grupos da Champions, mas também o suculento prémio de entrada na prova, no valor de 43 milhões de euros. Um saco de dinheiro que pode muito bem, desde já, livrar o Benfica de vender qualquer jogador até sexta-feira.

Uma realidade que até aos 20 minutos de jogo parecia complicada. Porque precisamente até ao minuto 20 tudo estava a desfavor do Benfica, que entrou mal, muito mal, muito nervoso e desorganizado e viu o PAOK descortinar pelo três jogadas de perigo antes de, efetivamente, se colocar em vantagem. Foi aos 13’, numa jogada estudada na sequência de um livre, que apanhou completamente desprevenida a defesa do Benfica. Em vez de lançar para a área, Vieirinha deu para Maurício entre a defesa do Benfica. O brasileiro só teve de deixar para Prijovic e Prijovic só teve de encostar.

Por esta altura a coisa estava em modo tragédia grega. O Benfica já tinha começado atrás no marcador, após o 1-1 na Luz, e mais atrás ficou, sem com isso conseguir reagir. Só que ao tal minuto 20 chegou um presente dos deuses: a um canto de Pizzi, Jardel respondeu com uma portentosa cabeçada que só terminou no fundo das redes.

SOTIRIS BARBAROUSIS/EPA

É difícil defender que o empate do Benfica tenha sido justo, mas depois do golo de Jardel, contra a corrente de jogo e numa altura em que os encarnados passavam grandes dificuldades para suster o PAOK, a equipa de Rui Vitória ficou finalmente tranquila. E tornou-se na equipa que não havia conseguido ser em Lisboa: eficaz, letal, a marcar nos momentos certos.

Bem, e também a aproveitar a azelhice adversária.

Seis minutos após o empate, com o Benfica ainda apenas a treinar aquilo que podemos chamar de “controlo de jogo”, o PAOK resolveu facilitar tal empreitada aos encarnados, num lance bizarro e que deverá acompanhar os pesadelos do guardião Paschalakis nas próximas noites. Ao tentar que um alívio arriscado de Leo Matos não terminasse em canto, o guarda-redes grego, num esforço que viria a revelar-se inglório, correu para apanhar a bola. Nesse movimento, deixou-a fugir. Cervi, que estava pelas redondezas, aproveitou o 1.º presente e quando já estava com a bola, mas em queda, recebeu o presente número 2 de Paschalakis que derrubou de forma imprudente o argentino.

Grande penalidade, Salvio na marca dos 11 metros, Paschalakis para um lado, bola (que ainda teve um encontro imediato do 3.º grau com a parte interior do poste) para outro. Golo do Benfica, vantagem no marcador e na eliminatória. Com alguma sorte, é certo, mas o Benfica fez por merecê-la.

A partir daí, sim, tudo ficou encaminhado para uma noite tranquila no inferno que é o Toumba de Salónica. Tudo ficou encaminhado para o Benfica dizer quarenta e três.

Porque à tranquilidade que se apoderou do Benfica a partir desse momento, juntou-se o nervosismo dos jogadores do PAOK, que no espaço de pouco mais de 20 minutos viram a eliminatória fazer uma guinada na direção contrária. Começaram então os maus passes, as jogadas sem organização, apesar de Leo Matos até ter tido na cabeça a possibilidade de empatar o jogo aos 35 minutos. O cabeceamento à queima-roupa esbarrou na atenção de Vlachodimos.

SOTIRIS BARBAROUSIS/EPA

E se o PAOK desperdiçou, o Benfica matou. Definitivamente e numa belíssima jogada. Aos 39 minutos, Grimaldo saiu pela esquerda e foi tabelando com Cervi até o argentino cruzar para Pizzi, abandonado na marca de penálti. Aí, o comandante agora goleador rematou rasteiro, mas colocado, fora do alcance de Paschalakis.

A 2.ª parte serviu para baixar o ritmo sem com isso perder o controlo, coisa que o Benfica tem tido dificuldade em fazer esta época. Ajudou mais um golo, logo a abrir a 2.ª parte, numa grande penalidade a castigar um agarrão de Varela a Jardel na área. Mais uma vez Salvio em frente a Paschalakis e mais uma vez vantagem para o argentino.

Com 4-1 não havia muito a fazer para o PAOK, que tentou, pelo menos, mitigar a derrota pesada. Prijovic ainda cabeceou à barra aos 51’, numa falha de marcação da defesa do Benfica que não foi exatamente filha única ao longo do jogo. A última oportunidade chegou já perto dos 90’, com Vlachodimos a defender bem um remate de Shakhov.

Pouco depois, apito final, um respirar de alívio. Os cofres estão cheios, ouvir-se-à o hino da Champions no Estádio da Luz. Em suma, uma quarta-feira que começou com um susto mas acabou por ser bem passada na Grécia.