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Luís Filipe Vieira, os emails e a justiça: "Queremos acreditar que toda a tramóia, montada por aquela aliança, será posta a nu"

O "Record" revelou partes do discurso de Luís Filipe Vieira na abertura da Assembleia Geral ordinária do Benfica, que se realizou esta sexta-feira na Luz. Nele, o presidente dos encarnados deixou muitos recados e muitas críticas aos rivais. Revelou ainda o porquê de ter mudado de ideias sobre "a pequena loucura" que esteve para fazer quando vários jogadores do Sporting abandonaram o clube alegando justa causa

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Miguel A. Lopes

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A Assembleia-Geral ordinária do Benfica que se realizou esta sexta-feira no Pavilhão 2 da Luz ficou marcada por um discurso de abertura de Luís Filipe Vieira cheio de recados e disparos em diversas direções.

Em declarações reproduzidas pelo diário “Record”, o presidente do Benfica falou da justiça, daquilo que considera uma perseguição ao Benfica e da “loucura” que havia deixado no ar quando vários jogadores do Sporting estiveram no radar da Luz, ideia que diz ter posteriormente abandonado.

Aqui ficam algumas das frases de Luís Filipe Vieira, numa assembleia em que os sócios aprovaram com mais de 70% de votos a favor o Relatório e Contas do último exercício.

Os mails

“Hoje sabemos quem esteve por trás do roubo da nossa correspondência privada e quem a andou a exibir. E, continuando a confiar na justiça, queremos acreditar que toda a tramóia, montada por aquela aliança, será posta a nu e os seus responsáveis, atuais ou passados, devidamente punidos. Este é o tempo da justiça. Não apenas para o Benfica, mas para todos. E quem tiver de cair, que caia”

“Limpemos o futebol daquilo que ele não precisa: Lama, difamação e descrédito. Limpemos o futebol de mais campanhas negras como única forma de esconder descalabros financeiros e desportivos. Limpemos o futebol das velhas práticas de ameaças e pressões sobre tudo e todos, para condicionar quem está dentro do campo"

O suposto domínio do Benfica nas estruturas do futebol

“Tentaram criar a imagem falsa de que o Benfica dominava todas as estruturas do futebol português. Mas dominamos quem? A Federação ou seu Conselho de Disciplina que nos castigam por incidentes num jogo no António da Mota do Estoril e deixam passar impune a invasão de campo nesse mesmo estádio por um dos nossos adversários? Ou será a Liga e o seu Comité de Instrutores, cuja Direção foi eleita com o voto contra do Benfica? Serão os árbitros, cujo condicionamento teve o seu ponto mais alto na invasão do Centro de Treinos na Maia? Será o Conselho de Arbitragem cujos critérios de nomeação nos parecem pouco sensatos?"

“Só falta concluírem que dominamos a tecnologia do VAR, mas até nesse ponto se enganam porque já se percebeu que esta tecnologia também parece ter vontade própria ao avariar-se em circunstâncias atípicas. O sentimento que tenho é que temos que jogar o triplo dos outros para ganhar. Mas se for essa a exigência, estaremos à altura do desafio”

As claques. Ou melhor, os grupos organizados de sócios

“Não aceitamos este estigma que estão a criar sobre o registo de claques ou como prefiro dizer, grupos organizados de sócios. Nós no Benfica, estamos certos da nossa razão. Temos grupos organizados de sócios, todos devidamente inscritos e com Red Pass no nosso Estádio, com quotas em dia e que pagam os seus bilhetes para os jogos fora. Não temos pretensas claques ditas legalizadas. Em que verificamos que só uma percentagem ínfima está registada e muitos deles nem sócios são dos seus clubes. Se pretendemos melhorar a lei, façamo-lo de forma constitucional”

“E de acordo com um princípio fundamental de que é preferível grupos de sócios livremente organizados, do que ditas claques legais desorganizadas. Ou será que essa legalização impediu arremessos de tochas sobre os seus atletas, invasões de centros de treino ou ameaças a árbitros? Não brinquem connosco!”

A “loucura” que abandonou

"Outro tema, em que tenho também, o dever de vos dar uma explicação, é sobre uma "pequena loucura" que pensei cometer há 3 meses. Loucura que abandonei. A explicação é simples. O contexto mudou entre o dia da última Assembleia Geral e o fecho do mercado. Quem, ali do outro lado, tinha definido o ataque ao Benfica como principal instrumento da sua promoção individual, foi corrido pelos que achava serem seus. Entendi por isso, que face à mudança de circunstâncias, e porque no Benfica não nos afirmamos pelo ódio aos nossos adversários, decidir alterar a minha vontade. Espero que este gesto seja o princípio de uma regularização da vivência institucional que deve caracterizar os maiores clubes nacionais"