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Uma final four pírrica

O Benfica está na fase final da Taça da Liga, após mais uma exibição anémica, que valeu um empate (1-1) na Vila das Aves, onde a equipa da casa foi quase sempre melhor. Depois da vitória imperial frente ao Sp. Braga, os encarnados interromperam o ciclo de sete vitórias seguidas, mas seguem em frente na competição

Lídia Paralta Gomes

OCTÁVIO PASSOS/LUSA

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Não há grandes estratégias de psicologia para manter o Benfica na senda da retoma. Disse-o Rui Vitória, naquele registo episcopal, de quem parece resolver tudo com duas ou três palavras, dias depois do Benfica terraplanar o candidato Sp. Braga, deixando os adeptos encarnados esperançados que a tal retoma se fizesse finalmente acompanhar por boas exibições.

Acontece que, com ou sem estratégias de psicologia, a exibição do último fim de semana ficou lá. No último fim de semana, precisamente. Porque frente ao Aves, no jogo que resolveria a questão da final four para o Benfica, os encarnados voltaram a entrar na anemia que tem caracterizado os últimos tempos, que têm sido de vitórias, é certo, mas todas elas meio pálidas, sem cor ou vida, mais em esforço do que em beleza.

Na Vila das Aves, o Benfica nem ganhou, empatou 1-1, interrompendo assim uma série de sete vitórias consecutivas, mas na prática vai dar ao mesmo: um empate era o suficiente para a equipa de Rui Vitória seguir para a final four da Taça da Liga e assim aconteceu, mas não sem um sofrimento inesperado, perante uma equipa da casa que foi quase sempre melhor, teve muito mais oportunidades e só não ganhou por manifesta falta de eficácia.

E por isso é certo que, no que a objetivos diz respeito, o Benfica ganhou, mas esta final four tem um sabor a Pirro: por muito que os encarnados continuem nas quatro frentes, este jogo é capaz de ter deixado de novo os adeptos do Benfica numa espécie de depressão pós-festas, depois de terem passado um Natal de peito cheio, a contas com a vitória imperial por 6-2 frente ao Sp. Braga. Uma lua de mel rapidamente transformada em lua de fel.

OCTÁVIO PASSOS/LUSA

Porque, a bem da verdade, o golo com que Seferovic empatou o jogo, aos 70 minutos, após uma jogada de insistência de Zivkovic (que durante muito tempo pareceu o único jogador do Benfica em campo), surgiu numa das duas oportunidades que os encarnados construíram ao longo de 90 arrastados minutos - a primeira apareceu logo aos 4 minutos, com Rúben Dias, num remate meio acrobático ao primeiro poste, a testar a atenção do francês Quentin Beunardeau.

De resto, o jogo foi quase sempre do Aves, bem a pressionar, rápido a partir para o ataque, com elementos muito móveis lá à frente, sempre prontos a deixar os defesas do Benfica em maus lençóis. Na 1.ª parte, Derley, antigo jogador das águias, quase marcava aos 7’, numa boa jogada pela esquerda, que culminou com um cruzamento afastado de Amilton, ao qual o brasileiro respondeu com um remate que foi languidamente afastando-se do poste da baliza de Svilar que, nesta altura do campeonato, já só conseguia seguir a bola com os olhos.

Nova oportunidade para os da casa aos 9’, com Mama Baldé embalado pela direita após um mau passe de Jardel. O cruzamento perigoso é que não encontrou destinatário.

Depois de um arranque efervescente, a 1.ª parte foi-se arrastando nos pesados minutos que a noite de sexta-feira ia contando: só a cinco minutos do apito para intervalo voltou a haver perigo e de novo para o Aves. Amilton passou por Rúben Dias com um toque esperto de cabeça e depois, em vez que deixar para Derley, que se plantava em frente à baliza, quis fazer daquele golo seu: rematou às malhas, sem glória.

OCTÁVIO PASSOS/LUSA

Com a 2.ª parte veio o golo que a equipa de José Mota ia fazendo por merecer, ajudado ainda assim pelo desacerto do Benfica, em mais um dia de exibição de cor beige (porque o cinzento, diga-se, tem muitos mais tons). Aos 49’, Rúben Dias tentou iniciar uma jogada de trás, mas em vez disso ofereceu a bola ao Aves, que seguiu para o contra-ataque. Na direita, Rodrigo cruzou e lá no alto surgiu a cabeça de Mama Baldé, que se antecipou a André Almeida e rematou certeiro para a baliza de Svilar.

E, de repente, o Benfica estava com um pézinho fora da Taça da Liga.

Até porque a reação não foi boa, apesar de Rui Vitória ter chamado logo Jonas a jogo. Mama Baldé esteve quase, quase a bisar aos 58’, numa jogada em que se antecipou a Rúben Dias, mas rematou para fora. E aos 63, Amilton, de novo garganeiro, voltou a rematar à baliza quando tinha colegas mais bem colocados para marcar.

E, nestas coisas, já se sabe como é: se não matas, podes sempre morrer. E morreu o Aves, no tal golo de Seferovic, o suíço que andou meio desaparecido durante todo o jogo, mas fez o que era preciso naquele momento: recebeu o passe de Zivkovic, controlou com o peito e rematou para o fundo da baliza do Aves.

A partir daí, o Benfica foi obrigado a suster um Aves que chegava com relativa facilidade à baliza de Svilar, mas nunca com grande frescura para marcar. Quando o apito final soou, não houve vivalma que se manifestasse nas bancadas do Estádio do Clube Desportivo das Aves. Uns porque a sua equipa estava eliminada e outros, talvez, porque voltaram a cair na realidade: que o jogo frente ao Braga pode muito bem ter sido apenas uma andorinha. E uma andorinha não faz a primavera.