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“Saída de Vitória não abala a marca, mas regresso de Jesus seria um erro, uma jogada perigosa”

Após uma época e meia de insucessos do clube da Luz, a mudança de treinador é analisada por Daniel Sá, diretor do IPAM, como um cenário normal no futebol e sem danos de imagem no mercado. Eventual retorno de Jorge Jesus seria desastroso para a estratégia do Benfica ao colocar em causa o rumo traçado por Luís Filipe Vieira, de aposta na formação

Isabel Paulo

Jorge Jesus e Rui Vitória

PATRICIA DE MELO MOREIRA

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Desgastada por falta de resultados e pelo ruído de casos judiciais, a marca Benfica "não sofrerá danos de relevo com a saída do treinador que há muito divide os adeptos".

Segundo o diretor do Instituto Português de Administração e Marketing (IPAM), apesar de Rui Vitória ter sido um técnico emblemático nos primeiroa dois anos em que conduziu a equipa encarnada, o facto de os resultados terem desaparecido faz do despedimento de Rui Vitória um acontecimento "normal". "É um abalo momentâneo. Todos os treinadores vivem de resultados, por isso a mudança no banco não é relevante para o clube enquanto marca", diz Daniel Sá.

Embora reconheça que Vitória era uma das principais caras do clube depois do "enorme sucesso desportivo e financeiro" que deu ao Benfica nas duas primeiras épocas na Luz, o diretor do IPAM defende que o risco maior para a imagem do Benfica não é a saída do treinador cessante mas o perfil de quem vier a seguir.

A título de exemplo, Daniel Sá aponta o caso de Marcel Keizer, que bastou chegar e vencer para fazer esquecer toda a turbulência em Alvalade. "No setor que vive de paixões, passa-se da depressão à euforia muito rapidamente", refere.

A grande questão em termos de marca é a do treinador que se segue, sustentando o especialista em marketing que o eventual regresso de Jorge Jesus, "um técnico imediatista", seria "um erro" porque obrigaria Luís Filipe Vieira a voltar com a palavra atrás na estratégia de aposta em jogadores formados no Seixal.

Embora tenha deixado no clube o selo de treinador ganhador e "até fosse bem aceite junto de boa parte dos associados", para Daniel Sá a aposta em Jesus será uma jogada "perigosa para o clube" por obrigar Luís Filipe Vieira a colocar em causa todo o seu programa, "o que desacreditaria a estratégia do Benfica junto do mercado".

Daniel Sá lembra que foi o próprio presidente que justificou junto dos associados a saída do técnico bicampeão nacional pela necessidade de mudança de estratégia do maior clube português, que passava pela contratação de um treinador menos imediatista e que privilegiasse a formação. "Toda a gente sabe que não é esse o perfil de Jorge Jesus", remata Sá.