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Rui Vitória: "Não sou candeeiro de rua"

Antigo treinador do Benfica falou do futuro e do passado numa entrevista à TVI. O técnico admite que nesta temporada se sentiu por vezes sozinho, não apoiado pela direção e que todos os casos em que o clube se viu envolvido fizeram o Benfica desfocar-se do essencial: a proteção aos jogadores, à equipa principal e ao treinador, erros que, espera, não venham a ser cometidos com Bruno Lage

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Dmitri Lovetsky

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Contrato com o Al-Nassr

"Fizemos contrato para ano e meio com mais dois de opção. Quero começar sem estar agarrado a nada, se acharmos que devemos continuar continuamos. A ideia é implementar as nossas ideias. O que me cativou foi a persistência, a insistência. Há muito trabalho pela frente mas queremos marcar a posição"

Jesus

"Não falei com Jesus, nesta altura foi pouco importante. A decisão foi minha, uma boa proposta, algo bom para seguir a minha carreira. A rivalidade não contou nada, se tivermos de nos encontrar encontramo-nos"

Saída do Benfica

"Em relação ao Benfica correu muita coisa bem, houve aspectos menos positivos, mas outros muitos positivos. Aquilo que fizemos a mim deixou-me um grande orgulho, também deixamos os benfiquistas orgulhosos. Tentámos levar este barco a bom porto, houve vontade das duas partes para continuar, mas na parte final havia um grande desgaste. Não era particularmente com ninguém, era generalizado. Já tinha falado anteriormente com o presidente e agora chegámos a esta decisão. Coloquei o lugar à disposição, tive a preocupação de deixar o presidente à vontade. Houve um entendimento de terminar o ciclo, seguirmos outros caminhos, tanto eu como o Benfica. Naquele momento entendemos que era a melhor solução e efetivamente acho que foi"

Apoio do Benfica?

"Apoiado sim, mais no início, nesta fase final nem tanto. Em determinados momentos houve uma maior influencia do exterior e eu senti-me mais sozinho. Às vezes tinha de estar em conferências de imprensa a responder a coisas que nada tinham que ver com a equipa. Tinha de estar a responder a aspectos que não tinha de responder. Em determinados momentos eu era a cara do Benfica, que tinha de dar respostas àquilo que ia surgindo. Mas a minha preocupação foi sempre ser o comandante de uma equipa, independentemente do que surgia à volta. Havia menos sentido de união e isso é importante para um treinador. Eu sempre tive a preocupação em passar uma mensagem com elevação e isso não agrada a toda a gente. O treinado de um clube destes deve ser protegido"

Críticas à qualidade de jogo

"Não tenho essa convicção, porque os dados que tinha eram completamente diferentes. O Benfica era a equipa que tinha mais golos marcados, marcávamos muitos golos e a jogar em 4x3x3. Houve um desgaste e hoje em dia vivemos de emoções, o benfiquista habituou-se a ganhar e tem menos tolerância e qualquer percalço não é bem entendido"

Magoado com o Benfica?

"Não saí magoado com o Benfica, em alguns momentos sim porque devia ter havido tolerância com o que foi feito. Tivemos uma preocupação em fazer sempre bem aquilo que tínhamos de fazer. Mas o nosso nome vai ficar marcado pelos títulos, pela mudança de paradigma, pela valorização de jogadores da formação, pelo que se deixa para o futuro. O tempo irá dar razão a isso, vai ditar que isso são dados objetivos. Saí magoado em determinados momentos, porque tive momentos muito bons e o ambiente agora não era nada bom"

Voltaria ao Benfica?

"Admito claramente voltar ao Benfica. Em outras funções? Eu gosto de ter uma visão alargada de um clube, das dinâmicas que se tem de implementar, os aspectos organizacionais. Mas neste momento o meu futuro é treinar na Arábia. Mantenho uma relação ótima com o Luís Filipe Vieira. Terminamos como tínhamos de terminar"

Reforços que não resultaram

"Tive quota parte na sua vinda, mas se havia outros jogadores que eu queria? Sim, é verdade. Mas isso não é importante, o importante é o sucesso do Benfica"

Tem acompanhado o clube?

"Não vi jogos, desliguei. Não por qualquer razão, apenas desliguei porque tinha de começar a pensar em outras situações que tinha. Não conheço Bruno Lage em profundidade. É um treinador que penso que tem qualidade. Só espero que alguns erros que foram cometidos comigo não sejam cometidos com ele. Espero que haja proteção ao treinador, à equipa, aos jogadores. A equipa tem de estar sempre defendida. Houve uma série de circunstancias em relação ao clube que talvez tenham feito clube desfocar-se"

Silêncio nas críticas quando era treinador

"Não sou candeeiro de rua. Falo com as pessoas e digo o que tenho a dizer, imponho as minhas ideias internamente. Quando vim para o Benfica foi para ser parte fundamental desse projeto. Vim colaborar no projeto. Mas talvez fosse necessário uma ou outra forma de atuar. Expliquei em privado, mas em publico tive cuidado para que não fosse apanhado com algo que se pudesse virar contra os meus jogadores e a minha equipa"