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Quem é William, o advogado de Rui Pedro que defendeu Assange e Snowden

O advogado francês do hacker Rui Pinto, William Bourdon, tem quase quarenta anos de experiência e já representou alguns dos denunciadores mais famosos ao nível mundial

Fábio Monteiro

JOEL SAGET

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Rui Pinto, o alegado hacker que entrou nos servidores do Benfica e divulgou centenas de e-mails, não ofereceu resistência quando foi detido esta semana na Hungria, contudo, dentro do sistema judicial, tudo indica que irá dar luta. Não se ainda sabe como ou por via de quem, mas o hacker português assegurou para a sua defesa um dos advogados com mais experiência no mundo em “whistleblowers”: William Bourdon.

De nacionalidade francesa, o advogado tem quase quarenta anos de experiência e já representou alguns dos denunciadores mais famosos ao nível mundial: Julian Assange, fundador pela WikiLeaks, organização que se dedica à divulgação de documentos secretos de governos e empresas; o norte-americano Edward Snowden, que vive agora exilado na Rússia, e que denunciou as práticas de vigilância da NSA; Hervé Facliani, responsável pelo SwissLeaks, que expôs práticas de evasão fiscal na filial suíça do HSBC entre 2006 e 2007; Antoine Deltour, que denunciou os LuxLeaks, e que revelou os detalhes de um esquema de evasão fiscal de 343 grandes empresas internacionais.

Prova que o currículo neste tipo de casos faz a diferença é, por exemplo, o comunicado assinado ontem pelos advogados de Rui Pinto, Francisco Teixeira da Mota e William Bourdon. Neste, o hacker é retratado como um justiceiro: “indignado com práticas vigentes neste desporto”, “decidiu contribuir para o conhecimento público da extensão dessas práticas criminosas”.

De acordo com várias notícias, Bourdon é um estratega em mudar a percepção da população em geral sobre as pessoas que defende e conhece em detalhe os preâmbulos da legislação internacional. Em 2017, terá sido um dos responsáveis por bloquear a extradição de Assange para a Suécia. (A justiça portuguesa também está a tentar tirar Rui Pinto da Hungria, recorde-se.)

Ideólogo, mas “non troppo”

A biografia de William Bourdon revela um idealista, mas é pouco provável que esteja a defender Rui Pinto “pro bono”. Neste momento, o francês é presidente da Plataforma Internacional de Protecção de Whistleblowers em África. Em 2001 fundou a Sherpa, uma associação dedicada à “proteção e defesa de vítimas de crimes económicos”.

Já em 2014, publicou um livro intitulado “Pequeno Manual de Desobediência Civil” (ed. JC Lattès), o que lhe poderá ter granjeado mais alguns clientes. Neste ensaio, Bourdon faz um apelo à dissidência daqueles que trabalhem dentro de grandes estruturas corporativas, quando identificarem situações irregulares; tendo por base a sua larga experiência profissional, na obra o advogado francês explica as restrições legais e formas de divulgação de informações confidenciais.

Apesar do perfil humanitário, ao longo da sua carreira William Bourdon não defendeu só vítimas ou casos de divulgação ilegal de informação. Em 2005, o advogado francês defendeu Motassim Kadhafi, filho do ditador Mouammar Kadhafi, num caso em que este era acusado de violência doméstica. Dois anos depois, levantou um processo de difamação contra a publicação “Jeune Afrique”, em nome de Moussa Koussa, chefe dos Serviços Secretos da Líbia. Este processo foi retirado em 2009.