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Sem perder o norte

Não terá sido porventura a mais cintilante das exibições da era-Lage, mas está muito longe de ser injusta a vitória do Benfica na Vila das Aves por 3-0, num jogo em que nem a expulsão de Ferro aos 64 minutos abalou a confiança encarnada. O FC Porto continua a 1 ponto

Lídia Paralta Gomes

OCTAVIO PASSOS/EPA

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Jogo tranquilo na Vila das Aves, vitória, FC Porto novamente a 1 ponto: o Benfica de Lage continua sem perder o norte, num jogo em que nem a expulsão de Ferro aos 64’ - e que cinco minutos antes até tinha marcado o 3-0 - beliscou aquilo que é, neste momento, uma equipa altamente confiante, mesmo nas performances menos cintilantes, como a que aconteceu nesta fria noite de segunda-feira.

Depois da aventura do jardim-escola encarnado em Istambul, Bruno Lage voltou a chamar a sua equipa-base para o campeonato, devidamente descansada das obrigações europeias. Tão descansada que só foram precisos 3 minutos para o Benfica se colocar na frente, sem dar tempo sequer para qualquer declaração de intenções do Desp. Aves. Samaris viu Seferovic a isolar-se da linha de defesas do Aves, colocou-lhe a bola e o suíço fez um pouco de magia: toque de peito para receber a bola pelo ar e um pequeno toque para fazer um mini-chapéu a Beunardeau.

Chapeau.

O golo madrugador não teve sequência destruidora, porque 10-0 não acontecem todos os dias, e o Benfica demorou impor o domínio que se esperava. Aos 15 minutos, uma jogada de combinação entre Pizzi e João Félix permitiu um remate perigoso ao miúdo e uma recarga a Seferovic, mas a partir daí os encarnados como que vestiram um papel que, por estes dias, já não é seu: demasiadas bolas longas, alguns passes e transições falhados, ligações que nem sempre saíram.

E foi curiosamente no seu pior período que surgiu o 2-0, mais um golo com finalização individual de fino recorte, mas que nasceu de uma bela jogada coletiva - e isto sim, é mais Benfica de Lage.

Aos 37’, Pizzi foi buscar uma bola à lateral esquerda, deu para Grimaldo e o espanhol passou rapidamente para João Félix. De primeira, Félix colocou na área onde Rafa, com um pequeno e essencial toque, deixou Jorge Fellipe pelo caminho. Seguiu-se um remate em jeito, fora do alcance de Beunardeau. Mais um bonito golo e o Benfica, ainda antes do intervalo e sem encher o olho, praticamente fechava o jogo.

OCTÁVIO PASSOS/LUSA

Até porque a resposta do Desp. Aves na 2.ª parte foi ténue e o Benfica quase marcava logo aos 46’, num remate forte de João Félix que Beunardeau afastou para canto.

Nem 10 minutos depois, foi Vítor Costa a cortar no último momento uma bola que Seferovic já se preparava para encostar e aos 59’ surgiria mesmo o golo sentenciador: após um canto, o guarda-redes do Aves saiu mal e Ferro, entre uns quantos ressaltos contra outros quantos jogadores da casa, deu o toquezinho que se impunha para colocar ordem na jogada, num remate esquisito, em balão, mas que ninguém pode acusar de não ter sido eficaz.

Ferro, que leva dois golos em dois jogos seguidos no campeonato, ficou, apesar de tudo, ligado ao momento mais negativo do Benfica neste jogo: cinco minutos após fazer o 3-0, agarrou Derley à entrada da área e foi expulso.

Para este jogo em particular, a expulsão não aqueceu nem arrefeceu: o Benfica já ganhava por 3-0, o Aves não esboçava exatamente uma reação e o jogo estava, aparentemente, controlado. Mas para o futuro, aí sim, poderá fazer mossa: Rúben Dias é neste momento o único central disponível para Bruno Lage, que tem Jardel e Conti lesionados e, agora, Ferro castigado.

Problemas para pensar durante os próximos dias, porque neste o Benfica fez o que lhe competia. Marcou cedo, não sofreu mesmo nos momentos em que não jogou tão bem e soube matar na altura certa. E isto é a definição de uma equipa que sabe o que quer. Business as usual.