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O Lagismo vive

O jogo, no papel, era difícil, mas um Benfica mais à imagem dos primórdios da chegada de Bruno Lage tornou-o mais fácil. Frente ao Moreirense, o Benfica soube ser paciente antes de dominar e jogar com a imensa criatividade do seu ataque para vencer por 4-0 e voltar ao topo da tabela

Lídia Paralta Gomes

OCTAVIO PASSOS/EPA

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A derrota em Zagreb, o empate bizarro com o Belenenses e a 1.ª parte do encontro na Luz com o Dinamo fizeram soar alguns alarmes, mas as notícias da morte do estado de graça do Benfica de Bruno Lage foram manifestamente exageradas.

Em casa do Moreirense, a equipa-surpresa deste campeonato, o Benfica soube ser paciente antes de dominar, soube aproveitar os erros enquanto voltava a encontrar o seu melhor futebol e quando se tudo conjugou, soube matar na altura certa. Talvez 4-0 seja pesado para um Moreirense que terá pago caro um par de erros defensivos e a ousadia de se manter quase sempre fiel à sua ideia de jogo, mas a vitória do Benfica acontece mais por mérito dos encarnados do que por demérito do adversário.

Porque o Benfica apareceu em Moreira de Cónegos, como se agora convencionou dizer no futebol, “personalizado”. E por personalizado leia-se preparado para uma equipa que gosta de jogar, que arrisca, mas que também é organizada a defender. Depois de uns primeiros 15 minutos mais divididos, físicos e com alguma dureza aqui e ali, uma estratégia de mobilidade de todas as peças do ataque do Benfica trocou as voltas à defesa do Moreirense e as oportunidades surgiram naturalmente, tal é a criatividade que os encarnados conseguem dar à sua construção.

Aos 25 minutos, Jonas, em frente à baliza e com Pizzi ali ao lado, não assumiu nem passou bem, falhando assim o Benfica um golo que parecia certo. Jonas marcaria à meia-hora de jogo, mas o lance foi anulado por fora de jogo no início da jogada, tal como já tinha sido do outro lado a Arsénio aos 22’, também por posição irregular.

OCTAVIO PASSOS/EPA

Num jogo intenso e com muita qualidade, só faltavam os golos e foi João Félix, este domingo mais 9 do que Jonas, a marcar o primeiro, aos 37’. Lançado pelo passe longo de Grimaldo, o jovem avançado português viu Ivanildo falhar o corte e isolado rematou forte, sem hipóteses para Trigueira. Cinco minutos depois, Samaris faria o segundo do Benfica após um canto de Pizzi na esquerda e os encarnados iam para o intervalo com a sensação de terem descomplicado um jogo que, no papel, seria um dos mais complicados do calendário, ainda que aos 45’ Pedro Nuno tenha obrigado Vlachodimos a uma grande defesa após um cabeceamento.

Mas mais definido o jogo ficou para o Benfica no início do segundo tempo, numa jogada que personificou aquilo que foi o Benfica em Moreira de Cónegos, ou melhor, aquilo que fez o Benfica vencer em Moreira de Cónegos: envolvimento de todas as peças do ataque, passes curtos, procura do espaço e alguém a surgir em frente ao guarda-redes. Já tinha sido Pizzi, João Félix, Jonas, desta vez, aos 48’, foi Rafa, que deu o golpe de misericórdia ao Moreirense com um chapéu a Trigueira.

OCTAVIO PASSOS/LUSA

Mesmo com 3-0 no marcador, Ivo Vieira ainda colocou Nenê para o ataque e viu Vlachodimos mais uma vez a roubar o golo ao Moreirense, com mais uma grande defesa, desta vez após um belo remate de Chiquinho. Mas daí até final, o Benfica soube controlar com bola e baixar o ritmo, coisa que nos primórdios do lagismo os encarnados tinham alguma dificuldade em fazer - a ânsia em marcar muitos e deslumbrar é bonita para quem vê, mas os jogadores não são de ferro.

Haveria ainda tempo para um último golo do Benfica, aos 83’, por Florentino Luís, o mais lesto no meio da confusão na área do Moreirense após um lançamento lateral.

Foi assim com um claro upgrade na qualidade de jogo face aos últimos jogos que o Benfica mostrou que o lagismo segue vivo e de saúde e voltou a fazer companhia ao FC Porto no topo da tabela.