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Três foi a conta que Félix fez

O menino de ouro da Luz tornou-se o mais novo de sempre a fazer um hat trick pelo Benfica nas competições europeias e deixou os encarnados em vantagem na luta pelas meias-finais da Liga Europa. Teria sido perfeito, não fossem os golos do emprestado Jovic e do regressado Gonçalo Paciência que deixaram o resultado em 4-2 e mantêm a eliminatória em aberto para a segunda mão

Tiago Oliveira

João Félix foi a grande estrela da noite ao fazer um hat-trick

Getty

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As aulas na escola do mestre Lage não dão grandes mostras de parar. Na sessão de hoje, os pupilos do Seixal tiveram oportunidade de viver lições práticas de poupanças, contas, castigos por desatenções e reações imprevisíveis. Deu para todos os gostos e feitios mas a estrela da turma foi mesmo o benjamim João Félix. Após umas sessões em que o cansaço se mostrou, o avançado respondeu da melhor forma e fez três golos frente ao Eintracht Frankfurt e mostrou estar mais que preparado para os exames que se avizinham.

Prova para europeu ver e que permitiu a João Félix tornar-se o mais novo jogador de sempre a fazer um hat-trick pelo Benfica nas competições europeias e a chamar a atenção do velho continente num grande palco. O colega Rúben Dias também contribuiu com um tento só que os repetentes Fejsa e Jardel não levaram a matéria bem estudada e tiveram papel nos dois golos adversários, que levam a segunda-mão dos quartos de final da Liga Europa para um sempre perigoso 4-2.

Um resultado que espelho um jogo de alta cilindrada na luz, sempre disputado a alta velocidade e que fez jus à reputação atacante das duas equipas, mesmo com os alemães a jogar com menos um desde os 20 minutos, e logo para dar penálti e golo. O que, repito, não impediu em nada o seu ímpeto ofensivo, para gáudio dos mais de sete mil adeptos que viajaram desde Frankfurt e que se fizeram sempre ouvir ao longo da noite na Luz.

E cedo os alemães se lançaram no ataque, fortes na pressão, rápidos nas transições e a não deixar o Benfica, com seis alterações, jogar. Jovic, emprestado pelos encarnados, foi titular e entrou com vontade de mostrar serviço, ou não tivesse visto logo um amarelo aos 4 minutos por travar um contra-ataque para logo a seguir estar no outro lado do campo a aproveitar um erro de Jardel que o deixou com caminho livre para a baliza. E provavelmente mais perigo teria provocado, se o bombeiro Grimaldo não tivesse aparecido.

O Frankfurt estava em cima só que a lição de que tudo pode mudar num instante estava mesmo ao virar da esquina. João Félix, a começar a mostrar os seus dotes perante o júri, isolou de um momento para o outro Gedson, com este a ser carregado de forma imprudente por N'Dicka, dentro da grande área alemã. Penálti e ordem de expulsão dada por Anthony Taylor aos 20 minutos. Quem ficou imune a tudo isto foi mesmo quem começou o lance e que, da marca do castigo máximo, fez questão de o concluir para o 1-0.

A jogar com mais um tão cedo e em vantagem, tudo parecia encaminhado para uma noite tranquila para o Benfica com possibilidade de matar logo a eliminatória. Só que os alemães mostraram não ser uma equipa habitual e tentaram sempre responder, sem parecerem contentados em limitar os estragos ao mínimo. E foram recompensados aos 40 minutos com o golo do empate. Responsabilidades para Fejsa que, claramente sem o ritmo de outrora, perdeu a bola para Rebic que seguiu pela esquerda e serviu Jovic para este finalizar e atormentar a equipa que ainda lhe paga.

Em todas

Só que João Félix não estava nem para aí virado. Para que lhe tirassem os holofotes, isto é, porque logo a seguir fez questão que se voltassem a virar para ele. De passe rendilhado em passe rendilhado após a bola ao centro, a bola chegou ao avançado que, sem pedir licença a ninguém, rematou de fora da área para o fundo da baliza de Kevin Trapp e colocou o Benfica de novo em vantagem aos 43 minutos. Explosão de alegria na Luz, que continuou para o intervalo porque, após grande defesa de Trapp a remate de Cervi, o árbitro anulou novo empate ao Frankfurt (por fora-de-jogo) pouco antes de mandar as equipas para o balneário.

O descanso fez bem ao Benfica que finalmente apareceu como se estivesse efetivamente a jogar com mais um jogador e rapidamente pareceu resolver a eliminatória. Já depois do outro grande agitador das águias, Rafa Silva, ter atirado ao poste em posição irregular, surgiu o 3-1 aos 50 minutos, com Rúben Dias a responder da melhor forma a um canto de Grimaldo que pelo meio ainda contou com um desvio de, já deve ter adivinhado, João Félix.

Que fez mesmo questão de estar em todas pela sua equipa porque aos 53 minutos já estava outra vez na grande área para responder a um cruzamento de Grimaldo e fazer um 4-1. Hat-trick do menino de ouro, mãos na cabeça e recorde atingido . Os encarnados surgiam cheios de confiança nesta fase e os alemães encontravam poucas respostas para a dinâmica dos pupilos do Seixal. Teria que ser mesmo o seu guarda-refes a responder na altura de maior aperto e ele assim o fez, sobretudo com uma grande intervenção com o pé que impediu o golo certo do isolado e recém-entrado Seferovic.

Foi o balão de oxigénio necessário e que permitiu aos alemães ainda terem forças para chegarem à recompensa que durante toda a segunda parte pareceu quase impossível. Cortesia de Gonçalo Paciência (entrado na segunda parte perante um coro de assobios), que aproveitou uma desatenção defensiva de Jardel num canto para, de cabeça, fazer a bola sobrevoar Odysseas rumo no fundo das redes encarnadas.

O tento do jogador formado no FC Porto aos72 minutos podia fazer toda a diferença para a segunda mão e o Benfica pressionou em busca do quinto golo e de nova vantagem de três golos que permitisse encarar a deslocação à Alemanha de outra forma. O Frankfurt respondeu em contra-ataque e o golo podia ter surgido de novo nas duas balizas só que o resultado final já estava encontrado. Vitória das águias por 4-2 num jogo emocionante e que promete para a segunda mão. Com os três cartões de visita europeus do pupilo João Félix.