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O Bom, o Mau, o Herói e o Vilão do Benfica-Anderlecht

A despedida de Jonas marcou o primeiro teste da pré-época do Benfica que em casa não teve pernas para um Anderlecht com mais ritmo que venceu por 2-1. Entre os elementos positivos e aquilo que se destacou pela negativa, este é o Bom, o Mau, o Herói e o Vilão, formato da Tribuna Expresso para os encontros desta pré-época

Tiago Oliveira

Jonas pisou pela última vez o relvado da Luz como jogador do Benfica

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O Bom

A reação do Benfica na segunda parte a reboque dos meninos do Seixal. As dez alterações introduzidas por Bruno Lage para os segundos 45 minutos (e as que se seguiram durante o segundo tempo) trouxeram muitas caras novas ao onze encarnado, e uma irreverência que faltou ao Benfica durante um primeiro tempo amorfo e em que a falta de ritmo foi notória.

Apesar da pouca velocidade e reduzida assertividade nesse período, as ideias do treinador que galvanizaram a equipa na segunda metade da época e a conduziram ao campeonato continuaram visíveis. O técnico de Setúbal manteve-se fiel ao 4-4-2 e a equipa manteve intactos os princípios de pressão na saída da bola, circulação rápida e a procura da profundidade. Ou pelo menos tentou manter. Uma palavra também para as entradas de Pizzi e de Chiquinho e Nuno Tavares, com direito a golo e assistência, respetivamente, na estreia.

Do outro lado, o Anderlecht apareceu com um ritmo já mais avançado e com uma proposta de jogo que chama a atenção para o trabalho que o novo treinador pode desenvolver. Ou não fosse ele Vincent Kompany e não tivesse sido treinado três anos por Guardiola. A seguir com atenção, assim como Jérémy Doku, o jovem de 17 anos que mostrou ter muito futebol nos pés. Dos quais saíram o cruzamento para o primeiro golo da partida aos 34 minutos, apontado por Vlap.

O Mau

Começa no estado do relvado da Luz e acaba na desorganização defensiva dos encarnados, com particular destaque para a primeira parte. A reunião das Testemunhas de Jeová teve reflexos claros no tapete da casa do Benfica e não contribuiu propriamente para a fluidez de jogo, assim como a falta de ritmo notória do Benfica. As duas semanas de treino intenso fizeram-se notar na lentidão de processos e no espaço concedido aos jogadores do Anderlecht que, por mais que uma vez, estiveram em superioridade numérica perante a descoordenada defensiva encarnada. Que também esteve desatenta quando Thelin cabeceou para o segundo golo belga.

Caio Lucas e Raul de Tomás, dois dos reforços sobre os quais recaem mais expectativas, procuraram mostrar-se, mas pareceram ainda algo desfasados da realidade coletiva, o que acaba por ser natural. Muito em jogo, sobretudo o primeiro, procuraram brilhar com iniciativas individuais, só que acabaram na maior parte das vezes traídos pelo nervosismo. A rever, sobretudo quando o Benfica ainda procura a resposta a dar à saída do senhor €120 milhões, João Félix.

Chiquinho estreou-se a marcar pelo Benfica

Chiquinho estreou-se a marcar pelo Benfica

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O Herói

Aqui só há um nome possível que decerto já adivinhou antes sequer de acabar esta frase: Jonas. O brasileiro que em 173 jogos de águia ao peito apontou 136 golos vestiu pela última vez em campo a camisola das águias e viu o seu nome entoado com emoção por um Estádio da Luz repleto só para o ver.

Emoção que se estendeu ao brasileiro que, marcado pelas lágrimas foi a grande figura da tarde/noite e foi substituído aos dez minutos por Tiago Dantas. Momento marcante e homenagem a condizer com o número dez, naquela que foi talvez, a passagem de testemunho da grande figura do Benfica dos últimos anos para a nova fornada do Seixal que continua a centrar atenções.

Além do incontornável brasileiro, foi Chiquinho quem mais brilhou em dia de estreia na Luz. O ex-jogador do Moreirense (formada nas escolas do Benfica) marcou o golo das águias e deu-se muito ao jogo com boas iniciativas e pormenores a pedirem mais atenção para os próximos jogos.

O Vilão

A tarefa de Cádiz para se manter no plantel encarnado já não se afigurava fácil. Daí que não ajude, quando um jogador se quer mostrar ao público, entrar no início da segunda parte e sair lesionado aos 57 minutos. Azar para o jogador oriundo do Vitória de Setúbal, cujo futuro fica ainda mais em dúvida.

Titular na lateral direita, Salvio entrou em campo tal como acabou a época passada, ou seja, a mostrar pouca capacidade de entrar na máquina oleada por Bruno Lage. O tempo do argentino na Luz pode estar a dar as últimas e é caso para dizer que, nesta posição, André Almeida faz mesma falta. Ala direita do Benfica que também não beneficiou da exibição muito apagada de Taarabt, que mal se viu em campo.

O guardião do Anderlecht, Davy Roef, com ajuda do poste, também não deu o seu contributo para a festa benfiquista, ao negar por mais que uma vez o 2-1 e, depois, o 2-2.

  • Jonas, o profeta inassobiável

    Crónica

    Esta noite, os benfiquistas e o futebol despedem-se do avançado brasileiro. Jonas chegou à Europa despachado com o epíteto de “pior avançado do mundo”, mas diz adeus aos relvados e entra para um grupo restrito, o dos “inassobiáveis”, como escreve Bruno Vieira Amaral numa crónica carregada de adjetivos