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O Bom, o Mau, o Herói e o Vilão do Académica-Benfica

O Benfica começou encostado às cordas pela Académica e acabou a golear 8-0. Ao segundo encontro de preparação, já mostra que tem um plantel profundo e algumas dinâmicas perto da afinação final. Este é o Bom, o Mau, o Herói e o Vilão, formato da Tribuna Expresso para os encontros desta pré-época

Lídia Paralta Gomes

MÁRIO CRUZ/LUSA

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O Bom

Uma das primeiras características que Bruno Lage injetou à equipa do Benfica quando chegou ao banco a meio da temporada passada foi a objetividade. Ou pelo menos, uma maior objetividade. E num jogo como o deste sábado, a objetividade foi importante e aquilo que o Benfica fez melhor, numa altura em que o processo ainda não está afinado - mas também já não anda longe disso.

A uma entrada forte e surpreendente da Académica, o Benfica respondeu com uma leitura quase perfeita de jogo: era preciso jogar nas costas da defesa e era preciso passes de rutura. E chegados à baliza da Académica, era preciso objetividade. Ela chegou com o golo de Rafa aos 23’, numa jogada simples e gizada por três dos artífices do título: lateralização de Samaris para Grimaldo, cruzamento do espanhol e Rafa na área a aparecer para finalizar. A partir daí, o jogo virou completamente para os encarnados, até ao 8-0 final, um resultado duro para uma Académica que mostrou fundamentos bem trabalhados.

E por isso é justo também colocar aqui os primeiros 10 minutos da Académica, que com um futebol preocupado com a construção, com o ataque apoiado e trocas de bola rápidas, conseguiu num ápice criar cinco, seis lances de perigo. Nos primeiros momentos do jogo, o Benfica mal tocou na bola e não foi por demérito: foi por qualidade da equipa agora treinada por César Peixoto.

A goleada que se seguiu mostra que o Benfica até pode ter perdido Jonas e João Félix mas continua a ter um plantel profundo e com vários elementos que parecem apenas estar a recomeçar aquilo que colocaram em pausa com o final da época passada. Olhe-se para Seferovic e para Pizzi que, mal entraram na 2.ª parte, jogaram tão coordenados como se não viessem de várias semanas de paragem.

A defesa do Benfica também merece loas, pelo posicionamento quase perfeito na 2.ª parte: nunca deixou que as jogadas de construção da Académica, que tentou sempre ser fiel à sua ideia de jogo, chegassem sequer à área.

O Mau

A ideia nestes textos é falar de futebol, mas é impossível não deixar aqui o que aconteceu no final da 1.ª parte no Estádio Cidade de Coimbra. Num encontro de preparação, com a época ainda mal arrancada, temos de levar um jogo interrompido por desacatos nas bancadas. Foi, seguramente, o pior deste jogo - é sempre condenável ver violência num encontro, mas num jogo de pré-época já roça o idiota.

De resto, num jogo que acaba 8-0, é difícil encontrar pontos negativos num Benfica que até arrancou para a goleada depois de mudar toda a equipa ao intervalo. Talvez Bruno Lage precise de analisar o que se passou nos primeiros 10 minutos, em que a Académica manietou o Benfica, roubando-lhe a posse de bola.

Raul de Tomas bisou em Coimbra e mostrou que é mais que um marcador de golos

Raul de Tomas bisou em Coimbra e mostrou que é mais que um marcador de golos

MÁRIO CRUZ/LUSA

O Herói

Num troféu em que, entre caras novas e jogadores da casa, muitos jogadores dos encarnados se evidenciaram, a boa notícia para os adeptos do Benfica será o bis do reforço Raul de Tomas, ainda na 1.ª parte. O primeiro golo aos 24’, a receber bem um cruzamento de Gabriel e a finalizar com tranquilidade, e o segundo já perto do intervalo, felino a aproveitar um erro do guarda-redes da Académica.

Mas a exibição do espanhol não foi só feita de golos: nos 45 minutos em que esteve em campo, já participou com facilidade no processo atacante, sem problemas em recuar para vir buscar jogo ou dar a bola aos colegas. Boas indicações do avançado formado no Real Madrid.

Boa injeção de confiança também para Germán Conti, o central argentino que marcou por duas vezes de cabeça na 2.ª parte. Falta agora é provar que é opção para onde interessa realmente, o eixo da defesa, pois claro.

O Vilão

O Benfica aproveitou muitos erros individuais e defensivos da Académica para construir um resultado volumoso e, por isso, vilões só mesmo aqueles que não aproveitaram para se elevar. Nesse aspecto, e depois das boas impressões deixadas no encontro com o Anderlecht, a exibição de Chiquinho não foi exatamente de encher o olho. O jogador português foi titular, mas passou algo despercebido. Terá também tido o azar de ter jogado no período de menor fulgor do Benfica, a 1.ª parte.

Caio Lucas, que também só jogou na 1.ª parte, teve bola e esteve em jogo, mas continua a exagerar nas ações individuais: aquela última finta que sempre tenta talvez não seja necessária...