Tribuna Expresso

Perfil

Benfica

O novo Benfica mantém-se fiel à fórmula (de Lage) do sucesso

O Benfica defronta este domingo o AC Milan (20h, SportTV1), em mais um jogo de pré-época em que será consolidada a ideia de Bruno Lage para 2019/20 - e em equipa que ganha não se mexe, como explica à Tribuna Expresso o analista Tiago Teixeira

Tiago Teixeira (analista de futebol)

SOPA Images

Partilhar

Chegou, viu e venceu. Foi assim a estreia de Bruno Lage como treinador do Benfica. Não teve oportunidade de fazer pré-época – Rui Vitória foi o treinador que começou 2018/19 -, mas nem por isso deixou de implementar de forma rápida as suas ideias, e de colocar o Benfica a jogar à sua maneira.

Agora, com oportunidade de fazer a pré-época e de limar o plantel segundo as suas ideias, não se espera menos do que um Benfica igualmente forte, e os jogos de preparação têm demonstrado isso mesmo.

Um Benfica fiel à fórmula do sucesso da época passada

Em equipa que ganha não se mexe, não é assim? O Benfica de Bruno Lage continua a ser igual ao da época passada, desde logo a começar pela estrutura posicional com que se apresenta em campo.

No habitual 4-4-2, o duplo pivô de meio-campo, que agora tem Gabriel de regresso (terminou a época passada lesionado), mantém o mesmo posicionamento. Tanto Gabriel como Samaris ou Florentino, aparecem sempre posicionados em cobertura, ou seja, fora do bloco defensivo adversário. Fundamentais na circulação de bola e decisivos no momento da transição defensiva.

Com o regresso de Gabriel à equipa, o Benfica volta a ganhar capacidade no passe longo, muito utilizado na variação do centro de jogo.

Em ataque posicional, os extremos (Rafa e Pizzi são os titulares) continuam a aparecer muito em zonas interiores - movimentando-se nas costas dos médios adversários - com o objetivo de receber a bola apenas com a linha defensiva pela frente.

Neste momento, a largura fica a cabo dos defesas laterais, principalmente de Grimaldo, pela qualidade que oferece no momento ofensivo.

Na frente, independentemente de qual a dupla de avançados escolhida por Bruno Lage, o Benfica tem demonstrado ser uma equipa muito forte a atacar a profundidade.

Quando conseguem ligar o jogo pelo corredor central, os movimentos de apoio e rutura são uma constante.

No momento defensivo, tudo igual. O Benfica continua a posicionar-se em 4-4-2, com os dois avançados na primeira linha de pressão e com Pizzi e Rafa a juntarem-se a Gabriel e Florentino na linha média.

Com Florentino e Gabriel, o Benfica é também uma equipa que reage muito rápido à perda da bola.

Além do posicionamento em cobertura, ou seja, sempre atrás da linha da bola, são dois médios com grande capacidade física e que muito rapidamente encostam nas linhas de passe curtas do adversário, na zona da bola.

Depois dos muitos milhões encaixados com a venda de Félix, o Benfica continua a construir o seu plantel de modo a garantir condições para lutar por todas as competições internas, e neste momento, qualidade é algo que não falta no plantel encarnado, principalmente no meio-campo e ataque.

Baliza

Apesar de ter contratado Vlachodimos Odysseas na época passada, e do grego ter sido titular a época toda, o Benfica procura reforçar a sua baliza. Perin, da Juventus, esteve a um pequeno passo de se tornar o novo número um da baliza encarnada, mas os problemas físicos impossibilitaram a sua contratação. Os jovens Mile Svilar e Ivan Zlobin são neste momento os concorrentes de Odysseas, mas esta situação pode mudar rapidamente se um novo guarda-redes for contratado.

Defesa

Icon Sportswire

Se há setor onde não há dúvidas nenhumas sobre quais serão os titulares, esse setor é a defesa. André Almeida e Grimaldo têm o lugar garantido nos corredores laterais, eles que o ano passado foram determinantes a nível ofensivo (muitas assistências para golo).

No que diz respeito à concorrência, o Benfica conta com Tyronne Ebuehi – não parece muito contar para Bruno Lage, depois do regresso por lesão prolongada – e os jovens Nuno Tavares (apesar de ser canhoto, tem jogado como lateral direito na ausência de André Almeida) e João Ferreira, pelo que é possível que o Benfica ainda vá ao mercado para contratar um defesa lateral.

No eixo central da defesa, Rúben Dias e Ferro serão os titulares indiscutíveis, com o último a ser o mais importante no momento da construção, pela qualidade de passe com que liga o jogo. Jardel e Conti surgem como suplentes, e o lote de centrais parece fechado.

Meio-campo

O meio-campo do Benfica permanece praticamente o mesmo da época passada, e soluções de qualidade é algo que não falta Bruno Lage.

Para o duplo pivô, Gabriel parte como número um, até pela qualidade de passe que oferece em zonas de construção. Florentino, Samaris e Gedson competem pelo outro lugar, sendo que o primeiro parece levar vantagem neste momento. Há ainda Fejsa, embora sem a importância de outras épocas, e Adel Taarabt, que tem demonstrado durante a pré época que pode ser uma excelente opção para o meio, pela qualidade com que liga a construção com a criação através do passe.

Nos corredores laterais, à imagem do que aconteceu na época passada, Rafa e Pizzi serão os titulares. Os internacionais portugueses são fundamentais em zonas de criação: Rafa mais forte em condução e Pizzi no passe. Os dois juntos representam ainda muitos golos e muitas assistências durante a época.

Os reforços Chiquinho – acrescenta qualidade técnica, criatividade e critério – e Caio Lucas surgem como principais alternativas nos corredores laterais, uma vez que Cervi e Zivkovic parecem ser os últimos nas opções de Bruno Lage, não sendo certo que permaneçam no plantel.

Ataque

Gualter Fatia

Depois da maior venda da história do futebol português – €126 milhões foi quanto João Félix custou ao Atlético de Madrid – e de Jonas ter terminado a carreira, o Benfica perdeu classe na frente de ataque, mas nem por isso deixa de ter um ataque muitíssimo forte.

As contratações de Carlos Vinícius e Raúl de Tomás acrescentam muita qualidade ao ataque encarnado, uma vez que são dois avançados muito fortes fisicamente, com capacidade para explorar a profundidade e com qualidade no momento da finalização.

Jota, que também pode jogar como extremo, tem sido testado a segundo avançado, e poderá ser uma mais-valia nessa posição, pela qualidade técnica e velocidade de execução que apresenta.

Há ainda Seferovic (melhor marcador do campeonato passado) e Jhonder Cádiz, ex-Setúbal, pelo que o ataque do Benfica não deverá sofrer mais alterações até final do mercado de transferências.