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A máquina de fazer goleadas

Nem foi preciso sacar da exibição mais cintilante ou do futebol mais inventivo. Mesmo com uma entrada a meio-gás, o Benfica acabou a golear o Paços de Ferreira (5-0) na estreia no campeonato e já são 10 golos marcados em apenas dois jogos oficiais

Lídia Paralta Gomes

PATRICIA DE MELO MOREIRA/Getty

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É possível que aquela linha que separa uma equipa forte de uma equipa assustadora se trace no momento em que a equipa forte começa a vencer sem esforço mesmo em dias em que nem tudo corre bem.

Por essa lógica, logo à 1.ª jornada do campeonato, o Benfica já é uma equipa assustadora. E é uma equipa assustadora porque numa 1.ª parte em que foi quase sempre uma equipa errática, pouco brilhante e pouco eficiente, marcou dois golos. E na 2.ª parte, qual predador, aproveitou a fraqueza do adversário, que se viu muito cedo a jogar com 10, para despedaçar a presa, sem em momento algum parecer esforçar-se mais do que o estritamente necessário para o fazer.

Isto é uma equipa que assusta.

É claro que, mais assustadora ou não, a 1.ª parte dos encarnados não terá sido exatamente do agrado de Bruno Lage, que viu uma equipa com dificuldades em impor o seu jogo. Ainda assim, logo aos 7’, Seferovic podia ter marcado, tivesse atacado melhor o cruzamento de Raul de Tomas.

Mas se o ataque apoiado não funciona, há outras formas de marcar. Terá sido o que pensou Nuno Tavares quando, na melhor imitação de Arjen Robben, cortou da direita para o centro e, de muito longe, rematou forte e colocado, bem ao ângulo superior esquerdo da baliza do Paços. Uma grande penalidade, convertida por Pizzi, colocaria o resultado em 2-0, um resultado tranquilizador para uma equipa que não estava claramente no seu momento mais brilhante.

A mudança no paradigma do jogo chegou com a expulsão de Bernardo Martins, aos 65’. A jogar com menos um jogador, o Paços deu mais espaços, ao mesmo tempo que a máquina debulhadora do Benfica começava a afinar - a partir daí, os encarnados voaram. Cinco minutos depois, Seferovic fez o 3-0, após uma bela jogada que envolveu Nuno Tavares e Chiquinho.

Gualter Fatia/Getty

Depois, começou o espectáculo de Pizzi, em mais um daqueles jogos em que une o bom senso e a inteligência. Aos 75’, recebeu o passe picado de Nuno Tavares (enorme exibição, com um golo e duas assistências) e rematou cruzado para o 4-0. Nessa altura, já o ataque do Benfica fazia o queria, as combinações tornavam-se cada vez mais rápidas e intensas e o 5.º golo não demorou muito mais: Carlos Vinicius, aos 85’, estreou-se a marcar. E com novo passe de Nuno Tavares.

No espaço de uma semana e dois jogos, o Benfica vai na segunda goleada, dois 5-0, um para a Supertaça, frente ao Sporting, e outro para arrancar a Liga. Em 31 jogos como treinador do Benfica, Bruno Lage viu a equipa marcar três ou mais golos em 13 deles, o que atesta bem a capacidade atacante e a variedade de opções que este Benfica tem.

No final, Bruno Lage haveria de dizer que este era um “resultado agradável” e a delicadeza com que se trata esta máquina de goleadas que é o Benfica é, acreditem, desconcertante. Mas deve ser o que acontece quando se torna a normalidade.