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Fácil, não é. Difícil, também não parece ser. Mas é muito complicado

Esta é a análise de Tiago Teixeira, autor do blog Domínio Tático, sobre o grupo que calhou em sorte ao Benfica na Liga dos Campeões. Perceba como jogam o Zenit, o Lyon e o RB Leipzig - e decore os nome das principais ameaças aos encarnados

Tiago Teixeira

Gualter Fatia

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Não sendo o pior grupo que podia calhar ao Benfica (no pote 1 evitou equipas muito superiores ao Zenit), este Grupo G está longe de ser um grupo fácil. São três equipas com qualidade, e principalmente, com qualidade individual bastante superior aquela que o Benfica enfrenta em quase todos os jogos do campeonato português. Só um Benfica ao seu melhor nível, tanto ofensivamente como defensivamente, poderá qualificar-se para os oitavos de final da Liga dos Campeões.

Zenit

Sergey Semak, treinador do Zenit

Sergey Semak, treinador do Zenit

OLGA MALTSEVA

Treinador: Sergey Semak
Sistema de jogo: 4x4x2 ou 4x2x3x1

Não sendo uma equipa particularmente criativa a nível ofensivo, o Zenit gosta de construir de forma apoiada desde trás, utilizando em muitos momentos uma saída a três, com um dos médios (preferencialmente é Wilmar Barrios) a baixar para o meio dos centrais (Ivanovic e Rakitskiy). É precisamente por Rakitskiy que o Zenit consegue chegar ao meio campo ofensivo com mais qualidade, uma vez que o central ucraniano é muitíssimo competente no passe vertical.

No meio campo ofensivo, os dois médios (Wilmar Barrios e Ozdoev) aparecem muitas vezes lado a lado, posicionados em cobertura, fora do bloco defensivo adversário. Os médios-ala (Driussi e Malcom deverão ser os titulares quando recuperarem de lesão), tanto aparecem no corredor central (espaço entre defesas e médios adversários), como nos corredores laterais para combinar com os respetivos defesas laterais.

O conjunto russo, tem demonstrado neste início de época ser uma equipa muito perigosa quando explora o jogo exterior, procurando muitas vezes servir a dupla de avançados (Azmoun e Dzyuba são ambos muito agressivos em zonas de finalização) através de cruzamentos.

A nível defensivo, o Zenit de Sergei Semak organiza-se preferencialmente em 4x4x2, num bloco médio. Apesar de apenas terem sofrido três golos nas sete jornadas já disputadas, têm demonstrado alguma dificuldade em manter o seu bloco defensivo compacto, permitindo em vários momentos que o adversário entre no espaço entre linhas com relativa facilidade.

Também no controlo de cruzamentos tem apresentado algumas lacunas, concedendo muito espaço entre os três jogadores (centrais e lateral do lado oposto) que defendem a baliza.

Principais figuras

Yaroslav Rakitskiy (30 anos)
O central ucraniano é fundamental na primeira fase de construção do Zenit. Destaca-se pela qualidade com que liga o processo ofensivo através do passe vertical, muitas vezes feito logo para o espaço entre a linha defensiva e a linha média adversária. Com a saída a três aparece muitas vezes descaído para o lado esquerdo.

Malcom (22 anos)
O extremo brasileiro - contratado esta época ao Barcelona - ainda só disputou 64 minutos com a camisola do Zenit (neste momento encontra-se lesionado) mas tem tudo para ser uma das principais figuras da presente época. A sua velocidade e capacidade no 1x1 ofensivo serão certamente uma dor de cabeça para os defesas laterais adversários.

Sebastián Driussi (23 anos)
O extremo argentino é um dos principais desequilibradores do ataque do Zenit. Muito forte em condução e com muita qualidade técnica, Driussi oferece criatividade ao processo ofensivo, tanto pelos corredores laterais, como quando aparece no espaço entre linhas do adversário.

Sardar Azmoun (24 anos)
O avançado internacional iraniano tem sido um dos destaques deste arranque de época, contando já com 4 golos nos oito jogos disputados. Além do que oferece em zonas de finalização, onde é muito competente tanto com os pés como com a cabeça, Azmoun é também um avançado que participa na fase de criação, aparecendo muitas vezes no espaço entre linhas do adversário.

Lyon

Sylvinho, treinador do Lyon

Sylvinho, treinador do Lyon

PASCAL GUYOT

Treinador: Sylvinho
Sistema de jogo: 4x3x3

O conjunto francês é ainda uma equipa em construção, uma vez que mudou de treinador e perdeu alguns jogadores muito importantes, como Fékir e N’Dombélé. Até ao momento, a imagem que o Lyon tem deixado é a de uma equipa que procura jogar um futebol apoiado e paciente desde zonas recuadas (construção entre defesas e médios), mas que também gosta de acelera em direção à baliza adversária, principalmente quando a bola chega ao trio da frente composto por Traoré, Dembélé e Depay.

Na fase de construção, é muito comum vermos os laterais (Dubois e Koné) na mesma linha dos centrais (Andersen e Denayer). O médio defensivo (Tousart) posiciona-se atrás da primeira linha de pressão adversária, enquanto os interiores (Thiago Mendes e Aouar) aparecem mais subidos, muitas vezes no espaço entre os médios e os defesas adversários, mas sempre a apoiarem os respetivos extremos.

Traoré, mais encostado ao corredor lateral direito, e Depay, que partindo da esquerda aparece muitas vezes no corredor central, são os principais desequilibradores, e procuram muitas vezes servir os movimentos de rotura de Dembélé, que é um avançado muito forte a explorar a profundidade.

A nível defensivo, o Lyon tem-se organizado em 4x1x4x1 num bloco médio. A principal lacuna diz respeito ao espaço que concedem entre os médios interiores e a linha defensiva, espaço esse que muitas vezes é demasiado grande para ser ocupado apenas pelo médio defensivo Tousart.

Principais figuras
Thiago Mendes (27 anos)
Depois de duas épocas ao serviço do Lille, o médio brasileiro transferiu-se para o Lyon e tem sido titular absoluto neste início de época. Destaca-se pela qualidade técnica com que executa e pelo critério com que decide, sendo também um médio com muita visão de jogo. Já leva 3 assistência nas três primeiras jornadas da liga francesa.

Houssem Aouar (21 anos)
O médio francês é um dos jogadores com mais qualidade e potencial do plantel do Lyon. Qualidade técnica, critério, criatividade, não há nada que falte a Aouar, e por isso, seja em zonas de construção seja já na criação, é um dos jogadores com mais recursos individuais para desequilibrar a organização defensiva adversária.

Memphis Depay (25 anos)
O internacional holandês é uma dor de cabeça para qualquer defesa adversária. Seja em ataque posicional ou em transições rápidas, Depay é sinónimo de velocidade, qualidade técnica e irreverência. Esta época, em apenas três jornadas, já leva 3 golos marcados e três assistências realizadas.

Moussa Dembélé (23 anos)
Avançado tremendamente difícil de parar. Fortíssimo nos duelos ofensivos, muito rápido, capaz de explorar a profundidade e muito forte tecnicamente, Dembélé é uma seta apontada às balizadas adversárias. O ano passado, na sua época de estreia no Lyon, fez 20 golos, e está época já leva 3 golos em três jogos realizados.

RB Leipzig

Nagelsmann, treinador do RB Leipzig

Nagelsmann, treinador do RB Leipzig

JOHN MACDOUGALL

Treinador: Julian Nagelsmann
Sistema de jogo: 3x4x2x1

Apesar de estarem apenas duas jornadas disputadas, e de esta ser a primeira época de Nagelsmann ao serviço do RB Leipzig, já é possível identificar perfeitamente a ideia de jogo e as dinâmicas que caracterizam as equipas do jovem treinador alemão.

Uma ideia de jogo cujo objetivo principal é chegar em condições vantajosas ao espaço entre a linha defensiva e a linha média adversária.

Na primeira fase de construção, os três centrais (Konaté, Mukiele e Orban) posicionam-se bem abertos, permitindo aos dois alas (Klostermann e Halstenberg) projetarem-se mais. Os dois médios (Kampl e Demme) movimenta-se muito nas costas da primeira linha de pressão adversária, enquanto Werner e Sabitzer percorrem o espaço entre os defesas e médios adversários, com a intenção de receber a bola e enquadrar em direção à baliza adversária. Poulsen surge como a referência ofensiva, demonstrando muita capacidade para jogar de costas para a baliza.

Dentro das dinâmicas, destaque para a forma como o RB Leipzig procura sempre variabilidade de movimentos, ou seja, uns baixam para ser apoio e outros pedem a bola em rotura, e para a capacidade que demonstram para variar o centro de jogo, explorando o posicionamento bem aberto dos alas.

A nível defensivo, o RB Leipzig procura quase sempre condicionar a construção adversária logo numa fase inicial, mas tem revelado alguma dificuldade nesse momento do jogo. Com Poulsen e Werner no corredor central, e com uma linha defensiva composta por cinco elementos, os médios são muitas vezes obrigados a descolarem-se para os corredores laterais, o que cria espaço em zonas interiores.

Principais figuras
Ibrahima Konaté (20 anos)
Sendo o RB Leipzig uma equipa que gosta de sair a jogar de forma apoiada, ter um central como Konaté é fundamental. O jovem francês, apesar de ser bastante alto (1.93), é um central muito rápido e muito evoluído tecnicamente, destacando-se pela maneira como sai em condução e pela qualidade no passe vertical.

Marcel Sabitzer (25 anos)
O extremo/médio ofensivo austríaco, tem sido uma das principais figuras deste início de época do RB Leipzig, levando já 3 golos marcados e 3 assistências realizadas em apenas três jogos. Destaca-se pela qualidade de passe, visão de jogo e capacidade em zonas de finalização.

Timo Werner (23 anos)
O internacional alemão, que tanto pode atuar como avançado centro ou como médio ofensivo nas costas do “9”, é um jogador extremamente completo a nível ofensivo. Aparece entre linhas a pedir em apoio, tem capacidade para explorar a profundidade, é forte tecnicamente e finaliza com qualidade. A época passada fez 20 golos e esta época já leva 2 golos em três jogos.

Yussuf Poulsen (25 anos)
O gigante dinamarquês (1.93) é um ponta de lança muitíssimo difícil de parar, uma vez que, para a altura que tem, é bastante móvel. À qualidade e agressividade que oferece em zonas de finalização, junta também muita capacidade para jogar de costas para a baliza e servir de apoio frontal. O ano passado fez 19 golos e esta época leva 1 golo marcado nos três jogos disputados.