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Benfica

Com vontade (de) grande

O V. Guimarães foi ao Estádio da Luz jogar como grande frente ao Benfica, num o jogo acabou sem golos. Mas golos foi mesmo a única coisa que faltou, porque oportunidades e futebol decente também podem acontecer em noites de quarta-feira da Taça da Liga

Lídia Paralta Gomes

Gualter Fatia/Getty

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Há algumas variáveis que, juntas, dificilmente dão bom resultado. Conseguem pensar em algo de bom quando se junta Taça da Liga + quarta-feira + nulo? Bem me parecia. Mas a graça das ciências não exatas é que até as variáveis desfavoráveis podem redundar em algo decente. Como o Benfica - V. Guimarães desta ainda não totalmente fria noite de quarta-feira e Taça da Liga, que acabou sem golos, mas com uns interessantes 90 minutos de futebol, muito culpa de uma equipa não grande, mas com atitude de grande.

Porque este Vitória de Guimarães de Ivo Vieira pode até não ter arrancado a época com os melhores resultados, mas os resultados só não aparecem quando não há uma ideia. A este Vitória não faltam ideias e qualidade. E esta noite também não faltou a vontade de ser igual, de não abdicar de um conceito bem próprio e foi por isso que os primeiros minutos de jogo na Luz foram apenas e somente dos visitantes.

Com as duas equipas com muitas alterações, em onzes onde conviveram indiscutíveis e jogadores à procura de minutos, o primeiro perigo foi mesmo de um desses tais indiscutíveis: aos 6’, e após uma jogada de insistência do Vitória, a pressionar o Benfica com bola, o brasileiro Davidson fletiu bem para o centro e rematou forte, mas um pouco por cima. Três minutos depois seria Rochinha a falhar por pouco, depois de receber de forma exemplar um passe de Sacko.

Perigo do Benfica só se viu já para lá dos 15’, com Jardel, de cabeça, a responder a um cruzamento tenso de Taarabt. Estávamos então a meio, mais coisa, menos coisa, de um bom arranque de jogo, mais intenso do que o costume para um encontro de Taça da Liga, uma intensidade que, talvez, o Benfica não estivesse à espera - e talvez por isso tenha demorado a equilibrar, a ter mais bola, embora oportunidades a sério, só mesmo do outro lado.

Gualter Fatia/Getty

Porque o V. Guimarães só não foi a vencer para o intervalo por uma daquelas contingências futebolistas que convencionámos chamar de azar, exista ele ou não. Porque não acontece todos os dias, na mesma jogada, ver um guarda-redes salvar uma bola na linha de golo e na sequência acontecer ainda uma bola ao poste e outra logo a seguir à barra.

Mas foi o que aconteceu. Já com o relógio a bater nos 45’, Zlobin falhou num cruzamento, mas depois emendou a mão para salvar um remate de Leo Bonatini. Na continuação do lance, Davidson e depois de novo Bonatini tiveram pontaria a mais.

Na 2.ª parte o Benfica entrou mais pressionante mas rapidamente o V. Guimarães equilibrou, com o seu jogo de grande, sem medo dos grandes, a querer ser como os grandes, um equilíbrio acentuado com a entrada de Lucas Evangelista e ameaçado apenas quando Gabriel e Rafa saltaram do banco para o relvado.

Ainda assim, como equipa adulta que neste momento é, o V. Guimarães soube onde anular o Benfica: raramente deixou os encarnados ter espaço ao meio, obrigando a muitos erros que posteriormente deram lugar a longas bolas lá para a frente, coisa anteriormente raramente vista entre os jogadores de Bruno Lage.

Mais para o final, surgiram então algumas oportunidades para o Benfica, por Seferovic aos 80’ e Rafa aos 85’, mas a justiça deste jogo havia de se escrever, e bem, com um empate.

Faltaram só os golos, porque houve muitas e boas oportunidades para os dois lados, golos que dariam um pouco de mais cor a um jogo que, apesar de todas as variáveis, saiu melhor do que a encomenda.