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Taarabt e o futuro que não chegou a ser: "O Sterling mandou-me mensagem há uns meses. Eu era o ídolo dele"

Em entrevista à revista britânica "FourFourTwo", Adel Taarabt recordou o passado em Inglaterra e confessou que sabia que tinha talento para ir mais longe... mas perdeu-se pelo caminho. Ainda assim, encontrou-se em Portugal: "Demorei três anos a conseguir-me ajustar-me no Benfica, porque quando jogava em Inglaterra estava sozinho. Aqui, é tudo muito mais organizado e profissional. Perdi 10 ou 11 quilos, com o meu trabalho árduo. Nunca trabalhei tanto como trabalhei no Benfica, para ganhar uma oportunidade"

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Carlos Rodrigues

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Tottenham, QPR e Fulham. Adel Taarabt teve tudo para vingar em Inglaterra, mas, como confessou à revista "FouFourTwo" na sua edição de novembro, acabou por se perder. "Quando olho para trás, penso que deveria ter sido mais paciente, mas não foi fácil porque o Tottenham era um dos cinco clubes mais fortes da Premier League", explicou, referindo-se às épocas de 2006/07 e 2007/08, quando representou os 'spurs', proveniente do Lens.

"Quando tens 17 anos e estás no balneário com Edgar Davids, Dimitar Berbatov e Robbie Keane, não é fácil. Agora já têm uma boa mistura entre experiência e juventude talentosa e Pochettino é treinador há quatro ou cinco anos, o que dá estabilidade. Quando cheguei lá, a cada seis meses era um novo treinador", explicou.

Em 2008/09, Taaratb foi emprestado ao QPR, onde as coisas começaram bem, mas... "Deram-me muita confiança, logo no primeiro ano, gostei muito. O Paulo Sousa era o treinador e jogávamos um bom futebol. No ano seguinte chegou o Neil Warnock e ele era muito bom para mim, mas às vezes isso não ajudava a minha carreira. Deu-me tanta liberdade. Tinha 19 ou 20 anos e ele nomeou-me capitão. Dava-me o que eu queria. Às vezes dizia-me para ter dois ou três dias de folga e ir para casa. Ele dizia: 'Não quero ver-te, só precisas de ganhar os jogos por mim'", contou.

"Sempre que chegava ao relvado, os adeptos faziam-me sentir como o melhor jogador e jogava livremente. Jogava como se estivesse no meu jardim", gracejou.

Taarabt também contou que foi contactado por Raheem Sterling, agora jogador do Manchester City, que tinha o então jogador do QPR como ídolo. "Ele mandou-me uma mensagem há uns meses. Ouvi uma entrevista em que ele disse que eu era o ídolo dele. Hoje em dia os ídolos são Cristiano Ronaldo ou Lionel Messi, mas quando ele era jovem, ele via-me a mim", disse.

O excesso de peso no Benfica e a comparação com Pogba

Sobre a alegada falta de profissionalismo de que foi sendo acusado, o jogador do Benfica explicou que nem sempre teve culpa. "Há jogadores que não jogam um ano e as pessoas não dizem nada, mas quando eu não jogo toda a gente pensa que fiz algum coisa errada. Demorei três anos a conseguir-me ajustar-me no Benfica, porque quando jogava em Inglaterra estava sozinho. Aqui, é tudo muito mais organizado e profissional. Perdi 10 ou 11 quilos, com o meu trabalho árduo. Nunca trabalhei tanto como trabalhei no Benfica, para ganhar uma oportunidade", admitiu.

O internacional marroquino também confessou, ainda assim, que não chegou bem ao Benfica. "Para ser honesto, no primeiro ano tinha excesso de peso. Mas depois de dois ou três meses perdi dois ou três quilos. Na minha carreira nem sempre fui paciente. Queria as coisas rapidamente. Tive dificuldades em aceitar que estava no banco".

Taarabt comparou a sua situação, de certo modo, à de Paul Pogba, jogador do Manchester United. "Há jogadores sobre os quais as pessoas adoram falar. Em Inglaterra agora falam de Pogba todas as semanas, quer jogue bem ou mal. Estão sempre a falar sobre ele. Acho que isso aconteceu comigo também. Todas as semanas esperavam que fizesse assistências ou marcasse golos", afirmou.