Tribuna Expresso

Perfil

Benfica

Benfica: Iron, Lyon, Zzion

O Benfica bateu o Lyon num lance extraordinário de Pizzi que aproveitou um erro infantil do português de Anthony Lopes a cinco minutos do fim do jogo, instantes depois de ter chutado ao ferro. Os encarnados somaram os primeiros três pontos na Liga dos Campeões esta época

Pedro Candeias

NurPhoto

Partilhar

Acompanhem-me no raciocínio:
O Benfica - Lyon era um quebra-cabeças filosófico, pois as duas equipas são à prova de simples silogismos que nos permitem concluir que uma é assim, porque sim, e a outra assado, porque não sei o quê.

Basicamente, o Benfica e o Lyon confundem-nos: os portugueses não estão nada mal na Liga e péssimos na Liga dos Campeões, com deprimentes zero pontos somados com o RB Leipzig e o Zenit, adversários à partida acessíveis; os franceses estão francamente mal na Ligue 1 (17.º lugar) e honrosamente classificados na Champions, com quatro pontos saídos de um empate com o Zenit e de uma vitória surpreendente com o RB Leipizg.

A juntar a isto, o treinador do Benfica tem tendência para mudar o onze e o Lyon acabou de mudar de treinador. Sylvinho foi substituído por Rudi Garcia que se estreou contra o Dijon (0-0) no fim de semana, impossibilitando, por isso, uma avaliação apropriada de Lage e companhia.

Mais imprevísivel que isto, difícil.

Olhando para as inesperadas escolhas de Lage - Cervi à esquerda; Rafa como avançado ao lado de Seferovic; Gedson como médio direito; Pizzi e RDT no banco - é possível acreditar que quisesse apostar na cobertura à velocidade dos extremos e laterais do Lyon; e, claro, lançar-se num frenesim de contra-ataques nas pernas de Rafa, Gedson e Cervi.

Fosse como fosse, o que certamente não estava no planos, mas que serviu na perfeição, foi o golo aos quatro minutos, numa intrincada sucessão de passes (e um disparate do central do Lyon) que pôs Cervi a servir Rafa para o 1-0. A partir desse momento, pensou-se, o Benfica estava no ponto para somar os três pontos, porque apesar de tudo - de todas as análises que se possam escrever sobre controlo e posse e afins - é em transição que se sente confortável.

Na primeira-parte, aliás, foi assim que poderia ter feito o 2-0 e o 3-0 pelo sempre presente Seferovic que mantém uma singular capacidade para falhar golos feitos, a despeito das generosas ofertas da defesa francesa, nomeadamente de Jason Denaye. Pelo meio, Cornet teve uma oportunidade de empatar, mas Alex Grimaldo, num carrinho feito no limite, conseguiu safar a coisa.

Chegou o intervalo, sem Rafa (lesionado) e com Pizzi, e o Benfica à frente, a aproveitar o desacerto e a pouca clarividência alheias na ocupação de espaços lá atrás e também na busca de espaços interiores lá à frente. Parecia fácil, com Florentino a proteger e Gabriel a conduzir. Parecia, às tantas, que bastava trocar Seferovic por alguém para o clique final.

Só que os planos inverteram-se e, na segunda-parte, o Benfica perdeu a calma e a coisa começou a resvalar para o empate. Num lance, Rúben Dias fez um corte pelo chão; noutro, Rúben Dias parou com a cabeça um remate violento; num terceiro, Rúben Dias viu uma bola chutada por Cornet desviar em Ferro e bater no ferro de Vlachodimos; por fim, no quarto, Rúben Dias recuou perante a passividade dos colegas que não apertaram Aouar que acabaria por cruzar para o golo de Depay, sozinho e sem marcação num lugar proibido.

No entretanto, já Seferovic saíra a coxear para entrar Vinicius, e o Benfica começava estranhamente a ceder perante o fulgor francês, alimentado pela intensidade de Dembele e de Depay: o holandês, que um dia foi contratado por 34,5 milhões pelo Manchester United, obrigaria ainda Vlachodimos a uma defesa extraordinária, num remate em arco.

Isso aconteceu aos 80’, num momento em que o Lyon estava claramente a dominar este Benfica bipolar, pelo que na Luz os assobios eram muitos - no ar sentia-se o frio gélido e cortante da derrota que atiraria os encarnados borda fora desta Liga dos Campeões. Outra vez.

Foi então que os astros se alinharam cosmicamente e dois fenómenos como que se atropelaram, quase não dando tempo para os distinguir no tempo, como se um fosse a consequência do outro, uma decisão divina, uma qualquer compensação do Universo.

Relatando, Pizzi rematou aos 85’ e a bola fez um arco impensável que a levou ao poste; no mesmo minuto, o português Anthony Lopes fez uma assistência, também esta impensável, para os pés do mesmo Pizzi que fez um chapéu notável para o 2-1. O triunfo e os três pontos caíram proverbialmente do céu.

Classificação do Grupo G:

1. RB Leipzig 6 ponto
2. Zenit 4 pontos
3. Lyon 4 pontos
4. Benfica 3 pontos