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E o 21 voltou

O regresso das boas exibições de Pizzi coincidiu com um dos jogos mais seguros do Benfica nos últimos meses. A vitória por 2-0 frente ao Rio Ave mostra uma equipa de Bruno Lage em crescendo depois de meses de crise existencial

Lídia Paralta Gomes

Pedro Fiúza/NurPhoto via Getty Images

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Calha a todos. Aqueles momentos de vazio, de incerteza sobre quem somos, o que somos, para onde queremos ir, qual é o nosso lugar no mundo. Momentos em que andamos por aí, não brilhando nem destruindo, apáticos, à espera que a energia regresse, seja por magia (porque às vezes é mesmo assim) ou por súbito entendimento das nossas maleitas.

É difícil fazer o diagnóstico dos últimos meses do Benfica, porque a crise existencial foi inesperada e sem explicações inequívocas, após um início de campeonato em que os encarnados pareciam ter apenas premido o play depois de terem colocado em pause no final da época passada. Perguntas e respostas à parte, a crise parece, por ora, amenizada, depois de uma semana que os encarnados fecham com duas exibições bastante interessantes, quarta-feira frente ao Portimonense e, principalmente, este sábado com o Rio Ave (2-0).

Ajudou seguramente que o Rio Ave tenha chegado à Luz com medo nível zero, a tentar ter posse e a construir, a surpreender ao passar a 1.ª parte a atacar com uma linha de três e laterais altamente projetados na frente. Enfrentar uma equipa que joga bem ajuda a subir o nível, como alguém que nos faz rir também nos ajuda a sair da crise. E foi isso que o Benfica fez, principalmente após o intervalo, após uma 1.ª parte equilibrada não por demérito de alguém mas sim porque as duas equipas procuraram sempre um futebol positivo.

PATRICIA DE MELO MOREIRA/Getty

Mesmo que o jogo estivesse bom e com muita ação em ambas as áreas, o certo é que o perigo nem sempre rondou as balizas: antes do golo de Rúben Dias, aos 32 minutos e na sequência de um canto marcado por Pizzi, só um remate colocado de Cervi aos 9 teve o selo de ‘oportunidade’. Foi então uma bola parada a desbloquear a situação, na cabeça certeira de Rúben Dias, que também já tinha meio que desengatilhado o jogo do Benfica na quarta-feira quando fez o 2-0. Mas os resultados só se viram no arranque da 2.ª parte, depois do maior susto que os encarnados tiveram ao longo dos 90 minutos, um remate ao ferro de Nuno Santos a cinco minutos do intervalo, depois do ex-Benfica ultrapassar André Almeida em velocidade.

Se na 1.ª parte a iniciativa de jogo esteve sempre bastante dividida, na 2.ª a história foi outra. O Benfica entrou desde logo sem vontade de abdicar da bola e do controlo do jogo e aos 51’ fez mais um golo: numa boa jogada pela esquerda entre Vinícius, Grimaldo e Cervi, o argentino fez o passe atrasado que foi encontrar Pizzi no coração da área. Com apenas um movimento, o 21 tirou dois adversários do caminho e finalizou com calma e classe.

E se Pizzi era uma espécie de espelho da crise de identidade do Benfica, o seu regresso às exibições decisivas coincide com o regresso de um Benfica mais próximo daquilo que se viu na época passada e início desta temporada.

Daí para a frente, o Benfica fez o que quis. Primeiro, anulou completamente qualquer iniciativa de um Rio Ave que tão bem tinha jogado na 1.ª parte com uma pressão constante e sufocante. Depois, cavalgou com tudo para o ataque, mesmo que nem sempre se concretizasse em perigo iminente

Ainda assim houve boas jogadas, grande entendimento na frente e, pelo menos, o desaparecimento do Benfica fleumático dos últimos meses, com uma dinâmica e intensidade que há muito não se via no estádio da Luz.

E, pelo menos até domingo, a liderança está bem segura.