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Luís Filipe Vieira garante quase €4 milhões para quando sair do Benfica

O presidente do Benfica não pode vender as ações da SAD que detém na OPA agora anunciada pelo clube. Contudo, quando sair de funções, tem essa possibilidade. E a €5 por ação, o que lhe garante quase €4 milhões, no total

Diogo Cavaleiro

Tiago Miranda

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A Sport Lisboa e Benfica SGPS SA, uma das empresas de topo da esfera das águias, anunciou uma oferta de aquisição (OPA) de ações da SAD encarnada que não estão nas suas mãos. A SAD tem vários acionistas, desde o construtor civil José Guilherme, conhecido por ter oferecido 14 milhões de euros a Ricardo Salgado, à Olivedesportos, de Joaquim Oliveira, passando por outros benfiquistas e investidores anónimos que compraram os títulos desde 2001. Mas há mais: o próprio Luís Filipe Vieira e outros membros da administração são acionistas. Só que, nestes últimos casos, estão impedidos de vender as ações. Por agora.

Na presente oferta lançada pela “holding” Sport Lisboa Benfica SGPS SA sobre a Benfica SAD, cujo anúncio preliminar foi enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), as ações de Luís Filipe Vieira, de Domingos Soares d'Almeida Lima, de Nuno Gaioso Ribeiro e de outros membros de órgãos sociais não podem ser adquiridas. Quer isto dizer que todos estão impedidos de vendê-las à “holding” do clube ao preço da operação, os 5 euros – o preço a que os títulos foram vendidos a acionistas em 2001.

Contudo, no futuro, o atual presidente e os seus colegas de administração podem vir a vender estes títulos àquele preço. Segundo o anúncio, está inscrito que será “proposta pelo oferente [Sport Lisboa Benfica SGPS SA] aos membros de órgãos sociais a compra, aquando da respetiva cessação das funções em causa, das ações de que são titulares ao preço da oferta e demais condições aplicáveis aos destinatários da oferta”.

Ou seja, Luís Filipe Vieira e outros membros da administração, quando deixarem esses cargos, poderão vender os seus títulos a 5 euros – independentemente do valor a que as ações da SAD estiverem a negociar nessa altura, já que, apesar da oferta, o Benfica quer manter esta sua empresa cotada em bolsa. Esta segunda-feira, antes do anúncio da OPA, os títulos tinham fechado a valer 2,80 euros, o que mostra que há um prémio significativo, de 79%, no preço oferecido aos atuais acionistas.

No caso do presidente dos encarnados, quando o deixar de ser, e se aceitar a proposta que então será feita, poderá encaixar 3,77 milhões de euros, já que tem, atualmente, mais de 763 mil ações da SAD das águias.

É, claramente, o gestor do clube da Luz que mais dinheiro poderá fazer, já que é aquele que mais títulos possui. Seguem-se Nuno Gaioso Ribeiro e José Silva Appleton, que têm 500 ações cada um, pelo que conseguirão 2.500 euros. Domingos Soares d'Almeida, com 50 títulos nas suas mãos, encaixará apenas 250 euros, se a proposta for aceite.

A operação tem ainda de ser confirmada. O seu lançamento, agora anunciado preliminarmente, carece de registo prévio junto da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM). Havendo luz verde, terá de ser publicado um prospeto onde serão dadas informações sobre o clube.

(Ao contrário do inicialmente referido, não é Domingos Soares de Oliveira que detém ações do Benfica SAD, mas sim Domingos Soares d'Almeida Lima)