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Bruno Lage, a despedida da Champions e a vida de um ponta de lança: "Digo-lhes para começarem a ver o Canal Panda"

Tudo começou com uma pergunta sobre Carlos Vinícius, o goleador de serviço nos tempos recentes. O treinador do Benfica arrancou com uma análise ao papel dos avançados para, depois, terminar a antevisão ao último jogo, esta época, na Liga dos Campeões, contra o Zenit (20h, TVI), a dizer que a equipa jogará melhor se "deixar de parte um passado carregado de emoções e sentimentos negativos"

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PATRICIA DE MELO MOREIRA/Getty

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A vida de um avançado

A primeira coisa que digo aos jogadores é para começarem a ver o cana Panda. É meio caminho andado para estarem sempre tranquilos. Cobra-se muito aos avançados. A equipa vence, o avançado não marca golo e, para ele, não tem o mesmo sabor de vitória. Nós temos de entender e dar sempre uma tranquilidade tremenda aos nossos avançados.

Quando temos a bola, são os jogadores no campo que menos vezes tocam na bola. Normalmente estão a disputar situações contra os dois centrais, estão de costas para a equipa adversária, estão a ver a equipa a jogar e a preparar a jogada, a ver os alas a chegar à linha de fundo.

Têm de calcular, tirar adversários do caminho, esconder-se dos adversários para atacarem no tempo certo. E a bola chega ao ala e ele não cruza a bola no tempo certo ou cruza mais alto, mais baixo e a bola não chega lá. E o ponta de lança vem mais triste para trás. A vida do ponta de lança é isto: é passar muito tempo isolado e de repente, com um toque, ele faz com que uma jogada normal se transforme numa bonita jogada."

O fator medo

"Quando a equipa não tem medo e encara todos os desafios com oportunidade, apresenta-se sempre bem. Esse tem de ser o nosso desafio e a nossa mentalidade: deixar de parte um passado carregado de emoções e sentimentos negativos e olhar para cada oportunidade como uma forma de conquistar coisas que ainda não conquistámos. É nisso que temos de estar focados: a qualidade e a determinação estão lá.

O que espera do Zenit

"Seria uma surpresa para mim o Zenit jogar com uma linha de cinco. Mas estamos preparados para tudo.Temos de saber lidar com várias situações. Precisamos de ter capacidade para atrair e chegar às zonas de finalização, mas por outro lado, a equipa também tem de manter sempre o equilíbrio e ficar atenta aos jogadores da frente, que são muito perigosos. É importante a equipa não se desequilibrar e temos de conseguir prever vários cenários para dar boas respostas.

Vimos muitos jogos do Zenit. É uma equipa que tem uma saída de bola muito interessante e que consegue várias dinâmicas com os quatro homens da frente. Quando lançar bolas para a frente vai tentar fugir ao confronto entre pontas de lança e centrais, e disputar bolas com os nossos laterais. É uma equipa que joga com muita gente a atacar a profundidade, mas que é muito consistente a defender. E à semelhança das outras equipas deste grupo, vale muito pelo coletivo."