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Se tem obrigações do Benfica, vai receber dinheiro que não esperava. Mas terá menos em 2021

A Benfica SAD vai fazer o reembolso antecipado de obrigações emitidas em 2018 e que só seriam devolvidas em 2021. Os titulares vão receber em janeiro €2,91475 por cada título. Mas as obrigações que detêm vão ter um valor menor

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Os titulares de obrigações do Benfica, que deviam ser devolvidas apenas em 2021, vão receber uma parcela deste investimento já no início do ano. A sociedade anónima desportiva das águias decidiu proceder ao reembolso antecipado parcial das obrigações emitidas em 2018, num valor em torno de 25 milhões de euros. Um passo dado quando ainda aguarda a oficialização da oferta pública de aquisição lançada pelo clube.

Segundo o comunicado enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários, o reembolso antecipado parcial das obrigações Benfica SAD 2018-2021 ocorrerá a 18 de janeiro de 2020, a primeira data em que esse reembolso poderia ser feito. Nada acontecerá à emissão de 2019, cujo reembolso final está agendado para 2022, nem à de 2017, cuja maturidade é no próximo ano.

As obrigações em causa têm, cada uma, o valor unitário de 5 euros, mas, havendo um reembolso parcial de 2,78 euros, este descerá para 2,22 euros.

Ainda assim, os obrigacionistas da SAD receberão mais do que apenas os 2,78 euros de capital. Também terão direito a juros corridos de 0,10 euros, a que vão acrescentar ainda 0,03475 euros (como o reembolso é antecipado, há uma taxa a pagar como compensação – por o reembolso ser feito logo na primeira data possível, a taxa é de 1,25%). Ao todo, o valor unitário é de 2,91475 euros.

Estes são os valores por obrigação, pelo que terão de ser multiplicados pelo número de títulos nas mãos de cada um.

A antecipação do reembolso era algo assumido logo no prospeto, documento onde são elencados os riscos de cada investimento. Este poderia ser feito ou em janeiro ou em julho de 2020 ou em janeiro de 2021 – o reembolso final será em julho desse ano.

A SAD liderada por Luís Filipe Vieira decidiu fazê-lo logo na primeira oportunidade, ainda que, no comunicado, não haja nenhuma justificação para esta opção, que, de qualquer forma, permite fazer uma gestão do seu passivo.

Quando houve a emissão, o prospeto apontava para a possibilidade de os investidores com obrigações não terem oportunidade de reinvestir o capital que vão receber agora sem estarem à espera “de imediato ou de forma igualmente eficiente, nomeadamente no que se refere à remuneração”. A taxa de juro é de 4%, bastante acima das alternativas de mercado num ambiente de taxas de juro em mínimos.

A opção da SAD é tomada quando está a ser alvo de uma oferta pública de aquisição por parte do clube, que pretende reforçar o seu controlo - uma operação que se arrastará para 2020.