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Encontra alguém que olhe para ti, como o Benfica olha para Rafa

Em duas substituições e em dois lances o Benfica venceu o dérbi: primeiro, quando o poderoso Vinicius derrubou os adversários como castelinhos de cartas e passou a bola para o 1-0 de Rafa; segundo, quando Rafa chutou de trivela a passe de Seferovic para o 2-0. Quando mais foi preciso, o investimento pagou-se com o bis do futebolista mais decisivo do campeonato anterior. O Benfica tem mais dinheiro, mais adeptos, melhor estrutura e melhores jogadores. Ganhar, em Portugal, parece uma inevitabilidade

Pedro Candeias

PATRICIA DE MELO MOREIRA

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Começar a jogar este jogo sem pensar no jogo que se jogara minutos antes era impraticável: o FC Porto perdera no Dragão com o Braga e a narrativa do campeonato podia desarranjar-se substancialmente a favor do Benfica, no preciso dia em que a Liga dava a volta.

O dérbi, que é sempre o dérbi, podia ser não só o dérbi entre um vencedor e um derrotado, mas o dérbi que deixaria o Benfica com sete pontos de avanço sobre o FC Porto - e 19 sobre o Sporting. Em janeiro.

Portanto, o Benfica entrou com a pressa dos que fogem e o Sporting com a urgência dos que não podem ficar para trás, resultando isso numa sequência de jogadas perigosas para ambos os lados.

Contabilizando umas e outras, os encarnados somaram mais - por Cervi (minuto 2), Carlos Vinicius (minuto 3), Pizzi (minuto 12), Gabriel (minuto 21), André Almeida (31’) -, mas os de Alvalade chutaram ao poste, por Rafael Camacho (minuto 13), quando Ferro se movimentou com a inércia de uma preguiça.

Encapsulando o dérbi apenas naqueles instantes, dir-se-ia que o encontro se apresentava para um triunfo do Benfica, que, com as suas triangulações à esquerda e à direita e também nos pontapés de canto ou livres laterais, ia encontrando oportunidades para se chegar com relativa facilidade a Max; ao Sporting, caberia explorar erros de marcação na grande área em bolas paradas e no evidente mau momento de Ferro.

Só que bola é bola e tudo se altera em questões de segundo, ansiedades ou inexperiências - a propósito, houve cinco estreantes em dérbis (Max, Bolasie e Camacho; Weigl e Vinicius) - pelo que o mais avisado seria não apostar em prognósticos potencialmente escangalhados pelo génio de Bruno Fernandes: aos 38’ o capitão maravilha de Alvalade arrancou com a bola e o voluntarioso mas sofrível Bolasie disparou sem força.

O Sporting, por vezes dominado, estava ainda vivo e até iria respirar melhor na segunda-parte, apesar do fumo lançado das bancadas da Juve Leo contra Max, que deixou o dérbi suspenso durante largos minutos. Nos momentos que se seguiram, um remate de Doumbia (62’), a insolência criativa de Rafael Camacho, a competitividade de Acuña, e as más escolhas de Chiquinho e um ligeiro apagão encarnado, deixaram a equipa do Sporting confortável no encontro.

Só que depois, bom, depois a mais implacável das leis da natureza - a lei do mais forte - fez a sua aparição e o jogo acabou. Porque nestas coisas das técnicas e das táticas, das sortes e dos azares, é simples explicar, exatamente, porque é que uns ganham mais do que os outros. E é por causa disto: Lage quis sacudir o dérbi, puxou por Rafa e Seferovic num banco de suplentes onde ainda estavam Taarabt ou Samaris; e do outro lado estavam Plata, Pedro Mendes e o convalescente Battaglia.

Em duas substituições e em dois lances o Benfica venceu o dérbi: primeiro, quando o poderoso Vinicius derrubou os adversários como castelinhos de cartas e passou a bola para o 1-0 de Rafa; segundo, quando Rafa chutou de trivela a passe de Seferovic para o 2-0. Quando mais foi preciso, o investimento pagou-se com o bis do futebolista mais decisivo do campeonato anterior.

O Benfica tem mais dinheiro, mais adeptos, melhor estrutura e melhores jogadores. Ganhar, em Portugal, parece uma inevitabilidade.