Tribuna Expresso

Perfil

Benfica

CMVM deteta irregularidade e chumba OPA do Benfica sobre SAD

SAD do SLB iria financiar SLB para SLB reforçar posição na SAD. Operação é irregular no contexto de uma OPA e, por isso, CMVM ditou o seu fim

Diogo Cavaleiro

JOSÉ SENA GOULÃO

Partilhar

A Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) encontrou irregularidades na oferta pública de aquisição que o Benfica lançou sobre a sua sociedade anónima desportiva (SAD) em novembro passado. Aliás, de acordo com a TVI, essas irregularidades levaram já ao chumbo da operação nos seus moldes atuais. Esta novidade é a razão para que o regulador tenha determinado a suspensão da negociação das ações da SAD na Bolsa de Lisboa. Falta, agora, a SAD comunicar este dado ao mercado.

Segundo informações avançadas pela TVI, e que o Expresso conseguiu apurar, o modelo de financiamento da OPA é o ponto que levantou as preocupações no regulador liderado por Gabriela Figueiredo Dias. Diz o canal que o modelo financiamento era conseguido com o aumento das rendas cobradas pela Benfica SGPS à SAD pela utilização do estádio, além da antecipação dessas rendas em vários anos. Ou seja, o clube recebia dinheiro da SAD para depois usá-lo para comprar ações da SAD. O que não pode acontecer num contexto de uma OPA: o alvo da oferta não pode ser o financiador da mesma oferta.

O clube tem cerca de 67% do capital da SAD, querendo chegar a um máximo de 95% do capital. Tanto a SAD como o clube são presididos por Luís Filipe Vieira.

A OPA poderia custar 32 milhões de euros ao clube (5 euros por ação, bastante acima da cotação a que os títulos negociavam então. Os maiores beneficiários seriam os acionistas individuais da SAD, desde logo José António dos Santos (do Grupo Avibom), com quem o presidente do clube tem negócios imobiliários (ainda que o próprio tenha dito posteriormente que não iria vender as ações na operação e até reforçou a sua participação), mas também o próprio Luís Filipe Vieira, que é também acionista (não podendo vender na OPA, ficava com a possibilidade de alienar essas ações quando saísse do cargo, o que renderia quase 4 milhões).

A TVI sublinha que a irregularidade na OPA (e não ilegalidade) devia, além de tudo, ter sido comunicada nos documentos já tornados públicos sobre a operação. Não aconteceu – aliás, o que pode levar à abertura de uma contraordenação por parte da CMVM, já que a informação deveria ter sido pública.

A oferta pública de aquisição cai, então, nos moldes atuais pelo chumbo da CMVM.

Na sexta-feira passada, o Jornal Económico noticiou que o Benfica assumia a possibilidade de deixar cair a OPA sobre a SAD, pedindo para o efeito para que a CMVM olhasse para os efeitos da pandemia de covid-19. Contudo, a razão para a operação falhar é outra: uma decisão do próprio regulador.

Assim, esta segunda-feira, a autoridade do mercado de capitais decidiu suspender a negociação das ações do Benfica até à divulgação de informação relevante ao mercado”.

Não temos nada a acrescentar ao mencionado no comunicado de que se aguarda a divulgação de informação relevante ao mercado por parte do Benfica”, respondeu a CMVM a questões do Expresso sobre esta decisão.