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Benfica quer acabar com a OPA mas não pelas razões que a CMVM quer

A CMVM determinou o chumbo da OPA devido ao modelo de financiamento e o Benfica vai reagir (e até ameaça com os tribunais). Só que o clube lança agora outro dado para o xadrez: é ele próprio que solicita o fim da OPA à SAD por conta da pandemia de covid-19

Diogo Cavaleiro

JOSÉ SENA GOULÃO

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Há mais um passo na confusão em torno da operação através do qual o Benfica quer reforçar a presença na sua sociedade anónima desportiva. O Benfica diz agora que quer acabar com a OPA que lançou sobre a SAD, mas não pelas razões que a Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) apresentou para chumbar a operação.

Um dia depois de ter sido notificado pela CMVM de que a OPA ia cair, por conta do modelo de financiamento escolhido, o Benfica informa em comunicado que, no seu entendimento, nada há de errado nesse modelo e que, portanto, o regulador não tem razões para chumbar a operação. De qualquer forma, e embora diga que vai responder a essa decisão da CMVM, o clube presidido por Luís Filipe Vieira quer acabar com a OPA. Mas nada relacionado com o modelo de financiamento. A justificação é o covid-19.

“A Benfica SGPS apresentou à CMVM um requerimento de autorização desta autoridade para revogação da oferta pública de aquisição de ações representativas do capital social da Sport Lisboa e Benfica – Futebol, SAD preliminarmente anunciada pela Benfica SGPS em 18 de novembro de 2019”, assinala o comunicado enviado ao regulador na noite desta terça-feira, 24 de março.

Segundo a nota, “a revogação da oferta já vinha sendo discutida com a CMVM desde que se tornou do conhecimento público, no dia 12 de março de 2020, a suspensão do campeonato nacional de futebol – Liga NOS”. Esta possibilidade tinha sido já noticiada na semana passada pelo Jornal Económico.

A justificação para que haja a revogação dessa oferta – que aguardava desde novembro por uma luz verde do regulador – passa pela “alteração das circunstâncias determinadas pela pandemia associada ao novo coronavírus – Covid-19 e os impactos da mesma, diretos e indiretos”.

Neste comunicado, o Benfica acrescenta, assim, mais uma questão à já longa história da OPA falhada do Benfica sobre a SAD, em que o clube esperava passar de 67% do capital até aos 95%.

No comunicado que faz esta terça-feira - e depois da solicitação da CMVM -, o Benfica dá detalhes sobre a operação, confirmando que envolve a Benfica Estádio.

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