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Ricardo Gomes: “Nas Antas, os tripeiros acharam que íamos chegar e deitar, mas sofreram. O Benfica e o César Brito tiveram um dia brilhante”

Em entrevista na plataforma "Benfica Independente", o antigo central brasileiro dos encarnados recorda a sua passagem pelo clube da Luz. Fala de Chalana, dos jogos com o Marselha e com o AC Milan e também daquele encontro nas Antas em que a equipa foi forçada a equipar-se fora dos balneários

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Brazil Photo Press

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Em entrevista ao projeto "Benfica de Quarentena", integrado na plataforma "Benfica Independente", Ricardo Gomes recordou a sua passagem pelo Benfica, entre 1988/89 e 1990/91, assim como o seu regresso, em 1995/96, depois de ter passado quatro épocas no PSG.

O Benfica

"Estava fazendo uns jogos de preparação com a seleção olímpica do Brasil, quando me ligam do Fluminense, o presidente, que me dizem: 'Acabou de ser vendido para o Benfica'. Peguei o avião, cheguei a Lisboa, fiz os exames, assinei contrato e voltei para o Brasil. Conheci, quando estava na Europa, o empresário Manuel Barbosa, que foi o meu empresário até aos anos 1996. Conhecia pouco do Benfica. Sabia do Eusébio e pouco mais."

Chalana

"Nós tínhamos uma equipa fortíssima. No primeiro treino, no Benfica, no campo n.º2 da Luz, vi pela primeira vez o Chalana com a bola. Eu nunca tinha visto uma pessoa com tanto domínio de bola e domínio de espaço. Perguntei ao Silvino: 'Isto é verdade? O que é isso, pô'."

Os golos

"Eu treinava as finalizações. Lembro-me do Bento dizer-me assim, quando eu marquei o primeiro golo: 'Estava a ver que não'. O meu sonho era ser avançado, gostava de marcar golos."

A Taça dos Campeões Europeus

"O que faltou? Pouca coisa. O Eriksson definiu bem, 20 ou 30 metros foi o que nos faltou. Houve alternância de domínio. Ficámos abertos, abriu um espaço do lado do Hernâni e o Rijkaard aproveitou. Depois do golo, eles ficaram na situação que adoram. Contra o Marselha... Levei um cartão amarelo e não pude jogar na Luz. O Vata é espetacular, especial, não foi mão, foi ombro, pois claro! Depois desse jogo, não falei com o Mozer durante um ano [estava no Marselha]."

O Brasil - Argentina no Mundial 90

"Os argentinos tiveram uma jogada e decidiram o jogo. Nós dominámos e tivemos várias oportunidades, bolas na trave. Acontece. O Maradona que eu conheci já não era imparável. No início dos anos 80 até 89... Em 89, no Maracanã, marquei-o e ele já caminhava, não corria"

O 2-0 nas Antas

"Os tripeiros acharam que nós íamos chegar e deitar... Mas sofreram e sofreram bastante. Não nos conseguimos equipar no balneário porque eles tinham uma técnica especial de lavagem, um lava-jato. Isso deu o que faltava para termos mais garra. No regresso a Lisboa, depois daquele jogo nas Antas, com dois golos do César Brito, foi uma loucura. Nós chegámos, no aeroporto, todos bem vestidos, de fato e gravata, e eu fui levado pela gravata. O César teve um dia brilhante, aliás, toda a equipa."