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Benfica anuncia plano de regresso ao ativo: testar treinadores, jogadores e familiares, e reservar um quarto para cada atleta

O clube da Luz explicou pormenorizadamente como pretende voltar aos treinos, dividindo o plantel em quatro grupos distintos e cumprindo "assim, de forma rigorosa, o acordo de cavalheiros estabelecido por todos os clubes"

lusa

Rafael Marchante

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O Benfica vai regressar aos treinos no centro de estágios do Seixal a 4 de maio, com trabalho individual e em grupos divididos, depois de a equipa técnica e futebolistas serem testados, informou hoje o clube.

“O Sport Lisboa e Benfica cumprirá assim, de forma rigorosa, o acordo de cavalheiros estabelecido por todos os clubes sob o patrocínio da Liga e dará início, desta forma, à designada fase de ‘Retoma’”, indica o clube no seu site oficial na internet.

O regresso será feito de forma faseada até que os jogadores voltem a pisar os relvados do Seixal, com uma estratégia que obriga à despistagem da covid-19, primeiro já na segunda-feira (27 de abril), com testes à equipa técnica liderada por Bruno Lage e à estrutura do departamento de futebol.

Na terça-feira, será então a vez dos jogadores e familiares, que serão testados nos seus domicílios. "Após a obtenção destes resultados (sendo estes negativos), os atletas serão avaliados, nas instalações do Seixal, pelo Departamento Médico numa sala preparada para o efeito, em que qualquer dado clínico importante pode ainda ser motivo de eventual isolamento", referiu Ricardo Antunes, médico do clube.

Ainda antes do regresso aos treinos, os jogadores irão apresentar-se no Seixal a 2 e 3 de maio, num fim de semana que será dedicado a sessões de testes físicos, depois de uma longa paragem competitiva devido à pandemia do novo coronavírus.

Quatro grupos distintos

Quando arrancarem os treinos individuais na segunda-feira de 4 de maio, os mesmos serão igualmente antecedidos de análises clínicas e o plantel será dividido em quatro grupos, com dois a trabalharem de manhã e outros dois de tarde.

“Não haverá qualquer contacto entre companheiros de equipa. O trabalho no ginásio terá o distanciamento adequado e o trabalho (…)”, explicou o clube, adiantando a proteção de profissionais (fisioterapeutas, médicos e enfermeiros) e que o circuito nas instalações terá sentido único, para minimizar contactos.

No regresso, os jogadores continuarão a receber as refeições em casa e quando estiverem no Seixal terão quartos individuais, com casa de banho privativa, para se equiparem e tomarem banho, deixando de estarem juntos em balneário.

“O futebol do Sport Lisboa e Benfica cumpriu de forma escrupulosa – e continuará a cumprir – as normas e recomendações definidas pelas autoridades competentes e jamais deixará de ser parte ativa na constante campanha de pedagogia e educação social que deve perdurar”, adianta o clube.

Na informação na sua página, o campeão nacional em título frisa que o “contexto é muito particular”, mas que o clube quer “voltar a jogar e conquistar, em campo, 11 vitórias nos 11 jogos que faltam disputar para se encerrar a temporada 2019/20”.

A I Liga foi suspensa em 12 de março por tempo indeterminado devido à crise sanitária existente com a pandemia do novo coronavírus, num momento em que estavam cumpridas 24 jornadas, com o FC Porto na liderança, com mais um ponto do que os encarnados'.

Desde a suspensão e até hoje, com a jornada deste fim de semana incluída, não se realizaram sete dos 11 jogos que faltariam para terminar a Liga.

A nível global, segundo um balanço da agência de notícias AFP, a pandemia de covid-19 já provocou mais de 200 mil mortos e infetou mais de 2,8 milhões de pessoas em 193 países e territórios.

Perto de 800 mil doentes foram considerados curados.

Em Portugal, morreram 880 pessoas das 23.392 confirmadas como infetadas, e há 1.277 casos recuperados, de acordo com a Direção-Geral da Saúde.

A doença é transmitida por um novo coronavírus detetado no final de dezembro, em Wuhan, uma cidade do centro da China.

Para combater a pandemia, os governos mandaram para casa 4,5 mil milhões de pessoas (mais de metade da população do planeta), encerraram o comércio não essencial e reduziram drasticamente o tráfego aéreo, paralisando setores inteiros da economia mundial.

Face a uma diminuição de novos doentes em cuidados intensivos e de contágios, alguns países começaram, entretanto, a desenvolver planos de redução do confinamento e em alguns casos, como Dinamarca, Áustria, Espanha ou Alemanha, a aliviar algumas das medidas.