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Bruno Costa Carvalho recandidata-se à presidência do Benfica: “Uma OPA sem explicação, negócios que não entendi e problemas com um assessor”

O empresário foi candidato derrotado em 2009 e em 2016 desistiu de uma protocandidatura

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ANDRE KOSTERS / LUSA

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Bruno Costa Carvalho, empresário derrotado nas eleições presidenciais do Benfica de 2009 e candidato desistente nas de 2016, apresentou a sua recandidatura à liderança do Benfica. Num comunicado enviado às redações, Bruno Costa Carvalho disse ter passado por um “período de reflexão”, findo o qual tomou a decisão de avançar para a corrida eleitoral que está aprazada para outubro.

Depois de Rui Gomes da Silva, antigo vice-presidente dos encarnados, Costa Carvalho é a segunda figura a avançar contra Luís Filipe Vieira que dirige os destinos do clube da Luz desde 2003.

No longo texto, Bruno Costa Carvalho - que em 2016 garantiu que Luís Filipe Vieira “merecia ser o presidente do Benfica”, elogiando a estrutura do emblema lisboeta - levanta dúvidas sobre alguns acontecimentos recentes que envolvem a direção do atual líder. “Vi uma OPA sem explicação, vi problemas com um assessor de administração, vi negócios de que não gostei, vi um sem número de problemas que gostaria que estivessem bem longe do meu clube. Vi, sobretudo, um clube que não percebe que está a ponto de ser relegado, de forma definitiva, para uma segunda divisão europeia, sem qualquer capacidade de reação, parecendo os dirigentes mais interessados em cifrões do que na grandeza desportiva do clube que lide”.

Numa curta biografia disponibilizada no wook, Costa Carvalho diz-se “pai de três adolescentes, licenciado em Economia pela Faculdade de Economia da Universidade do Porto, tem um MBA tirado na Cardiff Business School e uma segunda licenciatura em Marketing no The Chartered Institute of Marketing em Londres, tendo tido, ainda, uma carreira como docente universitário na área do Marketing”. O empresário criou o Porto Canal e fundou a Rádio Estádio, projeto que encerrou por dificuldades financeiras.

Leia o comunicado na íntegra:

Como todos sabem, anunciei há já algum tempo que entraria num período de reflexão quanto a uma eventual candidatura à Presidência do Sport Lisboa e Benfica.

Sei que vivemos, como sociedade, tempos difíceis em que tivemos todos de estar confinados para preservar a nossa saúde e a dos outros, sobretudo a dos mais frágeis ou mais idosos. Fizemos um sacrifício coletivo por todos os que amamos.

O futebol e os desportos em geral pareceram perder, momentaneamente, a sua importância. Claro que quando confrontados com a vida e a morte, tendemos a focar-nos no essencial, mas a verdade, é que não houve apaixonado pelo desporto que não tivesse saudades de um estádio ou de um pavilhão cheio, de sentir o calor humano de assistir ao vivo um jogo ou de abraçar um amigo, ou até um estranho, quando a nossa equipa marca um golo.

Esperemos que a vida possa voltar ao normal.

E não foram estes 2 ou 3 meses de confinamento que me fizeram esquecer as múltiplas e diversas trapalhadas em que o Benfica esteve metido.

Vi uma OPA sem explicação, vi problemas com um assessor de administração, vi negócios de que não gostei, vi um sem número de problemas que gostaria que estivessem bem longe do meu clube.

Vi, sobretudo, um clube que não percebe que está a ponto de ser relegado, de forma definitiva, para uma segunda divisão europeia, sem qualquer capacidade de reação, parecendo os dirigentes mais interessados em cifrões do que na grandeza desportiva do clube que lideram.

Vi a propaganda sem fim face ao um milagre financeiro inexistente, mas propalado vezes sem fim por uma comunicação social acrítica e mal preparada para entender o que está mesmo diante dos seus olhos.

A única alternativa que existe a este estado de coisas é um candidato que tem a grande qualidade de ser inequivocamente Benfiquista, mas que se esqueceu que esteve com o atual Presidente durante uma década e é conivente com tudo que se passa.

Pois bem, atendendo a tudo isto, parece-me que a única coisa lúcida a fazer é avançar para uma candidatura à Presidência do Sport Lisboa e Benfica.

Ao contrário do que muitos julgam, será a segunda vez que me candidato, depois de em 2009 ter tido um resultado toldado por um processo judicial que viria a ganhar a destempo (isto é Portugal) e por em resultado do voto eletrónico que está muito distante de me garantir que tenha sido o resultado verdadeiro. Falaremos disso em tempo oportuno.

Sou Benfiquista, sócio desde 2002, e tenho feito tudo o que posso pelo meu clube. Intervindo em AGs e dando conselhos ao Presidente e à sua Direção por aqui e presencialmente. Tenho 18 anos de sócio, mas como pude ser candidato em 2009, o meu direito a ser candidato a Presidente do Benfica é inalienável. Até porque o próprio Presidente também já foi eleito com base em estatutos anteriores e não nos atuais como todos sabemos. A mesma lógica aplica-se a ambos. Espero que isto não seja sequer um tema na campanha.

Gostaria de recordar que já apresentei um Programa de Governação para o Benfica e uma proposta de revisão dos estatutos. São dois elementos essenciais que me qualificam para a candidatura que quero protagonizar.

É uma candidatura recheada de grande Benfiquismo sem oportunistas nem gente com passados dúbios. Tenho uma equipa notável que pode fazer um grande trabalho no Benfica.

Queremos um Benfica grande e forte a todos os níveis, mas sobretudo no futebol que é a mola real de um clube com a grandeza do nosso.

Finalmente, dirijo-me à comunicação social, dizendo que, por enquanto, não estou disponível para entrevistas nem para comentários. Espero de todos um trabalho isento e rigoroso, coisa que não aconteceu no passado.

Afirmo, desde já, que privilegiarei todos os fóruns online Benfiquistas e comunicarei com todos, sobretudo, através da minha página de Facebook.

Nunca entrei em nenhum programa de televisão nem tenho nenhum blog que me dê cobertura. Nem quero.

Encabeço um grupo de Benfiquistas que quer um Benfica sólido e que tem um projeto de verdadeira afirmação europeia que não anda ao sabor de conjunturas e de opiniões alheias.

Sabemos reconhecer o que de bem foi feito nos últimos anos, mas também sabemos que temos que dar um salto qualitativo que o atual Presidente não foi capaz de realizar, bem como temos que reforçar a transparência e a vivência clubística.

Não se iludam. esta é uma candidatura para ganhar, sólida, afirmativa, que não é contra ninguém, mas a favor do clube que amamos.

Há um rumo. Há um futuro desenhado. Há um projeto. Há uma candidatura.


P’lo Benfica!

BRUNO COSTA CARVALHO