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Procura-se: Benfica

Depois de uma 1.ª parte sólida, em que marcou dois golos e parecia seguro o suficiente para uma noite tranquila, o Benfica decidiu eclipsar-se no regresso do intervalo. Entregou a bola, o controlo, entregou o jogo. O Portimonense empatou e há quatro jogos seguidos na liga que os encarnados não saem disto

Lídia Paralta Gomes

LUIS FORRA/POOL/EPA

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E assim, de repente, a contabilidade começa a tornar-se feia e é por ela que vamos desde já começar: em 10 jogos, o Benfica tem uma vitória. Nos últimos quatro jogos da Liga, quatro empates. E desta vez não se pode falar em “falta de eficácia”, “azar”, “a-bola-que-nem-que-estivéssemos-aqui-sete-horas-ia-entrar”. O Benfica empatou em Portimão (2-2) porque depois de se ver a ganhar por 2-0 abdicou. Desapareceu. Sumiu-se.

Procura-se, portanto, aquele Benfica que ainda há um ano e pouco marcava dois mas queria marcar 10. Esta quarta-feira, no Algarve, o Benfica entrou bem, marcou dois golos na 1.ª parte, parecia tranquilo, coisa inédita nos últimos capítulos deste campeonato, pré e pós covid. Mas depois não quis mais, entregou a bola ao Portimonense, que tem jogadores para mais do que o penúltimo lugar e que na 2.ª parte jogou o que quis, com o espaço que quis, com a bola que quis e mereceu o empate porque, fazendo as contas, quis mais.

E fica difícil explicar o eclipse do Benfica depois de uma 1.ª parte bastante decente, com a boa ligação entre linhas, principalmente no lado direito do ataque, entre Rúben Dias, André Almeida, Pizzi e Rafa, a levar os encarnados sem grande dificuldade até à área do Portimonense. O primeiro aviso apareceu aos 15’, com uma grande abertura de Pizzi a lançar André Almeida, numa jogada que acabou com um remate de Rafa que saiu por cima. Três minutos depois, Rúben Dias passa a rasgar para Rafa, que deixa para Pizzi, que na passada faz o primeiro do jogo. Uma boa jogada, rápida, simples, e um bom golo - e há muito que não se via tal coisa no Benfica.

A vantagem aumentaria à passagem da meia-hora, mais uma vez pela direita, mais uma vez Pizzi na jogada, desta vez com a ajuda de um rival. O passe de primeira do médio não saiu perfeito, mas Lucas Possignolo falhou completamente o corte, com André Almeida, já embalado, a aproveitar para marcar.

Com 30 minutos no relógio, 2-0 no marcador e uma defesa pressionante que nunca deu o mínimo espaço para qualquer movimento mais empretigaitado do Portimonense, o Benfica parecia pronto para uma noite tranquila.

LUÍS FORRA/POOL/LUSA

Mas foi logo após o segundo golo que o Benfica abdicou de ter bola, com o Portimonense a chegar ao intervalo já por cima na percentagem de posse de bola, toda ela, até então, estéril.

Não o seria na 2.ª parte.

Porque Paulo Sérgio arriscou desde logo, lançando Aylton Boa Morte e Fali Candé. Apareceram finalmente Lucas Fernandes, Bruno Tabata e Júnior Tavares. Aos 66’, Dener fez o primeiro do Portimonense, a saltar entre Rúben Dias e Ferro após um canto de Tabata. E aí o Benfica perdeu-se completamente no jogo, ficou a ver o Portimonense a ganhar confiança, até Júnior Tavares marcar um golaço de pé esquerdo, um daqueles remates com o equilíbrio perfeito de força e colocação, que deixou o jogo, inesperadamente, pelo menos para quem viu a 1.ª parte, empatado.

Daí para a frente, e com 10 minutos para jogar, Lage utilizou os truques habituais, lançou Seferovic e Dyego Sousa com a eficácia que se tem visto, porque de que vale ter dois homens na área quando o jogo não flui no meio-campo? De que vale ter presença lá à frente quando quase ninguém parece saber o que fazer com a bola? E portanto os últimos minutos foram feitos de gente desesperada, gente que se deixou dormir para depois acordar em sobressalto quando a casa já estava a arder.

O Benfica desencontrou-se, quem o vir que avise.

Em direto: FC Porto 1-0 Marítimo (intervalo)

Siga ao minuto o jogo entre FC Porto e Marítimo, a contar para a 26ª jornada da Liga (21h30, SportTV1)