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Um Benfica que desempata e que assim tudo empata

Após cinco empates seguidos, o Benfica venceu o Rio Ave por 2-1 e, por isso, está tudo empatado - na tabela, leia-se. Mas o regresso aos triunfos da equipa de Bruno Lage não foi feito sem acontecimentos raros, coisas improváveis, sofrimento até ao fim

Lídia Paralta Gomes

JOSE COELHO/POOL/LUSA

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Há dias em que acontece um bocadinho tudo ao contrário. Basta olhar para os 45 minutos, mais uns pozinhos, em que Dyego Sousa esteve em campo. O internacional português, que é avançado, note-se, não só fez uma assistência involuntária para o golo do Rio Ave, como foi responsável pelo invalidar daquele que seria o golo do empate do Benfica. Pelo meio, ainda cortou um livre de Pizzi que parecia seguir para a baliza.

Dyego Sousa não voltou dos balneários após o intervalo. O que também não é propriamente comum.

É claro que nisto das improbabilidades, do mundo de pernas para o ar, também se pode ser feliz. E o golo que aparece a três minutos do fim para quebrar uma série de cinco empates seguidos do Benfica (também algo assim do campo do esotérico), é uma cabeçada de Julian Weigl que, confessaria no final, nunca antes na sua carreira havia marcado um golo de cabeça.

Foi assim após um conjunto de acontecimentos raros, incluindo duas expulsões para o Rio Ave, que o Benfica conseguiu uma vitória difícil, uma vitória necessária e uma vitória que empata - empata tudo lá na frente na tabela, leia-se, agora com FC Porto e Benfica de novo com os mesmos pontos, neste campeonato pós-covid em que se vai dando trambolhões à vez até eventualmente chegarmos ao menos mau dos campeões.

Uma vitória que o Benfica construiu essencialmente na 2.ª parte, após a entrada de Seferovic para passar um corretor por cima da aposta falhada que foi Dyego Sousa nos titulares. Na 1.ª parte, o jogo em Vila do Conde começou equilibrado, dividido, muito faltoso, um jogo com espaços mas com duas equipas muito atentas.

O Rio Ave marcaria de bola parada ainda antes da meia-hora de jogo: Nuno Santos marcou o livre, Dyego Sousa engalfinhou-se com Borevkovic e no processo de agarrão aqui, agarrão ali, aliviou para Taremi. O iraniano, sozinho na área, finalizou sem problemas.

JOSE COELHO/POOL/LUSA

A partir do golo do Rio Ave, o Benfica tombou de rendimento, como tantas vezes tem acontecido nos últimos meses sempre que sofre um golo, coisa também ela do campo do improvável, ou pelo menos deveria ser, quando falamos de uma equipa grande. E com isto Taremi quase marcava outra vez aos 34’, após um cruzamento de Nuno Santos. Outro Nuno, o Tavares, fez o corte providencial.

A 1.ª parte terminou com o golo anulado a Rafa e depois do intervalo a história acabaria por ser outra. Com Seferovic, o Benfica ganhou poder no ar e profundidade e o suíço, especialista em morrer e renascer como poucos, entrou logo a criar perigo, com um cabeceamento à barra, seco, com o som da bola na trave a ressoar em todo o estádio vazio.

Aos 61’, combinou bem com Rafa, com Kieszek a sair bem aos pés do português. E aos 64’, momentos após o Rio Ave perder Al Musrati, expulso com duplo amarelo, Seferovic faria o empate, a terminar uma jogada simples e eficaz do Benfica: boa abertura de Gabriel para Nuno Tavares, cruzamento tenso do miúdo e emenda do avançado.

A jogar com menos um e mesmo depois de sofrer o empate, o Rio Ave aguentou bem a pressão do Benfica e foi só quando ficou reduzido a nove, com a expulsão de Nuno Santos após entrada perigosa a Pizzi, que a equipa de Carlos Carvalhal recuou. O golo de Weigl, um improvável golpe de cabeça do alemão, deitaria por terra uma 2.ª parte do Rio Ave que foi, essencialmente, de sacrifício, depois de uma 1.ª parte em que teve mais bola e cheirou bem o medo e a falta de confiança que tantas vezes a equipa de Lage mostrou.